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Menos poluição, maior autonomia: novo tipo de pneus reduz impacto oculto dos veículos elétricos

Gunnlaugur Erlendsson, fundador e CEO da ENSO
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De Denis Loktev
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Os carros elétricos são mais limpos de conduzir, mas os pneus representam um problema de poluição. Materiais melhores podem ajudar a resolvê-lo.

Os carros elétricos são amplamente vistos como a opção mais limpa na estrada. Mas, segundo Gunnlaugur Erlendsson, fundador e diretor executivo da empresa tecnológica ENSO, há um custo ambiental significativo escondido à vista de todos: os pneus.

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“Os pneus são um desses produtos realmente complexos em que quase não reparamos, apesar de estarem literalmente por todo o lado”, explica Erlendsson à Euronews Earth. “Toda a economia mundial assenta em pneus.”

Essa omnipresença tem um preço. A extração de matérias-primas, a produção intensiva em energia e o desgaste gerado sempre que um veículo trava, arranca ou vira acumulam-se.

“Os pneus são uma grande fonte de poluição do ar, que é também uma forma de microplástico. É uma das maiores fontes de poluição atmosférica nas cidades. E é igualmente uma das maiores fontes de poluição por microplásticos nos nossos oceanos”, afirma Erlendsson.

A eliminação acrescenta outra camada ao problema. “Queimamos quase dois mil milhões de pneus todos os anos, porque muito poucos são efetivamente reciclados para voltarem a ser pneus”, explica.

A ENSO foi criada para enfrentar estes impactos, acompanhando ao mesmo tempo a transição para os veículos elétricos. “A nossa missão passa por melhorar os veículos elétricos, enquanto tratamos dos problemas causados pelos pneus”, diz Erlendsson.

Veículos elétricos gastam pneus mais depressa, segundo a ENSO
Veículos elétricos gastam pneus mais depressa, segundo a ENSO Getty Images

Porque os veículos elétricos desgastam pneus mais depressa

Os veículos elétricos podem ser mais limpos em utilização, mas, segundo Erlendsson, exigem mais dos pneus. “Os veículos elétricos são bastante particulares porque são muito pesados. Têm um binário muito elevado. Por isso, tendem a desgastar os pneus mais depressa do que os carros tradicionais alguma vez fizeram”, afirma.

O estilo de condução agrava o problema. “Conduzi-los é muito divertido. As pessoas conduzem-nos de forma mais agressiva, o que volta a gastar os pneus mais depressa”, nota Erlendsson, acrescentando que os veículos elétricos são muitas vezes usados nas cidades, onde as travagens, arranques e manobras constantes geram mais poluição proveniente dos pneus.

Há ainda um fator menos evidente: a eficiência. Erlendsson explica que os veículos elétricos convertem cerca de 90 por cento da energia em movimento, contra aproximadamente 30 por cento nos carros a gasolina.

“Esse ganho de eficiência nos veículos elétricos é positivo, mas torna-os extremamente sensíveis aos pneus”, sublinha. “Se não montar um bom pneu num carro elétrico, perde muita autonomia e acaba por comprar muito mais eletricidade.”

Para responder a este desafio, a ENSO alterou as matérias-primas, a formulação e a construção dos seus pneus, tirando também partido dos dados recolhidos em frotas de veículos. “Quando trabalhamos com frotas, isso significa que obtemos dados. Pegamos nesses dados, nesses conhecimentos, nesse saber-fazer, e voltamos a integrá-los no produto”, explica Erlendsson.

Concebidas para suportar o elevado binário e o peso das baterias dos veículos elétricos, as misturas avançadas de polímeros e a química do piso desenvolvidas pela ENSO reduzem a poluição por partículas de pneu até 35 por cento em comparação com pneus convencionais. Melhoram também a eficiência energética global e a autonomia dos veículos até 10 por cento, segundo a empresa.

ENSO foi finalista na edição de 2023 do Earthshot Prize, um prémio ambiental global criado pelo príncipe William
ENSO foi finalista na edição de 2023 do Earthshot Prize, um prémio ambiental global criado pelo príncipe William ENSO

Crescer com grandes parceiros

A ENSO tem baseado o seu crescimento em parcerias com grandes frotas de táxis e de distribuição, em vez de se focar em consumidores individuais. A empresa já trabalha com a Uber, fornecendo pneus a condutores de veículos elétricos em todo o Reino Unido, com planos para se expandir para além deste mercado.

“Em última análise, trata-se de permitir que estas utilizações de alta mobilidade, que percorrem muitos quilómetros, tenham acesso a melhores produtos”, afirma Erlendsson, salientando que os veículos de alta quilometragem são os que registam maiores poupanças em energia, custos e poluição.

O reconhecimento do Earthshot Prize, onde a ENSO foi finalista em 2023, ajudou a dar visibilidade a uma questão que, na opinião de Erlendsson, a indústria evitou durante muito tempo.

“A poluição provocada pelos pneus tem sido um tema dentro do setor que, diria, a indústria dominante nunca abordou realmente. Não querem falar disso”, afirma. Ele atribui ao envolvimento do príncipe William o mérito de ter trazido mais atenção ao problema, considerando-o “realmente decisivo em termos de destacar… como podemos usar a tecnologia para melhorar o ar que respiramos e reduzir os microplásticos nos nossos oceanos.”

Olhando para o futuro, a ENSO planeia continuar a expandir as parcerias com frotas e a alargar a gama de dimensões de pneus, para acompanhar os novos modelos de veículos elétricos que chegam ao mercado, tendo os Estados Unidos identificados como o próximo grande mercado de crescimento.

“Queremos que o resto da indústria nos siga”, afirma Erlendsson. “Queremos apenas ser o catalisador que faz acontecer a mudança.”

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