Segundo relatos de familiares de alguns dos jovens, estes terão sido enganados por traficantes que lhes propuseram servir de correios de droga em troca de férias gratuitas. Os franceses desconheciam o conteúdo real das malas, acrescentam os familiares.
Onze cidadãos franceses estão detidos na Tailândia desde o início do verão, depois de terem sido apanhados com vários quilos de canábis nas bagagens, indicou na terça-feira uma fonte policial à agência de notícias AFP.
“A situação dos nossos compatriotas é acompanhada de perto pelos serviços competentes do Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros, em Paris, que estão em contacto com as suas famílias”, declarou uma fonte diplomática à AFP.
Segundo relatos de familiares de alguns destes jovens, recolhidos pelo Libération, estes terão sido enganados por traficantes para servirem de correios de droga em troca de férias gratuitas.
A proposta de viagem partiu do gerente de uma empresa de comércio de smartphones e, segundo os familiares, os franceses desconheciam o conteúdo real das malas, precisa o Libération.
O diário identificou pelo menos cinco jovens, entre os 18 e os 26 anos, detidos em aeroportos na Tailândia e em Hong Kong.
Mathis, de 19 anos, foi detido em Banguecoque (Tailândia) depois de ter sido apanhado com uma mala que continha canábis. Desconhece-se se faz parte destes onze franceses, mas a mãe, Valérie, fala ao Parisiende uma armadilha que lhe foi montada no Snapchat: um “plano Tailândia” que prometia pagar o voo, o hotel e as férias, com a condição de, no regresso, registar e levar para Londres uma mala supostamente carregada com smartphones.
A AFP, por seu lado, falou com uma mulher cujo cunhado, de 20 anos, foi detido em meados de julho quando se preparava para viajar da Tailândia para Paris com outro francês.
Na mala trancada, cuja combinação não conheciam, os funcionários aduaneiros descobriram “16,8 quilogramas de canábis”.
“Ficaram em choque. Não estavam mesmo nada à espera”, contou esta mulher, explicando que ele tinha sido contactado via Snapchat por alguém que garantia que a missão de transporte era “100% legal” e que se tratava de levar telemóveis.
“Estava tudo incluído: os voos, o alojamento no destino”, precisou. “Por isso ele levou a proposta a sério.”
“Foi vítima de um ‘plano Tailândia’. Caiu numa armadilha”, acrescentou.
O Ministério Público francês especializado no combate ao tráfico de estupefacientes indicou que decorrem inquéritos.
“O nosso objetivo é identificar os organizadores e as potenciais redes envolvidas e compreender o funcionamento destas operações: como são recrutados e acompanhados estes jovens, se há outras pessoas envolvidas, etc.”, declarou o Ministério Público.
A exportação de canábis a partir da Tailândia é estritamente proibida, recordou uma fonte diplomática à BFMTV: desde 18 de junho de 2026 está prevista “uma coima aduaneira de 30 000 baht (790 euros) por quilo apreendido, detenção para interrogatório e prisão preventiva à espera de julgamento em caso de não pagamento”. As penas podem ir de 2 a 10 anos de prisão, sublinha o Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros.
“A situação dos nossos compatriotas é acompanhada com atenção pelos serviços competentes do Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros, em Paris, que estão em contacto com as suas famílias”, garantiu ainda a mesma fonte diplomática.
“A prevenção e a luta contra o recrutamento dos mais jovens pelos narcotraficantes, nomeadamente através das redes sociais, é uma prioridade para a França”, acrescenta esta fonte.
“Com efeito, os grupos criminosos visam cada vez mais os jovens, alguns em situação de vulnerabilidade, para que participem nas suas atividades criminosas – nomeadamente para transportarem uma mala cujo conteúdo é desconhecido ou deliberadamente descrito de forma enganosa e que, na realidade, contém uma quantidade importante de drogas”, precisou esta fonte à franceinfo.