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Sánchez liga crise de Ceuta a Rússia e Israel e confirma alerta do Centro Nacional de Inteligência

Arquivo - Primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chega à cimeira da UE no edifício do Conselho Europeu, em Bruxelas, quinta-feira, 19 de março de 2026.
ARQUIVO - O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, chega à cimeira da UE no edifício do Conselho Europeu, em Bruxelas, quinta-feira, 19 de março de 2026 Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Lucia Blasco
Publicado a Últimas notícias
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O presidente do governo espanhol apontou a Rússia, Israel e a extrema-direita internacional pela difusão de boatos e desinformação que, afirma, facilitaram a entrada em massa de migrantes em Ceuta.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, associou esta segunda‑feira a Rússia, Israel e a extrema-direita internacional à divulgação de boatos que, afirma, ajudaram a desencadear a entrada em massa de migrantes em Ceuta no final de julho.

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Numa entrevista ao programa ‘Hoy por Hoy’ da ‘Cadena SER’, a primeira em que aborda em profundidade a crise, um mês depois do sucedido, Sánchez assegurou que o Executivo continua a investigar o que esteve na origem de uma chegada de pessoas sem precedentes à cidade autónoma.

“Continuamos a investigá-lo. O governo de Espanha tem de atuar com base em dados, em factos comprovados”, afirmou o presidente. Entre os elementos que Sánchez considera relevantes para explicar o que aconteceu figura a divulgação de desinformação nos dias anteriores à entrada em massa e, em particular, mensagens ligadas a uma decisão judicial sobre as devoluções de migrantes que entram a nado em território espanhol.

“Deturpou-se uma sentença do Tribunal Supremo”, afirmou Sánchez, que assinalou que essa interpretação se propagou nas redes sociais e foi aproveitada por organizações criminosas. O presidente incluiu essa desinformação entre os fatores que poderão ter contribuído para alimentar as chegadas, embora tenha sublinhado que o Governo ainda não dispõe de uma explicação completa do que aconteceu e que a investigação permanece em aberto.

Sánchez aponta Rússia, Israel e a “internacional de extrema-direita”

Ao explorar a origem e a propagação da desinformação, Sánchez mencionou explicitamente a Rússia, Israel e o que designou como a “internacional de extrema-direita”. Segundo o presidente, os boatos espalharam-se através de redes sociais ligadas a estes atores, que acusou de utilizar a migração como instrumento para atacar Espanha e criar divisões dentro da Europa.

Sánchez ressalvou, no entanto, que essa atividade não implica necessariamente uma atuação direta dos respetivos governos e insistiu que ainda não existe um conhecimento completo sobre quem esteve por trás da difusão dessas mensagens.

O chefe do governo espanhol enquadrou o sucedido num contexto mais amplo em que, defende, atores estatais e não estatais recorrem à migração como “arma política” e usam a desinformação para desestabilizar os países europeus.

CNI partilhou informação antes da entrada em massa

Sánchez abordou também a polémica sobre o que sabia o Centro Nacional de Inteligência (CNI) antes da entrada em massa de migrantes nos dias 30 e 31 de julho. O presidente confirmou que o CNI partilhou relatórios de situação antes da crise, mas garantiu que nenhum deles permitiu antecipar a gravidade nem a dimensão do que acabaria por acontecer. “O CNI partilhou relatórios de situação, mas não houve nenhuma informação que refletisse a magnitude da crise que íamos sofrer”, explicou.

As declarações surgem após as diferentes versões apresentadas pela ministra da Defesa, Margarita Robles, e pelo ministro da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska. Robles afirmou no Congresso que o CNI tinha transmitido informação ao Governo sobre o aumento das entradas a nado e sobre uma convocatória difundida nas redes sociais para tentar chegar a Ceuta. Marlaska, por seu lado, tinha negado que existisse um relatório prévio que alertasse para uma entrada em massa com a dimensão que acabou por se verificar.

Sánchez rejeitou que exista qualquer contradição entre ambas as versões e distinguiu entre dispor de informação sobre movimentos prévios e ser capaz de antecipar uma avalanche dessas características.

O presidente assinalou ainda que, antes da crise, se realizaram reuniões entre as autoridades de Ceuta e a Administração central nas quais se registou um aumento das entradas irregulares a nado. Essa informação, defendeu, levou a reforçar a presença na fronteira, mas não permitiu prever a magnitude das chegadas.

Sánchez afasta implicação de Marrocos na entrada em massa

Sánchez afastou, pelo contrário, que a informação de que o Governo dispõe aponte para uma implicação das autoridades marroquinas na entrada em massa. “Nenhum centro de inteligência com que o Governo de Espanha colabora habitualmente levanta qualquer dúvida sobre a participação, de uma ou outra forma, das autoridades marroquinas”, afirmou.

O presidente destacou ainda que Marrocos ofereceu uma cooperação “instantânea, imediata” desde o início da crise e considerou “francamente positiva” a colaboração atual com Rabat. “Temos de estar conscientes de que esta crise só se vai conseguir resolver com cooperação e não com falta de confiança em Marrocos”, defendeu.

Sánchez apresentou assim a cooperação com o país vizinho como peça essencial na gestão da crise migratória e rejeitou as acusações sobre uma possível responsabilidade das autoridades marroquinas na sua origem.

Rei de Espanha visita Ceuta, anuncia Sánchez

O presidente do Governo anunciou também que Felipe VI visitará Ceuta, embora não tenha precisado quando se realizará a viagem. “Há argumentos suficientes para que o chefe de Estado visite finalmente Ceuta”, afirmou Sánchez, antes de assegurar que “essa visita será feita” quando existirem condições.

Sánchez defendeu ainda a atenção dada pelo seu Executivo às duas cidades autónomas e reivindicou as próprias deslocações a Ceuta e Melilla ao longo dos anos em que lidera o Governo.

Ceuta: cerca de 5.000 migrantes continuam na cidade

Um mês após a entrada em massa, cerca de 5.000 migrantes permanecem em Ceuta, dos quais cerca de 1.200 são menores, de acordo com os números avançados por Sánchez durante a entrevista.

O presidente garantiu que nove em cada dez pessoas que entraram durante a crise já regressaram a Marrocos e defendeu as medidas adotadas pelo Executivo para reforçar os recursos de acolhimento.

O Governo prevê aumentar para cerca de 6.000 as vagas disponíveis para apoiar as pessoas que permanecem na cidade autónoma. “Dentro de pouco tempo teremos capacidade suficiente para acolher os migrantes que ficaram em Ceuta”, assegurou Sánchez.

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