O Canadá está em conversações iniciais para aderir ao Erasmus+ e possivelmente ao Horizonte Europa, enquanto Ottawa e Bruxelas ponderam um inédito “estatuto de membro associado” aquém da adesão plena.
Ottawa e Bruxelas estão em conversações para o Canadá aderir ao programa de intercâmbio Erasmus+, o que permitiria a estudantes de ambos os lados frequentar universidades do outro lado.
As relações UE-Canadá raramente estiveram tão próximas, numa altura em que o primeiro-ministro Mark Carney procura estreitar laços com o bloco europeu, após a agenda comercial agressiva e a política externa errática da segunda administração Trump.
Na quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, convidou o Canadá a tornar-se o primeiro “membro associado” da UE, um estatuto inédito aquém da adesão plena, que continua fora de questão para o Canadá por não ser um país europeu.
Embora os pormenores desse novo estatuto continuem pouco claros, decorrem já negociações para o Canadá aderir a vários programas existentes da UE, incluindo o emblemático programa de intercâmbio Erasmus+, há muito considerado um dos benefícios mais tangíveis da integração europeia.
O Canadá seria o primeiro país não europeu a integrar o programa de intercâmbio, que financia pessoas e organizações para estudarem e realizarem formação no estrangeiro.
“Os canadianos querem participar no Erasmus+. Será caro para eles, mas estão preparados para isso”, afirmou o eurodeputado Javier Moreno Sánchez (Espanha/S&D), presidente da delegação do Parlamento Europeu para o Canadá, a jornalistas, numa sessão de informação na terça-feira.
As negociações ainda estão numa fase inicial, mas há vontade de ambos os lados do Atlântico para integrar o Canadá num dos projetos europeus de maior sucesso, apurou a Euronews.
Atualmente, o Canadá é um país parceiro reconhecido do Erasmus+, mas não um país associado. Isto significa que as universidades e outras entidades canadianas podem participar em determinadas ações do Erasmus+, sujeitas a critérios e condições de elegibilidade específicos.
Para além dos Estados-membros da UE, participam atualmente seis países não pertencentes à União: Macedónia do Norte, Sérvia, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Turquia. O Canadá deverá seguir um modelo semelhante, caso seja alcançado um acordo.
Moreno saudou a iniciativa como uma forma de reforçar a relação com benefícios concretos para os cidadãos. Acrescentou que a convenção que reconhece mutuamente as qualificações profissionais dos arquitetos deveria ser alargada a médicos, engenheiros e professores.
O Canadá poderá também aderir a outro programa emblemático da UE, o Horizonte Europa, que financia projetos de investigação. A cooperação nesse âmbito está atualmente limitada às vertentes dedicadas aos desafios globais e à competitividade industrial.
“Os canadianos são o povo mais europeu fora da Europa”, disse Moreno. “Se não reforçarmos a nossa relação com o Canadá, então com que outro país o deveremos fazer?”, questionou.