Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.

Última hora

Última hora

"O tesouro da Europa é a sua diversidade" - Wim Wenders

"O tesouro da Europa é a sua diversidade" - Wim Wenders
Tamanho do texto Aa Aa

Wim Wenders é um dos mais emblemáticos cineastas e produtores da Europa.

Os seus filmes como “Paris, Texas” (1984) e “As asas do desejo” (1987) foram aclamados pela crítica arrebatando vários prémios em festivais de cinema internacionais. Foi nomeado por três vezes para o Óscar com documentários, onde se inclui “Buena Vista Social Club”.

O alemão é o presidente da Academia Europeia de Cinema, que organiza, todos os anos, os Prémios do Cinema Europeu. O próprio Wenders foi homenageado várias vezes…

Por altura do 30º aniversário dos galardões, a entrevista de Wim Wenders à euronews, conduzida por Wolfgang Spindler.

euronews: 30 anos de Prémios do Cinema Europeu, é uma história longa… Está na Academia Europeia de Cinema desde o início. Que balanço faz?

Wim Wenders: O tempo passou rápido. Tudo começou aqui em Berlim, o muro ainda de pé. O prémio de Melhor Filme foi para o realizador polaco Krzysztof Kieślowski. Ele ficou tão surpreendido que tudo o que ele disse foi: ‘Espero que a Polónia esteja na Europa “. Isso foi o quão distanciados estávamos há 30 anos e, entretanto, muito aconteceu. A Academia Europeia de Cinema está, agora, bem estabelecida, os Prémios do Cinema Europeu tornaram-se numa marca comercial, o que ajuda os filmes que ganham. Era isso que esperávamos, que reunisse o cinema europeu e a família do cinema europeu. Queríamos transmitir a mensagem: temos que trabalhar juntos e perceber que juntos, somos mais fortes. É por isso que criámos este prémio.

e: Quando se olha para a indústria cinematográfica europeia, temos ótimos filmes, ótimo cinema de autor/ de cinema de arte, mas por que é que a Europa não é capaz de construir uma indústria cinematográfica, onde tenha, também, êxitos de bilheteira que gerem muito dinheiro, de maneira a suportar o cinema artístico? Depois de todos estes anos, porque é que isso não é possível na Europa?

Wim Wenders: Porque a Europa não é a América. Não visamos o mercado mundial com filmes que têm o menor denominador comum para atrair toda a gente. O tesouro da Europa é a sua diversidade e, em todos os países, as coisas são diferentes. Cada país tem a sua própria história e queremos preservar essa diversidade. Nós não queremos ter uma cultura de cinema europeu monolingue – que seria certamente o inglês para competir com Hollywood. Hollywood é muito bom a fazer isso, mas isso não somos nós. O tempo da ideia de que o “Euro-Pudim” poderia funcionar acabou. A Europa é muito mais um jogo livre de diferentes culturas e energias. Isso é complexo e certamente não se pode desenvolver o mesmo impacto que os norte-americanos e, também, não queremos isso.

e: Após 30 anos de Prémios do Cinema Europeu, qual é o futuro e quais são os desafios do cinema europeu?

Wim Wenders: O cenário da produção de filmes mudou drasticamente. A revolução digital avançou poderosamente. Desejo que a indústria cinematográfica europeia se torne vanguardista e não retrógrada. O modo de produção de filmes está a mudar tanto quanto a forma de distribuição e receção de filmes. Temos de estar na linha da frente e também temos que explicar aos nossos Governos que não podemos perder o barco e que não podemos estar nesta maratona revolucionária 3 etapas atrás. Temos de estar entre os corredores da frente.