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Insiders: O que acham os nossos repórteres do pós-eleições europeias

Insiders: O que acham os nossos repórteres do pós-eleições europeias
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O Insiders acompanhou as eleições europeias, desde o início da campanha até à atualidade. A repórter Valerie Gauriat foi até à ilha de Lampedusa- ilha no mediterrânio palco da tragédia do fluxo migratório dos últimos anos - perceber como é que se está a lidar com a divisão partidária que se estabeleceu depois das eleições. Mais de 40% das pessoas da ilha votaram no partido Liga, de Matteo Salvini, partido anti-imigração, mas muita gente votou no Partido de Pietro Bartolo, médico e recém eleito deputado europeu. Bartolo é conhecido como o médico dos migrantes. Além da profissão que exerce, foi sempre a voz pró-migração da ilha.

Sophie Claudet:Valerie, chegaste agora de Itália, diz-nos, o resultado de Salvini está ligado parcialmente ou totalmente ao sentimento anti-imigrante, ou há algo mais, como a economia, por exemplo?

Valerie Gauriat: "O sentimento anti-imigrante tem sido, é claro, um componente muito forte, mas, na verdade, não é o único. Sobre a imigração, muitos defensores de Salvini disseram-nos que não estão zangados com os imigrantes, mas sim com o modo como os políticos, seja a nível nacional ou europeu, lidam com o assunto. Acham que Itália tem carregado o fardo e não recebeu nada em troca. Isso ficou bem claro em Lampedusa. As pessoas dizem que a ilha carece de infra-estrutura, que não há empregos, e dizem que não aguentam mais. Então, o Mote Salvini "Itália Primeiro" e a promessa, por exemplo, de reduzir os impostos, foram muito atraentes para muitos dos apoiantes da Liga."

SC:É justo dizer que os problemas económicos de Itália já existiam antes do fluxo de migrantes...

VG: "Absolutamente. A Itália passou por uma crise financeira muito severa, tal como o resto da Europa e em particular o sul, por isso, os argumentos económicos são essenciais e as pessoas dizem que Salvini é o único em quem podem confiar, porque todos os outros não cumpriram as promessas que fizeram."

SC:Falando sobre o sul da Europa, estiveste em Espanha no início deste ano, testemunhaste a ascensão da Vox - um partido de extrema-direita. Não se destacaram assim tanto nas eleições europeias. Qual é a tua opinião sobre isso?

VG: É verdade. Os resultados do Vox não foram tão bons nas eleições europeias nem nas nacionais, comparando com o das eleições na Andaluzia, no inverno passado. Os especialistas dizem-nos que tal aconteceu porque o partido é demasiado recente, não está bem estruturado, não está muito organizado, não teve tempo de construir uma verdadeira máquina de campanha política. Essa é uma das razões. Outra...pode ser que alguns dos apoiantes, que vieram de outros partidos tradicionais, tenham sido dissuadidos por algumas das visões mais radicais, particularmente sobre questões de género, são muito sexistas e isso pode ter sido dissuasivo.

SC:Valerie, achas que o fortalecimento da extrema direita se vai espelhar nas sondagens nacionais? Por exemplo, em França, Itália...Achas que é provável que aconteça?

VG: Parte da resposta também dependerá do modo como os principais partidos principais lidam com as mensagens que os eleitores enviaram. É provável que alguns dos partidos tentem aceitar algumas das ideias de extrema-direita, como vimos a acontecer na Hungria e na Polónia, e mesmo que os partidos de extrema-direita não tenham um desempenho tão bom, sem dúvida que terão uma representação política de uma forma ou de outra. E não nos podemos esquecer que duplicaram a percentagem no Parlamento Europeu. Têm agora 10% dos deputados contra os 5% de há quatro anos.

Também o repórter Damon Embling viajou pela Europa na altura das eleições europeias e acompanhou de perto os problemas e esperanças das pessoas. Damon passou pela Polónia. Nas últimas eleições, foi um partido de extrema-direita que se destacou. Damon diz que o resultado já era esperado, como contou à apresentadora Sophie Claudet.

SC:Damon, estiveste na Polónia para o Insiders, o Partido da Lei e da Justiça destacou-se nas eleições europeias, estavas à espera disso, não estavas?

Damon Embling: Sim, acho que sim, o partido PIS, como é conhecido na Polónia, tem um público forte há algum tempo e lá fazem das eleições da UE uma espécie de batalha contra ideais liberais no ocidente, uma ameaça ao modo de vida tradicional polaco. A Polónia é um país católico. O PiS ganhou apoio à volta disso, e a imigração também tem sido um grande problema no país. Podemos dizer que o governo é anti-imigrante e as pessoas com quem falei na Polónia diziam-me que: Bem, não somos contra imigrantes, mas temos visto o fluxo descontrolado noutros países e não queremos isso aqui. As pessoas tem medo de quem possa chegar. O PiS saiu-se bem nas eleições, mas, por outro lado, o partido de oposição também se saiu bastante bem. Há eleições nacionais no final deste ano, portanto, o cenário está definido. Vamos ver o que acontece."

SC:Esta onda de partidos verdes durante as eleições europeias...Acha que é provável que se espelhe nas sondagens nacionais?

DE: Houve algumas vitórias dos Verdes nas eleições europeias, desta vez, em sitíos como França, Alemanha, Reino Unido e Finlândia, vitórias bastante significativas para eles. Porquê? Pode haver muitas razões, talvez as pessoas estejam fartas da política nacionalista populista que temos visto crescer na Europa nos últimos anos. Ou talvez por causa da mudança climática.Temos assistido a muita pressão, com muitas campanhas a acontecer... A jovem ativista Greta Thunberg, por exemplo, motivou muitos jovens a sairem às ruas pela mudança climática. Alguns analistas dos resultados das eleições da UE mostram que os jovens estão a votar nos Verdes. Se os Verdes chegam ao poder nas eleições nacionais? Bem, não sabemos por enquanto, mas podem vir a entrar em algumas coligações. Por isso, acho que alguns políticos tradicionais de vários países da Europa podem estar preocupados.