Segundo dados atualizados do Ministério dos Negócios Estrangeiros, há pelo menos 48 vítimas portuguesas ou lusodescendentes e 83 que continuam incontactáveis.
Mais de 68 mil pessoas continuam dadas como desaparecidas na Venezuela, depois dos dois terramotos que devastaram partes do país na noite de quarta-feira.
Dois sismos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela, provocando destruição generalizada e causando, previsivelmente, dezenas de milhares de mortes, embora o número de mortes contabilizadas até agora seja bastante inferior. O balanço oficial, segundo as autoridades venezuelanas, é por enquanto de 1430 pessoas. Outras 3 238 ficaram feridas.
De todo o mundo, chegam equipas de socorros para apoiar os 30 mil especialistas venezuelanos envolvidos nas operações de busca e salvamento, numa corrida contra o tempo para localizar sobreviventes. Sábado foi o dia crucial para resgatar os últimos sobreviventes que pudessem estar sob os escombros. Teme-se que, passado este período, as esperanças de encontrar alguém com vida sejam cada vez mais reduzidas.
Considera-se que as primeiras 72 horas são as mais cruciais para operações de salvamento bem-sucedidas. Esse período, infelizmente, já passou. Apesar de tudo, há milagres: a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou o resgate de um rapaz de 11 anos este domingo.
Rodríguez indicou que 24 países, incluindo Portugal, prestaram até agora apoio, enviando 521 toneladas de bens, 86 equipas cinotécnicas e mais de 2741 elementos de busca, salvamento e apoio.
Muitos moradores decidiram também agir por conta própria, vasculhando montes de escombros na tentativa de encontrar familiares.
Vídeos impressionantes que circulam nas redes sociais mostram equipas de resgate a retirarem pessoas, incluindo bebés, de edifícios colapsados. Um vídeo do Departamento de Estado norte-americano, publicado este domingo, mostra um bebé a ser salvo.
Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, falou por telefone com Rodríguez após os terramotos: "Transmiti a plena solidariedade da UE para com o povo venezuelano e as nossas mais sentidas condolências às famílias das pessoas que perderam entes queridos", escreveu numa publicação na rede X. "A UE já mobilizou 5 milhões de euros em ajuda de emergência para as comunidades afetadas", acrescentou.
Uma estimativa preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento aponta para 6,7 mil milhões de dólares em danos físicos diretos provocados pelos sismos.
Pelo menos 48 portugueses entre os mortos
Os números atualizados do Ministério dos Negócios Estrangeiros dão conta de pelo menos 48 portugueses e lusodescendentes entre as vítimas mortais dos terramotos. Segundo o MNE, há 83 pessoas portuguesas ou de ascendência portuguesa que continuam incontactáveis. Entre os mortos há pelo menos seis crianças. O terramoto matou seis pessoas da mesma família que festejavam o São João na sua casa de La Guaira, a cidade mais afetada. Capital do estado com o mesmo nome (antes chamado estado de Vargas), La Guaira é uma cidade na costa venezuelana onde vive uma significativa comunidade portuguesa e fica a cerca de 80 quilómetros da capital, Caracas.