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Brasil e EUA retomam negociações sobre direitos aduaneiros impostos por Donald Trump

ARQUIVO (26.10.2025). O presidente Donald Trump reúne-se com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, à margem da Cimeira da ASEAN, em Kuala Lumpur
ARQUIVO (26.10.2025). O presidente Donald Trump reúne-se com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, à margem da Cimeira da ASEAN, em Kuala Lumpur Direitos de autor  AP Photo/Mark Schiefelbein
Direitos de autor AP Photo/Mark Schiefelbein
De Manuel Ribeiro
Publicado a Últimas notícias
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O Brasil retomou as negociações com os Estados Unidos sobre as altas tarifas comerciais que considerou “injustas” e “discriminatórias” impostas por Washington, anunciou o governo de Brasília na segunda-feira.

Os ministros brasileiros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Comércio e Desenvolvimento, disseram ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, que consideram as taxas aduaneiras impostas pela Administração Trump “discriminatórias” e “injustas”. A reunião ocorreu online na segunda-feira (31.08) e sucede à conversa telefónica entre Lula da Silva e Donald Trump realizada no dia 21 de agosto.

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Washington impôs, em julho, nova leva de tarifas ao Brasil, alegando práticas comerciais desleais e o uso de trabalho forçado neste país da América Latina, cobrando 25 por cento em alguns produtos e 12,5 por cento em outros.

ARQUIVO (16.07.2026) O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, fala à imprensa sobre as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil no Palácio do Itamaraty
ARQUIVO (16.07.2026) O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, fala à imprensa sobre as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil no Palácio do Itamaraty AP Photo/Eraldo Peres

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que está em plena campanha eleitoral para um quarto mandato presidencial, refutou os fundamentos apresentados pelos EUA, classificando-os como "baseados numa mentira".

Lula acusou os Estados Unidos de usarem as tarifas para prejudicar a sua candidatura face ao candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, que tem recebido apoio da Administração Trump.

O presidente brasileiro de esquerda alega que as tarifas são uma tentativa de influenciar os eleitores a votar no seu oponente, aliado de Washington. Donald Trump tem sido um forte aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Na conversa entre ministros desta segunda-feira, Mauro Vieira e Mário Elias Rosa tentaram ampliar a lista de bens isentos das sobretaxas americanas. Os governantes brasileiros informaram Jamieson Greer que Brasília “não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país” e sublinharam que as justificações apresentadas pelo governo norte-americano “não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto e discriminatório o adotado contra o Brasil”, pode ler-se num comunicado conjunto divulgado pelo Itamaraty.

Brasília está, contudo, pronta para continuar as negociações. Ambas as partes concordaram em manter reuniões ministeriais quer presenciais, quer à distância. “O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional”, conclui a nota.

Esta é a segunda vez em dois anos que os Estados Unidos impõem tarifas elevadas ao Brasil. No ano passado, foram impostas 50 tarifas em retaliação ao julgamento que levou Bolsonaro à prisão por tentativa de golpe.

Essas tarifas foram, em grande parte, revertidas posteriormente.

Outras fontes • AFP

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