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Futuro da União Bancária na Europa

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Futuro da União Bancária na Europa

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Sabia que os bancos europeus são mais seguros hoje porque devem seguir regras comuns? O passo seguinte é dotar-se de uma rede de segurança para que quando há um problema nem eu, nem você, nem nenhum contribuiunte seja obrigado a pagar pelo resgate dos bancos.

Quando vai tomar um café sabe que tem dinheiro no banco para o pagar e a última coisa em que pensa é se o seu dinheiro está seguro. Quando paga os impostos espera que sejam gastos na gestão do seu país e não para salvar bancos que faliram. Mas já passámos por isso. Por isso, Giovanni Magi decidiu investigar se as coisas mudaram desde que se estabeleceram as regras da União Bancária.

Real Economy regressa a Itália para perceber o que mudou com a entrada em vigor das novas regras da União Bancária, depois de uma das piores crises do setor na Europa e com vários processos que ainda estão em marcha.

Entre 2013 e 2017 foram salvos sete bancos, três foram recapitalizados e resgatados e quatro salvos pelos detentores de títulos (obrigacionistas) e depositantes. Centenas de particulares perderam dinheiro, sem saber que os banqueiros tinham investido as poupanças em títulos de dívida com demasiado risco.

Para além do dinheiro perdido pelos investidores, os recursos públicos gastos nos resgates entram para as contas da dívida pública e representam entre 1 e 2% do PIB. Em seja, quem mais perde nesta equação são os depositantes e os contribuintes.

Os depositantes são agora mais inteligentes? O comportamento face ao investimento e poupança mudou? Perguntámos a Dulio Borettini, que representa uma associação de consultores financeiros profissionais. Duilio explica que “o depositante italiano está pouco informado. Tenta ser protagonista nesta luta para obter informação. Esta atitude faz crescer o medo e não um atitude que poderia permitir a redução ou mesmo a eliminação de problemas.

Na verdade, qualquer depositante ainda precisa de confiar muito no consultor bancário ou financeiro porque em muitos casos não tem conhecimento suficiente para investir por si mesmo. Por isso é necessário que existam regras, que ajudem a clarificar quem teve intervenção quando há problemas.

Riccardo Rovelli, professor de economia, lembra que “do ponto de vista dos investidores, em geral, seria desejável, saber pelo menos antecipadamente quem nos vai proteger e em que condições, no caso de existirem problemas. Por isso é importante que no futuro sejamos capazes de distinguir entre as liquidações efectuadas pelas autoridades nacionais e as resoluções bancárias realizadas pelas autoridades europeias”.

Isso significa que com este regulamento único, com regras claras, podemos estar tranquilos caso exista uma crise como a dos últimos anos?

Duilio Borettini garante que é “extraordinariamente otimista. Acredito que o trabalho da EBA, a Autoridade Bancária Europeia e entidades à sua volta, está a avançar de forma muito eficaz, na digitalização e inovação, de forma muito positiva”.

Tal como sublinha Giovanni, o sistema é muito mais seguro agora do que era. Os bancos europeus agora têm muito mais capital para fazer face a crises e são muito mais “saudáveis”, os créditos são mais controlados. Mas mas o que acontece quando as regras atuais não são suficientes para evitar a falência de um banco? Olhemos para este curso intensivo sobre o “backstop” ou rede de segurança bancária.

Real Economy | Banking Union

O Banco Central Europeu encarrega-se da supervisão única dos nossos bancos. De acordo com o BCE, a redução do risco feita até agora é essencial para proteger os contribuintes, mas as consequências das eventuais falhas do sistema bancário são uma competência nacional, ou seja, reacem sobre os contribuintes.

Para perceber o que falta para completar este puzzle do fundo de garantia, conversámos com o comissário europeu de Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici.

Maithreyi Seetharaman, euronews:
“Comissário, pedimos-lhe para trazer um objeto que defina o que significa para si esta união económica e monetária mais profunda. O que trouxe?”

Pierre Moscovici, comissário europeu de Assuntos Económicos e Financeiros:
“Um urso. Porque a Zona Euro e a União Monetária Europeia são algo robusto. E como se vê, é um urso branco, visível, brilhante e que se pode morder. Já temos todos os instrumentos de segurança, quase todos. Mas ainda não temos a capacidade de dinamizar a nossa economia. Se contarmos com essa rede, esse “backstop”, no caso das soluções imediatas não funcionarem, existe sempre o resguardo financeiro e orçamental para minimizar o risco de uma queda dos bancos.”

Maithreyi Seetharaman, euronews:
“Ou seja, enquanto contribuintes, ainda temos o risco de ter de pagar um resgate?”

Pierre Moscovici, comissário europeu de Assuntos Económicos e Financeiros:
“O orçamento do “backstop” baseia-se no “mecanismo europeu de estabilidade”. Como temos uma união bancária, necessitamos de uma solução europeia”.

Maithreyi Seetharaman, euronews:
“Na sua opinião, as soluções que foram encontradas até agora para o “urso”, desde essa união bancária, já ajudaram o comum dos cidadãos?”

Pierre Moscovici, comissário europeu de Assuntos Económicos e Financeiros:
“Primeiro, os balanços dos bancos estão muito melhores do que o que estavam. E quando surgem dificuldades, fala-se de imediato com a Comissão sobre os bancos. Já aconteceu com bancos italianos ou espanhóis, por exemplo. Desta forma podemos evitar o risco, o risco global, sistémico. Somos capazes de antecipar e encontrar soluções e temos conseguido evitar a bancarrota”.

Maithreyi Seetharaman, euronews:
“Este “backstop” seria usado mesmo se um determinado banco não tiver impacto na economia da Zona Euro ou noutros bancos da Zona Euro? O que aconteceria nessa altura, passaria para a responsabilidade das autoridades nacionais?”

Pierre Moscovici, comissário europeu de Assuntos Económicos e Financeiros:
“Primeiro é preciso por em marcha o “backstop”, que ainda não existe”.

Maithreyi Seetharaman, euronews:
“Acha que vai funcionar?”

Pierre Moscovici, comissário europeu de Assuntos Económicos e Financeiros:
“Um passo de cada vez. A minha experiência diz-me que há que dar um passo de cada vez. Não quero dar mais detalhes. Os ministros têm de tomar as decisões certas agora e há uma proposta em cima da mesa da Comissão Europeia”.

O mecanismo europeu de Estabilidade transforma-se no Fundo Monetário Europeu. Este Fundo Monetário Europeu será uma instituição europeia que será controloada democraticamente. Acredito que seja tomada uma decisão na altura do verão e teremos algo mais simples e mais rápido.

Maithreyi Seetharaman, euronews:
“O que contribuiu para que essa proposta seja adotada?”

Pierre Moscovici, comissário europeu de Assuntos Económicos e Financeiros:
“Acredito que os ministro ainda estão divididos, mas tendo em conta que se Paris, Bruxelas, Berlim estiverem de acordo, o projeto pode ser concretizado”.

Maithreyi Seetharaman, euronews:
“Comissário obrigado por partilhar connosco as suas ideias. Voltamos dentro de duas semanas. Até lá, mantenha o seu dinheiro bem guardado”.