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A veneração do camelo no Dubai

A veneração do camelo no Dubai
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É fácil esquecer que o Dubai é uma cidade construída no deserto, mas, a cultural local está fortemente enraizada na cultura beduína ancestral.

A euronews visitou o Clube de Corridas de Camelo do Dubai. Devido aos prémios generosos, as corridas atraem proprietários de camelos de toda a península arábica e são uma visita incontornável para os turistas no Dubai.

"Quando os turistas vêm às corridas de camelos, eles veem algo novo, observam a forma como as pessoas tratam os camelos e a forma como os camelos competem uns com outros e a forma como a sociedade dos Emirados promove os camelos", afirmou Ali Saeed Bin Saroud, presidente e diretor do Clube de Corridas de Camelo do Dubai.

A cultura do deserto

O Festival Al Marmoom, no Dubai, é outro dos eventos marcantes das celebrações da cultura do deserto árabe tradicional. Quem passa pelo festival, pode contemplar a dança Ayala, uma das práticas folclóricas tradicionais dos Emirado Árabes Unidos. Os gestos dos dançarinos simbolizam a unidade e a cooperação entre as tribos, no âmbito do modo de vida nómada.

Tradicionalmente, os camelos não serviam apenas como meio de transporte. Eram fonte de alimento e eram tratados como animais de estimação.

"O ambiente que nos rodeia é marcado pelas corridas de camelo. Somos criados neste ambiente e estamos habituados à vida beduína. Crescemos a ver os nossos pais a conduzir camelos. A nossa prática é o resultado deste ambiente em que vivemos", sublinhou o presidente do Clube de Corridas de Camelo do Dubai.

Um animal venerado

O camelo é um animal venerado entre os beduínos por ser um meio de transporte e um meio de subsistência.

Apesar da industrialização e do surgimento de novos meios de transporte, o Dubai continuou a promover o papel do camelo na preservação dos usos e costumes ancestrais.

"O xeique Zayed bin Sultan al Nahayan, que Deus dê descanso à sua alma, trouxe de volta, para a comunidade, a grandeza das corridas de camelo. Ele revalorizou os camelos porque eles pertencem ao nosso ambiente, pertencem aos nosso pais e avós", acrescentou Ali Saeed Bin Saroud

Uma paixão além-fronteiras

A euronews falou com uma alemã que se tornou numa verdadeira embaixadora da cultura dos Emirados. Depois de uma primeira visita em 1993, foi acolhida por uma família local e instalou-se no deserto. Desde então, dedica-se à criação de camelos.

"A minha paixão é dar às pessoas a oportunidade de conhecerem mais coisas sobre a hospitalidade árabe, para que elas conheçam melhor a tradição e a cultura árabe. Há pessoas que não têm essa oportunidade. Foi isso que quis fazer desde o início. A criação de camelos era um passatempo e uma paixão. Depois por acaso comecei também a andar de camelo", contou Ursula Uschi Musch.

"O camelo dá-nos uma certa liberdade. É um animal calmo e orgulhoso. Os camelos são um orgulho para as pessoas dos Emirados e para mim também", acrescentou a criadora de camelos.