A polícia avançou para dispersar os manifestantes nas praias de Trampolín e Benítez, depois de bens pessoais e abrigos improvisados usados por migrantes terem sido incendiados durante os distúrbios. Imagens difundidas pela televisão pública espanhola mostraram manifestantes a lançar objetos para as fogueiras enquanto a polícia os fazia recuar, com os migrantes a refugiarem-se atrás de um cordão policial no cais.
Horas antes, dezenas de manifestantes tinham realizado um protesto sentado para impedir que viaturas da Cruz Vermelha chegassem à zona para distribuir alimentos e água. Quatro camiões de ajuda tiveram de parar depois de os manifestantes bloquearem a estrada durante mais de duas horas, entoando “Que se vão embora” e “Fora a Cruz Vermelha” e agitando bandeiras espanholas. A polícia acabou por abrir caminho e a distribuição diária foi retomada sob forte segurança. Um comboio de ambulâncias enviado para prestar assistência médica também foi brevemente bloqueado.
Os distúrbios seguiram-se a um incidente distinto que envolveu cerca de 70 migrantes e uma patrulha militar. Nas primeiras horas de quinta-feira, uma viatura com quatro militares terá sido “emboscada” perto da praia, quando pessoas dos dois lados da estrada começaram a atirar pedras e outros objetos. Um dos militares ficou ferido e os vidros do veículo foram partidos. Os soldados retiraram a pé e pediram reforços. Mais tarde, a polícia chegou ao local e deteve 12 cidadãos marroquinos, à medida que a multidão se dispersava.
A violência evidencia a pressão sobre Ceuta, território com apenas 18 quilómetros quadrados onde permanecem milhares de migrantes após um afluxo massivo vindo de Marrocos um mês antes. As estimativas do governo espanhol apontam para entre 3 500 e 7 000 pessoas, enquanto as autoridades locais afirmam que o número ultrapassa as 10 000. Em 27 de agosto, o Ministério do Interior anunciou planos para enviar mais pessoal para identificar migrantes, e o governo aprovou 25 milhões de euros para o acolhimento de menores não acompanhados. Madrid criou também um comando único para Ceuta, numa altura em que se adensam as críticas à forma como está a gerir a crise.