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Turquia e Rússia: O início de uma nova amizade?

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Turquia e Rússia: O início de uma nova amizade?

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Com António Oliveira e Silva, Ricardo Figueira, Reuters, TASS e Anadolu

O encontro entre o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e o homólogo russo, Vladimir Putin, previsto para esta terça-feira na cidade russa de São Petersburgo, pretende marcar o início de uma nova era nas relações entre os dois países.

As relações entre Ancara e Moscovo ficaram marcadas por críticas e tensões, depois de o exército turco ter abatido, em novembro de 2015, um avião militar russo, alegando que o aparelho tinha violado o seu espaço aéreo.

O episódio foi um dos muitos que marcou os diferendos entre as partes intervenientes ou com interesses diretos no conflito na Síria, entre os Estados Unidos, a União Europeia, a Rússia e a Turquia, mas também as monarquias do Golfo, como a Arábia Saudita.

Desde o incidente com o avião militar russo, Moscovo intensificou as sanções contra a Turquia, em particular as sanções económicas. Mas, depois da tentativa de golpe de Estado na Turquia, dia 15 de julho, as relações entre os dois países parecem passar por uma fase de desanuviamento.


Emre Ersen, analista do Instituto do Médio Oriente, em Washington, e professor na Universidade Marmara, em Istambul, explica que a aproximação começou logo no dia depois da tentativa de golpe de Estado:

“Putin foi um dos primeiros líderes mundiais a telefonar a Erdogan e a declarar o seu apoio incondicional ao Governo turco, aquele Governo que foi eleito democraticamente, posicionando-se também contra o golpe.”

Uma aproximação que tem vindo a construir-se progressivamente

Uma tomada de posição mais rápida e muito mais contundente do que a dos tradicionais aliados da Turquia no Ocidente, como a União Europeia e os Estados Unidos.

Erdogan sentiu-se, depois da tentativa de golpe, isolado face ao Ocidente. Por isso, a aproximação por parte de Vladimir Putin é bem-vinda. Durante o encontro em São Petersburgo, Erdoğan e Putin desejam encontrar uma solução para a Síria, ainda que a Rússia proteja Bashar al-Assad e Ancara prefira que o presidente sírio abandone o poder.

Esta aproximação estratégica por parte de Moscovo parece relacionar-se também com o facto de que, depois da tentativa de golpe, a reação por parte de Bruxelas tenha sido de algum distanciamento, ainda que as decisões tomadas pelo presidente turco depois do golpe, entre detenções, interrogatórios e suspensão de funções de milhares de cargos em todo o país, tenham “irritado vários politicos europeus. A NATO/OTAN chegou também a criticar as decisões do presidente turco.

A Rússia parece estar muito menos preocupada com o que a União Europeia vê como uma tentação autoritária por parte de Ancara e de Erdoğan em particular, aquilo a que muitos meios de comunicação internacionais chamam “a purga.”


Mas a Turquia tem, face à UE, um trunfo importante, ao ser, pelo seu posicionamento estratégico, um ator fundamental na gestão da chamada crise dos migrantes e dos refugiados, que tem vindo a causar mal estar entre dirigentes e cidadãos da União.

Tayyip Erdoğan desafiante face a Bruxelas

E se vários países e a própria União Europeia já vieram dizer que não aceitarão negociações de adesão com um país que restabeleça a pena de morte, abolida por Ancara em 2004, a verdade é que o presidente turco não parece sentir-se ameaçado pela posição da União.

Ancara já disse que um acordo para que os cidadãos turcos possam viajar para a União Europeia é necessário e que, sem ele, o acordo entre a UE e a Turquia para a gestão da crise dos migrantes e refugiados fica sem efeito.

Durante um comício realizado em Istambul para apoiar o Governo contra a tentativa de golpe de Estado, este domingo, Erdoğan disse que se os turcos quiserem que a pena de morte volte a estar vigente na Turquia, tal deveria acontecer:

“A soberania reside de forma incondicional na nação. Se o povo deseja que a pena de morte volte, na minha opinião, os partidos políticos devem ouvir a vontade do povo.”

O presidente da Turquia permanecia assim desafiante face a Bruxelas, perante mais de um milhão de apoiantes. Agora, terá de tirar partido com uma possível aliança regional com a Rússia, de forma a jogar, mais uma vez, com trunfos quando tiver de negociar os seus interesses com a União Europeia e mesmo com os Estados Unidos.

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