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Tigres e tartarugas: histórias de sucesso que mostram esperança para a vida selvagem

Tigre fêmea e crias repousam numa poça de água na reserva de tigres Tadoba Andhari, na Índia.
Uma tigresa e as crias descansam numa lagoa no santuário de tigres de Tadoba Andhari, na Índia. -  Direitos de autor  Richard Barrett / WWF UK
Direitos de autor Richard Barrett / WWF UK
De Liam Gilliver
Publicado a •Últimas notícias
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A biodiversidade continua a degradar-se a um ritmo alarmante, mas, apesar destas quebras acentuadas, há ainda motivos para esperança.

A biodiversidade continua a degradar-se a um “ritmo alarmante”, mas os especialistas insistem que ainda há motivos para esperança.

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Um novo estudo do WWF e da Zoological Society of London (ZSL) alerta para uma redução média de 73% na dimensão das populações de fauna selvagem monitorizadas ao longo de um período de 52 anos.

O Índice Planeta Vivo (LPI) acompanha a evolução das populações de espécies em todo o mundo e baseia-se em quase 35 803 tendências populacionais e 5 790 espécies de vertebrados (anfíbios, aves, peixes, mamíferos e répteis).

Os resultados mais recentes, publicados no Relatório Planeta Vivo (LPR) 2026 do WWF, mostram um declínio médio de 2,5% ao ano nas populações de vida selvagem monitorizadas entre 1970 e 2022.

O LPI utiliza alterações na dimensão das populações para perceber se, em média, a abundância relativa das espécies de vertebrados monitorizadas aumentou, diminuiu ou se manteve. Isto não significa que hoje existam, no total, menos 73% de animais selvagens do que em 1970.

O que provoca o declínio das populações de vida selvagem

O novo estudo avisa que a perda e a degradação de habitat são as ameaças mais frequentemente registadas nas populações de vida selvagem monitorizadas, seguidas da sobre-exploração, das alterações climáticas, da poluição, das espécies invasoras e das doenças.

“Estas ameaças são, por sua vez, impulsionadas por falhas sistémicas mais amplas nos sistemas alimentar, energético e financeiro”, lê-se no relatório.

Os declínios mais acentuados verificam-se na América Latina e Caraíbas, em África e na Ásia e Pacífico.

Na Europa e na América do Norte, os grandes impactos na natureza já tinham acontecido e a biodiversidade encontrava-se em pior estado no ano de referência de 1970, o que ajuda a explicar porque a tendência negativa é menos marcada nestas regiões.

“Progresso já está em curso”

Apesar das conclusões preocupantes, o relatório sublinha a eficácia dos esforços de conservação e defende que ainda há tempo para inverter a tendência.

Os tigres são um dos exemplos mais claros. Em 2010, restavam apenas cerca de 3 200 tigres selvagens e a espécie parecia caminhar rapidamente para a extinção. Mas, no ano passado, a população já rondava os 5 700 animais, o que representa um aumento de 70%.

O atum-rabilho-do-Atlântico parecia destinado a um destino semelhante, depois de décadas de sobrepesca terem provocado o colapso das suas populações. Hoje, recuperaram ao ponto de já não serem considerados ameaçados.

Na África do Sul, as populações de elefantes estão estáveis ou em crescimento em muitas zonas onde as comunidades locais lideram a gestão das terras que partilham com estes animais.

E, no ano passado, a tartaruga-verde marinha tornou-se a primeira tartaruga marinha a ser reclassificada de Em Perigo para Pouco Preocupante, após décadas de esforços de conservação.

Um grupo de voluntários de monitorização mede e marca uma tartaruga-verde numa praia nas Fiji.
Um grupo de voluntários de monitorização mede e marca uma tartaruga-verde numa praia nas Fiji. Tom Vierus / WWF Pacific

“A biodiversidade continua a ser destruída a um ritmo alarmante, mas, apesar destes declínios acentuados, há motivos para esperança”, afirma a doutora Kirsten Schuijt, diretora-geral do WWF International.

“O relatório apresenta provas de que muitas populações de espécies estão estáveis ou a recuperar, a par de histórias inspiradoras que mostram que a natureza pode recuperar e que a mudança é possível.”

A doutora Schuijt atribui às décadas de “conservação coletiva e sustentada” a recuperação das populações de tigres, atuns-rabilho e tartarugas-verdes.

Acrescenta: “Para manter e alargar estes sucessos de conservação, é necessário transformar as indústrias e os sistemas que impulsionam a perda de natureza.

“O progresso já está em curso. Não em todo o lado, e ainda não à escala necessária, mas o suficiente para mostrar que a mudança é possível. É altura de acelerar a dimensão dessas mudanças sistémicas já em marcha e trabalhar em harmonia com a natureza para construir um mundo mais sustentável, equitativo e resiliente.”

Três sistemas que alimentam a perda de biodiversidade

Embora o relatório reconheça a importância destas recuperações, defende que elas existem dentro de um “conjunto muito mais vasto de forças” que empurram a biodiversidade na direção oposta. A primeira tem que ver com a forma como o mundo produz e usa energia.

“A queima de carvão, petróleo e gás para abastecer casas, transportes e indústria gera cerca de três quartos das emissões de gases com efeito de estufa que alimentam as alterações climáticas, que se tornaram agora um motor de perda de biodiversidade em todos os ecossistemas da Terra”, refere o documento.

A segunda força é a forma como o mundo produz e consome alimentos. A agricultura é a principal causa de perda e degradação de habitat e o principal motor do declínio da biodiversidade.

“A terceira é o sistema financeiro”, explica o relatório. “A afetação de capital – as decisões sobre que indústrias recebem investimento e quais não recebem – determina que atividades crescem e quais encolhem.”

Em 2023, cerca de 7,3 biliões de dólares (6,5 biliões de euros) foram canalizados para atividades que prejudicam a natureza, enquanto apenas 220 mil milhões de dólares (197 mil milhões de euros) foram destinados a atividades que a protegem ou restauram.

“Enquanto essa proporção não se alterar, os motores de fundo da perda de biodiversidade continuarão a ser financiados”, conclui o relatório.

Pontos de viragem positivos

Os especialistas defendem que transformar estes sistemas, mesmo que pareça “impossível”, pode desencadear pontos de viragem positivos. Estes ocorrem quando se ultrapassa um limiar e a mudança se acelera.

A transição para as energias limpas é um exemplo claro. Há algumas décadas, tecnologias como a energia solar eram usadas em calculadoras de bolso e satélites.

Hoje, são a fonte mais barata de nova produção de eletricidade na maioria dos países – e estão a amortecer o choque dos preços da energia na Europa provocado pela guerra no Irão.

No ano passado, a energia solar gerou 13,1% da eletricidade da UE, ultrapassando o carvão e aproximando-se do gás. Juntamente com o vento, a energia solar gerou mais eletricidade na UE do que os combustíveis fósseis pela primeira vez em 2025.

“Todas as fases da transição geraram resistência por parte de indústrias e interesses políticos cuja posição dominante é ameaçada”, salienta o relatório.

“Nos últimos anos, essa resistência intensificou-se em algumas partes do mundo. Esta reação faz parte do modo como as transformações ocorrem e mostra que a mudança já é suficientemente disruptiva para ter impacto. Atravessar esta fase exige resiliência, capacidade de ajustamento e determinação para continuar.”

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