O partido Alternativa para a Alemanha deverá obter a maioria dos votos no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, enquanto o Die Linke subiu para o primeiro lugar em Berlim, de acordo com as primeiras projeções. CDU de Merz perde nas duas frentes e chanceler alemão fala em "desastre".
As urnas nos dois estados alemães a votos este domingo fecharam pelas 18h00, altura em que saíram as primeiras projeções.
No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, os primeiros resultados apontam para um vitória do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, numa luta renhida com o SPD do chanceler alemão Friedrich Merz. É esperado que a AfD obtenha 37%, ultrapassando o Partido Social-Democrata (SPD).
Neste estado, a CDU de Friedich Merz deverá cair para 5,5%, ficando apenas acima do limiar necessário para entrar no parlamento estadual.
Já em Berlim, o Die Linke da esquerda radical subiu para o primeiro lugar, segundo as primeiras projeções. Os resultados apontam para um resultado com larga folga com 24,5%, um ganho de 12,3 pontos percentuais em comparação com as últimas eleições.
Em segundo encontra-se a CDU de Friedrich Merz, com cerca de 20,0%.
Resultados são um "desastre", diz Merz
As eleições regionais eram vistas como um importante teste para Friedrich Merz. Na primeira reação, o chanceler alemão considerou os resultados "um desastre".
"O resultado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental não pode ser ignorado, é um desastre", afirmou.
Apesar dos resultados negativos, o líder alemão recusou um cenário de demissão, afirmando que o futuro do país passa por reformas, por mais difícieis que possam ser.
"A resposta tem de ser preparar o nosso país para o futuro", afirmou. "Estas reformas são um antídoto contra o veneno autoritário", reforçou o chanceler alemão, numa aparente referência ao partido de extrema-direita AfD.
Os ganhos para a extrema-direita ou para a extrema-esquerda aumentam a pressão sobre Merz, que se tornou chanceler em maio de 2025 e tem visto a sua popularidade continuar a cair.
A derrota esmagadora da CDU perante a AfD nas eleições de 6 de setembro, no pequeno estado de Saxónia-Anhalt, no leste do país, já tinha minado a imagem do líder alemão.
O resultado chocou muitos alemães que acreditavam que o país tinha desenvolvido uma imunidade ao nacionalismo e às afirmações de superioridade racial, após ter enfrentado os horrores do seu passado nazi através da educação e de leis que proíbem a perseguição.
Nas últimas duas semanas, surgiram apelos, até mesmo dentro do seu próprio partido, para que Merz fosse substituído no cargo de chanceler, embora nenhum dos seus principais aliados tenha exigido publicamente a sua saída e muitos tenham alertado contra "debates sobre questões de pessoal".