Centenas de moradores do exclave espanhol exigiram maior controlo da fronteira, enquanto a presença de figuras da extrema-direita gerou tensão e levou a um forte dispositivo policial.
A crise migratória em Ceuta resultou este fim de semana numa manifestação na Praça dos Reis, no exclave espanhol no norte de África, onde centenas de moradores reivindicaram um maior controlo da fronteira após a chegada em massa de migrantes oriundos de Marrocos. A concentração teve lugar num clima de crescente tensão política e social, depois de vários dias de pressão migratória sem precedentes sobre a cidade autónoma.
O protesto, convocado através das redes sociais, ficou marcado por palavras de ordem em defesa da cidade e por críticas ao governo de Madrid pela gestão da situação. A mobilização degenerou em momentos de tensão com a chegada do ativista de extrema-direita Vito Quiles, do líder do partido "Se Acabó La Fiesta" (SALF) Alvise Pérez e de membros de grupos de extrema-direita como o Núcleo Nacional.
A sua presença foi recebida com críticas por parte de alguns participantes no protesto, e também dos participantes numa contramanifestação convocada em paralelo, que os acusaram de tentar aproveitar a crise migratória para obter proveito político e de contribuir para aumentar a confrontação.
Em simultâneo, cidadãos de Ceuta, entre eles muitos moradores de origem marroquina, organizaram uma contramanifestação na mesma praça para defender a convivência na cidade e recusar mensagens de caráter xenófobo. Durante vários minutos, os dois grupos trocaram cânticos e reproches, embora sem que se registassem incidentes graves.
Aumenta tensão com forte dispositivo policial
Perante os momentos de tensão, a Polícia Nacional montou um amplo dispositivo de segurança. Alvise Pérez e vários membros do Núcleo Nacional foram escoltados até ao porto, enquanto Vito Quiles abandonou a concentração sob vaias de parte dos presentes.
A praça manteve-se isolada enquanto os agentes mantinham os dois grupos de manifestantes separados. Apesar dos momentos de crispação, o protesto e a contramanifestação foram-se dissolvendo de forma gradual, sem que fosse necessária uma intervenção policial de maior envergadura.