Flávio Bolsonaro contou com o apoio do presidente argentino Javier Milei e uma mensagem de solidariedade do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, enquanto tenta obter mais avales de aliados do presidente norte-americano Donald Trump.
O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, filho do antigo presidente Jair Bolsonaro, foi confirmado no sábado como candidato presidencial pelo Partido Liberal do pai, lançando um desafio ao presidente em funções, Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições de outubro.
“Aqui corre sangue Bolsonaro”, afirmou na convenção do partido em São Paulo, ao prestar homenagem ao pai, que cumpre 27 anos de prisão por planear um golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 e que terá nomeado o filho mais velho como o seu herdeiro político.
Muitos políticos no Brasil viam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-membro do gabinete de Jair Bolsonaro, como o sucessor natural. No entanto, Freitas encontrou resistência do círculo íntimo de Bolsonaro, que também considerou Flávio Bolsonaro presidenciável.
O filho mais velho de Jair Bolsonaro vai enfrentar o atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, que se candidata a um quarto mandato não consecutivo e ganhou impulso nas últimas semanas, enquanto Flávio, mais jovem, enfrenta uma série de crises.
O candidato liberal de 45 anos foi eleito senador em 2018 para um mandato de oito anos. Antes disso, tinha sido deputado estadual no Rio de Janeiro. Já havia sido acusado pelo Ministério Público por desvio de dinheiro público, acusação que negou repetidamente, e o tribunal acabou por arquivar o caso.
Flávio Bolsonaro enfrenta uma campanha difícil, sem candidato a vice-presidente ainda definido — tentou convencer a ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a aceitar o cargo, mas sem sucesso — e com apoio limitado dos partidos centristas que ajudaram o pai a vencer em 2018. O candidato da ultradireita ainda não revelou muito sobre os seus planos para a presidência, caso vença as eleições.
A campanha já sofreu vários reveses, incluindo críticas pelo pedido de milhões de dólares ao banqueiro detido Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai, e uma forte reação negativa depois de ter procurado apoio dos Estados Unidos numa altura em que Washington impôs tarifas mais elevadas às exportações brasileiras.
Várias figuras-chave estiveram ausentes da convenção, incluindo a madrasta, Michelle Bolsonaro, uma voz influente entre os eleitores evangélicos.
Mas o filho mais velho de Bolsonaro contou com outros apoios, como o do presidente argentino, Javier Milei, e uma mensagem do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Flávio Bolsonaro procura novos apoios entre aliados do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump.
No seu discurso populista, o candidato da direita liberal disse que o Brasil — o maior país da América Latina em população, área e economia — "poderia dar passos gigantescos no sentido de uma ditadura" se Lula fosse reeleito.
Essa retórica exagerada e alarmista foi repetida pelo presidente populista liberal da Argentina, Javier Milei, que participou pessoalmente da convenção para apoiar o filho do seu amigo, Jair Bolsonaro, que, na semana passada, viu recusado um pedido de visita do presidente argentino pelo Tribunal Federal do Brasil.
"Acredito firmemente que não há mais ninguém capaz de pôr fim ao risco de Lula que paira sobre o Brasil", afirmou Milei num discurso tipicamente inflamado.
O pai, Jair Bolsonaro, apareceu no evento por meio de um vídeo gerado por inteligência artificial, uma vez que permanece em prisão domiciliar e está impedido de fazer declarações públicas.
Flávio Bolsonaro acusou Lula e o Supremo Tribunal Federal do Brasil de perseguirem a sua família, apresentando as eleições como uma disputa pelo futuro do país.
O Partido dos Trabalhadores deverá confirmar formalmente, a 2 de agosto, a recandidatura do atual presidente de 80 anos.