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Escócia suspende novas licenças para megacentros de dados de IA por preocupações ambientais

Ativistas e membros da comunidade de toda a Escócia protestam junto ao Parlamento escocês, em Edimburgo
Ativistas e membros da comunidade de toda a Escócia juntam-se em protesto junto ao Parlamento escocês, em Edimburgo, Escócia Direitos de autor  Danyel VanReenen/PA via AP
Direitos de autor Danyel VanReenen/PA via AP
De Roselyne Min
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A decisão surge numa altura de aumento de centros de dados propostos na Escócia, ligados ao boom global da IA. Mais de 20 grandes projetos, incluindo um em Fife, descrito como potencialmente o segundo maior do mundo

Nenhum novo centro de dados de inteligência artificial (IA) hiperescalável deverá ser aprovado na Escócia durante, pelo menos, um ano, depois de os deputados terem apoiado a suspensão das decisões de planeamento enquanto são elaboradas novas regras nacionais.

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Os centros de dados hiperescaláveis figuram entre as maiores infraestruturas do género, concebidas para disponibilizar enormes volumes de capacidade de computação e que, em geral, requerem dezenas de megawatts de eletricidade ou mais.

O Parlamento escocês indicou na quarta-feira que não devem ser tomadas decisões de planeamento nem de licenciamento sobre candidaturas para centros de dados hiperescaláveis até o governo publicar orientações nacionais, previstas no prazo de 12 meses, segundo a moção (fonte em inglês) aprovada pelos deputados.

A medida surge numa altura em que a Escócia regista um aumento de propostas de centros de dados ligados ao boom global da IA. Estão em cima da mesa mais de 20 grandes infraestruturas, incluindo um projeto em Fife, no leste da Escócia, descrito como potencialmente o segundo maior do mundo.

Os centros de dados fornecem a capacidade de computação necessária para treinar e operar sistemas de IA, mas podem também consumir enormes quantidades de eletricidade e água.

Esta situação tem alimentado preocupações crescentes quanto à capacidade da rede elétrica escocesa para responder ao aumento rápido da procura, bem como quanto ao impacto dos novos projetos nas emissões de carbono e nas comunidades vizinhas.

Em paralelo, o governo escocês introduziu avaliações de impacto ambiental obrigatórias (fonte em inglês) para todos os novos centros de dados com uma capacidade instalada superior a 50 MW.

Escócia reage ao boom da infraestrutura de IA

A decisão surge após uma pressão crescente de ativistas e comunidades locais, que pedem regras mais claras para o desenvolvimento de grandes centros de dados de IA.

Centenas de pessoas manifestaram-se em frente ao Parlamento escocês no início deste mês, exigindo uma pausa em novos projetos até que o governo estabeleça normas nacionais de ordenamento e defina o que deve contar como um centro de dados “verde”.

A votação foi “um marco importante” para as comunidades preocupadas com projetos propostos nas suas zonas, afirmou Kat Jones, diretora do grupo ambiental Action to Protect Rural Scotland, ao jornal britânico Guardian.

“Há ainda muito trabalho pela frente, mas este é um enorme passo em frente”, acrescentou.

A suspensão não representa uma proibição permanente de novos centros de dados. O governo escocês foi encarregado de apresentar um relatório sobre a elaboração das orientações nacionais de ordenamento até ao final de 2026 e de publicar o conjunto completo de orientações no prazo de 12 meses.

Segundo o Guardian, Daniel Johnson, porta-voz para a economia do Partido Trabalhista Escocês, afirmou que o potencial económico do boom da IA tem de ser ponderado em paralelo com o seu impacto no ambiente, nas comunidades e na procura de energia.

Debate reflete um desafio mais vasto com que os governos se deparam à medida que as empresas tecnológicas investem fortemente na infraestrutura física necessária para a IA.

Diversos países procuram atrair novos centros de dados e investimento em IA, ao mesmo tempo que tentam gerir as preocupações com a procura de eletricidade, o consumo de água e o cumprimento das metas climáticas.

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