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Hungria: Magyar diz que UE tem de decidir se quer "sobreviver ou vencer" e critica falta de liderança

Primeiro-ministro húngaro Péter Magyar.
Primeiro-ministro húngaro Péter Magyar Direitos de autor  AP Photo
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De Sandor Zsiros
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O primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, afirmou no Fórum Estratégico de Bled que a UE enfrenta uma crise de liderança e tem de tomar decisões cruciais sobre o seu futuro. Criticou ainda as multas diárias impostas por Bruxelas à Hungria no âmbito da migração, considerando-as injustas.

O primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, afirmou que a União Europeia enfrenta uma crise de liderança e precisa de tomar decisões cruciais sobre o seu futuro, não só para sobreviver, mas também para vencer.

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Magyar fez estas declarações no Fórum Estratégico de Bled, onde falou ao lado de Janez Janša, da Eslovénia, Andrej Plenković, da Croácia, e do primeiro-ministro checo, Andrej Babiš, sobre cooperação regional e competitividade.

"Para ser sincero, há uma falta de liderança política na União Europeia", afirmou Magyar, apontando para a burocracia da UE, que, segundo ele, dificulta a ação.

"Um membro do Conselho Europeu disse-me para não lidar de todo com a burocracia, para não lhes responder, porque eles vão acabar com as iniciativas. Vão devorá-las. E isso não é um bom sinal. Penso que devemos voltar a concentrar-nos na realidade."

Magyar afirmou que, enquanto a UE se concentra em questões institucionais, a China prepara-se para financiar centrais nucleares e fábricas de automóveis na Europa.

"Já existe também em Bruxelas a sensação de que devemos mudar e, na minha opinião, devemos decidir se a União Europeia pretende apenas sobreviver ou vencer", afirmou Magyar.

O primeiro-ministro, que pertence ao mesmo Partido Popular Europeu (centro-direita) que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, criticou também a multa diária imposta pela UE à Hungria por questões relacionadas com a migração.

Em 2024, Bruxelas aplicou à Hungria uma multa fixa de 200 milhões de euros, acrescida de uma sanção diária, depois de o governo de Viktor Orbán não ter cumprido um acórdão do Tribunal de Justiça Europeu de 2020 relativo à migração. O tribunal tinha concluído que a Hungria violou o direito da UE ao não garantir aos requerentes de asilo o direito a um tratamento justo.

"É bastante difícil explicar aos húngaros por que razão a Hungria é tratada de forma tão injusta em Bruxelas relativamente a estas questões", afirmou Magyar. "Temos uma decisão judicial; temos de pagar um milhão de euros por dia apenas por defender as fronteiras comuns europeias. Não é justo e ninguém está disposto a resolver esta questão."

Sob o governo de Orbán, a Hungria construiu uma vedação fronteiriça com a Sérvia para impedir a entrada de migrantes no país. Os pedidos de asilo tinham de ser apresentados no consulado da Hungria em Belgrado, e a grande maioria foi rejeitada. Como resultado, a Hungria foi alvo de multas da UE no valor de quase mil milhões de euros.

Durante a campanha eleitoral, Magyar prometeu um reinício completo das relações entre Budapeste e os seus aliados ocidentais na UE e na NATO.

Após formar um governo, chegou a um acordo com a Comissão Europeia para desbloquear 16,4 mil milhões de euros em fundos anteriormente congelados destinados à Hungria. O seu governo anunciou na segunda-feira que tinha cumprido todos os marcos relacionados com o Fundo de Recuperação de 10 mil milhões de euros, através da alteração de leis em matéria de anticorrupção e justiça.

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