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Presidente do Brasil acusa Trump de “pirataria” ao introduzir taxa de 20% no Estreito de Ormuz

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante uma reunião do Conselho de Ministros no Palácio do Planalto, em Brasília,
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante uma reunião do Conselho de Ministros no Palácio do Planalto, em Brasília, Direitos de autor  AP Photo/Eraldo Peres
Direitos de autor AP Photo/Eraldo Peres
De Manuel Ribeiro
Publicado a Últimas notícias
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Lula da Silva diz que o plano de Donald Trump de impor uma taxa de 20% aos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, por uma guerra que os EUA começaram, é um ato de “pirataria”.

O Presidente dos EUA prometeu bloquear os portos iranianos no Estreito de Ormuz, com efeitos a partir desta terça-feira (14.07), e, consequentemente, aplicar uma portagem de 20% a toda a carga transportada através do canal, com a justificação de financiar a segurança providenciada pelos EUA e manter essa via navegável.

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A medida anunciada por Donald Trump na sua rede social causou reações por parte do presidente do Brasil.

“Hoje tem um tweet do Presidente Trump em que ele diz que vai desobstruir o Estreito de Ormuz. Mas cada navio que ele tirar do Estreito, o dono tem de lhe pagar 20%. Isso antigamente chamava-se pirataria”, disse o presidente brasileiro num evento público em São Paulo.

“Um estado importante como os Estados Unidos, que eu acho que, durante muito tempo, combateu a pirataria, não pode agora tornar-se pirata. Ou seja, ele não tem de cobrar, porque o [fecho] do Estreito de Ormuz é da responsabilidade deles [EUA]. Ele não estava fechado”, acrescentou o presidente Lula da Silva.

Em junho, os EUA e o Irão iniciaram conversações que levaram a um acordo provisório de cessar-fogo, aliviando a tensão na região e permitindo a reabertura do tráfego marítimo de cargueiros e petroleiros pelo Estreito.

Mas, na semana passada, os EUA voltaram a bombardear posições estratégicas do Irão e, na segunda-feira (13.07), Donald Trump garantiu que vai tomar o controlo total do Estreito de Ormuz.

“O Estreito de Ormuz está ABERTO e permanecerá ABERTO, com ou sem o Irão. Estamos a restabelecer o BLOQUEIO IRANIANO, assim denominado porque impede apenas os navios ou clientes do Irão de entrar ou sair. Todos os outros países terão acesso justo e livre ao Estreito. Os EUA serão, a partir de agora, conhecidos como «O GUARDIÃO DO ESTREITO DE HORMUZ», mas, nessa qualidade e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados, à taxa de 20 % sobre toda a carga transportada, por todos e quaisquer custos necessários para desempenhar a função de garantir a segurança nesta região tão instável do mundo. O processo e a sua implementação terão início imediatamente. Agradecemos a vossa atenção a este assunto!”, escreveu o Presidente dos EUA na rede TruthSocial.

O "bloqueio iraniano" deverá entrar em vigor a partir das 21 horas (hora de Lisboa) de terça-feira. As forças navais dos EUA, sob a coordenação do CENTCOM, irão fazer "cumprir o bloqueio contra embarcações que transitem de ou para portos e zonas costeiras iranianas".

"Recomenda-se a todos que acompanhem as transmissões dos Avisos aos Navegantes e contactem as forças navais dos EUA através do canal 16 de comunicação entre pontes de comando quando estiverem a operar nas aproximações ao Golfo de Omã e ao Estreito de Ormuz", avisa o CENTCOM através da rede X.

O presidente brasileiro alerta que o conflito está a criar uma crise económica sem precedentes e a elevar os preços da alimentação no Brasil, incluindo “feijão, arroz e combustível”.

O governo de Lula da Silva, que, aos 80 anos, está na corrida para um quarto mandato presidencial, anunciou uma série de medidas para estancar o aumento dos preços dos combustíveis.

Lula afirmou que as receitas provenientes de um imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto, introduzido em março, estavam a ser utilizadas para mitigar o impacto dos aumentos de preços.

Outras fontes • AFP

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