Quase dois meses após a chegada em massa de migrantes, mais de um milhar de pessoas manifestou-se em Ceuta para exigir soluções, enquanto continua a pressão sobre os recursos de acolhimento no território.
Já passaram quase dois meses desde a chegada maciça de mais de 72 000 imigrantes a Ceuta, no final de julho, mas a pressão sobre a cidade autónoma mantém-se.
Este domingo, mais de um milhar de pessoas saíram à rua para exigir soluções, enquanto milhares de migrantes continuam em acampamentos improvisados e os recursos criados para a sua receção permanecem sob forte pressão.
A manifestação, convocada pela Federação de Associações de Moradores, percorreu cerca de dois quilómetros do litoral de Ceuta até às imediações da fronteira do Tarajal. A marcha juntou mais de um milhar de pessoas e terminou com uma concentração de alguns minutos junto à fronteira, sob vigilância policial.
Os participantes levaram bandeiras de Espanha, de Ceuta e da União Europeia e dirigiram críticas à gestão do Governo central e de Marrocos. Na frente do cortejo podia ver-se uma faixa com a mensagem “SOS Ceuta invadida”, enquanto entre os manifestantes se repetia o mote “Um caballa nunca desiste”.
Ceuta vive fim de semana de protestos
O protesto de domingo não foi a única mobilização.
No sábado, o Foro Ciudadano de Ayuda a Ceuta convocou outra manifestação em frente à Delegação do Governo, na praça de Los Reyes. No mesmo local mantém-se uma acampada de moradores para chamar a atenção para a situação que se vive em zonas como a praia do Trampolín.
O protesto de domingo foi ainda acompanhado por um desfile de motas que partiu do passeio Alcalde Sánchez Prados e terminou também nas imediações do Tarajal. A concentração de motociclistas incluiu uma homenagem à Legião coincidindo com o seu 106.º aniversário.
As mobilizações refletem o mal-estar de uma parte da população, numa altura em que Ceuta continua a gerir as consequências das chegadas de fim de julho e a pressão sobre os recursos de acolhimento.