Responsáveis de todo o setor das viagens juntaram-se à Euronews em Bruxelas, a 29 de setembro. Eis o essencial a reter.
Responsáveis políticos, decisores e especialistas do sector reuniram-se na Euronews Travel & Tourism Summit 2026 em Bruxelas para debater temas que vão do excesso e escassez de turismo às alterações climáticas.
Eis o que aconteceu no encontro de um dia na capital belga.
“Fomos a Coreia do Norte da Europa”
Numa conversa animada com Maria Tadeo, da Euronews, o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, falou sobre a incrível história turística do seu país – de “Coreia do Norte da Europa” a destino para onde todos querem viajar neste momento.
“Não somos o Buraco Negro da Europa, somos a pequena joia brilhante da Europa”, afirmou perante o encontro. Explicou que países vizinhos como a Croácia tiveram mais tempo para desenvolver o seu turismo, mas que agora chegou “a nossa vez”.
Rama revelou ainda que o foco passa agora por turistas de “maior qualidade”, assinalando que cadeias hoteleiras como a Waldorf Astoria e a Aman planeiam abrir unidades no país. A Atlantis, prestigiada marca de hotéis do Dubai, prepara-se igualmente para inaugurar a sua primeira unidade no continente europeu na Albânia.
Referiu-se também aos protestos em curso contra o projeto turístico em Sazan e Zvërnec, apoiado por Jared Kushner, genro do presidente norte-americano Donald Trump, afirmando que a Albânia irá divulgar documentação relativa ao projeto nas próximas semanas.
“As alterações climáticas são a maior ameaça ao turismo”
Eduardo Santander, diretor-geral da European Travel Commission, conversou com Mared Gwyn-Jones, da Euronews, sobre um verão em que as manchetes foram dominadas por ondas de calor em todo o continente.
Afirmou que “as alterações climáticas são, de longe, a maior ameaça ao turismo neste momento”, com comboios impedidos de circular devido à dilatação das linhas e cruzeiros impossibilitados de navegar em rios europeus secos, acrescentando que “temos de nos preparar para isso de forma muito mais coordenada e abrangente”.
As alterações climáticas não estão apenas a provocar caos nas viagens, estão também a tornar as deslocações mais caras.
“Viajar está a ficar muito mais caro e todos vocês viajaram este verão, suponho, e sentem-no no bolso”, afirmou.
“Europa Central promove-se como um único destino”
Olivér Csendes, presidente da Hungarian Tourism Agency, juntou-se no palco à moderadora Mared Gwyn-Jones e a Sandrine Buffenoir, diretora para Países Baixos, Bélgica e Luxemburgo na Atout France, para discutir o futuro da promoção turística da Hungria e, em geral, da Europa Central.
“Gostaria de ver mais colaborações internacionais em que apresentamos o nosso modo de vida e as nossas regiões, no fundo, como um único destino”, afirmou. “Não temos de limitar o pensamento e a criação de espaços de experiências às fronteiras nacionais.”
Itinerários que atravessam vários países – conhecidos também como “trip-maxxing” – ajustam-se naturalmente à região, onde há duas ou três capitais a menos de 100 quilómetros umas das outras.
“Estados Unidos vão disponibilizar Global Entry a cidadãos belgas até ao final de 2026”
A apresentadora Jane Witherspoon conversou com Bill White, embaixador dos Estados Unidos da América junto do Reino da Bélgica, sobre a relação especial entre os dois países.
Indicou que, para incentivar viagens dos Estados Unidos para a Bélgica e vice-versa, é necessário melhorar a experiência nos aeroportos, razão pela qual os Estados Unidos se preparam para alargar o programa Global Entry aos cidadãos belgas nos próximos meses.
O sistema permite que viajantes previamente aprovados e considerados de baixo risco beneficiem de controlos acelerados à chegada aos Estados Unidos.
“Estamos a trabalhar com o governo belga para pôr a documentação em ordem. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prévot, lidera pessoalmente este esforço”, afirmou o embaixador White.
A medida poderá entrar em vigor antes do final do ano ou no início do próximo.
“Temos de investir à altura do que prometemos”
No painel “gestão de fluxos de visitantes e construção dos destinos de amanhã”, o eurodeputado Daniel Attard sublinhou a necessidade de investir em melhores ligações, nomeadamente ferroviárias e aeroportuárias.
Isto porque muitos dos locais menos conhecidos, que mais poderiam beneficiar com o turismo, não dispõem da infraestrutura necessária para receber visitantes.
Por isso, “temos de investir à altura do que dizemos, à escala europeia”, afirmou, acrescentando que “temos de criar melhores ligações, investir em novas ligações”, bem como reforçar os serviços de aviação.