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"Breves de Bruxelas": a escola como via de integração das crianças refugiadas

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"Breves de Bruxelas": a escola como via de integração das crianças refugiadas

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“Mais de dois milhões de crianças sírias não frequentam a escola, incluindo muitas entre as refugiadas em países como a Turquia. O risco de uma geração perdida num conflito sem fim à vista é o tema do Breve de Bruxelas”, explica Isabel Marques da Silva, enviada da euronews a Istambul.

A Turquia é o país que acolhe o maior número de refugiados do mundo: quase quatro milhões, dos quais 95 por cento são da Síria.

As estatísticas dizem, ainda, que 40% das crianças refugiadas em idade escolar não se matricularam, aumentando o risco de serem vítimas de trabalho infantil, casamento infantil e distúrbios emocionais.

Refugiados no distrito de Sultanbeyli há 4 anos, Abdul-Kadir e Zaynab Alrifai, originários de Homs, não querem que seus cinco filhos façam parte dessa estatística. Todos frequentam o Centro de Educação Temporária, com professores sírios, mas também aprendem a língua turca.

“A vida ensinou-nos que podemos superar as dificuldades se tivermos conhecimento. É por isso que devemos educar os nossos filhos. Precisamos de educar uma geração que seja, depois, capaz de reconstruir o país em tudo o que vai precisar. Isso só será possível graças ao conhecimento”, explicou Abdul-Kadir Alrifai, chefe da família com crianças entre 12 e 19 anos.

As crianças Alrifai fazem parte das 330 mil que beneficiam do programa Transferência Condicional de Dinheiro para Educação, desde maio de 2017.

Por frequentarem a escola com menos de 20% de faltas, os pais recebem entre 6 e 11 euros por criança, por mês, num cartão de débito.

O programa foi criado em 2003 para crianças turcas, mas alargado aos refugiados com ajuda de doadores internacionais (União Europeia, Noruega, Estados Unidos), numa parceria com o Crescente Vermelho turco e a Unicef.

Mas esta agência da ONU tem apenas 66% do dinheiro necessário para as atividades de 2018.

“Precisamos de continuar os esforços no sentido de garantir a proteção destas crianças, para que possamos continuar a oferecer-lhes uma educação que lhes permita ter um futuro melhor e adquirirem as competências essenciais”, referiu Philippe Duamelle, representante da Unicef ​​para a Turquia.

O programa tem também um componente de proteção, com assistentes sociais e tradutores a visitarem as famílias para as referirem aos serviços necessários, nas 15 províncias com o maior número de refugiados.

A União Europeia contribuiu com 34 milhões de euros para este programa e pretende continuar a ajudar.

Isto, apesar das preocupações com o estado de Direito na Turquia, que segue uma deriva autoritária, e as operações militares que levam a cabo na província curda da Síria.

Christian Berger, embaixador comunitário no país, diz que o acordo com a Turquia, assinado em 2016, para parar o fluxo migratório, é para renovar: “Estamos na fase em que, depois de termos dado três mil milhões de euros, vamos transferir mais três mil milhões de euros. Isto é, no total serão seis mil milhões de euros”.

“Há também algo novo que vamos acrescentar: um esquema de reinstalação voluntária de famílias em países da União. Estamos já a finalizar toda a estrutura para esse fim”, disse, ainda.

Após sete anos de guerra na Síria e sem solução política à vista, o governo turco diz-se disponível para aumentar a integração desta comunidade, incluindo gradualmente os centros temporários no sistema público de educação e incentivando as crianças nascidas no país a entrarem diretamente nas escolas públicas.