O presidente argentino vai ao Brasil para participar na convenção do Partido Liberal e pretendia visitar o ex-presidente brasileiro que está em prisão domiciliária, mas o Tribunal Federal não autorizou.
Um juiz do Supremo Tribunal Federal rejeitou, na sexta-feira, um pedido dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro para que este recebesse a visita do presidente argentino Javier Milei. A visita estava prevista para o dia 25 de julho.
Bolsonaro já tinha sido impedido de receber qualquer visita de “natureza político-partidária” e de publicar conteúdos políticos nas redes sociais. Em março, o ex-presidente populista viu negado um pedido do subsecretário de diplomacia pública e assuntos públicos do Departamento de Estado dos EUA, Darren Beattie, para visitá-lo.
Recorde-se de que Jair Bolsonaro, de 71 anos, cumpre uma pena de 27 anos por ter planeado um golpe de Estado para anular os resultados das eleições de 2022, nas quais foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Está inelegível para cargos públicos, embora tenha interposto recurso.
Na sexta-feira, o juiz Alexandre de Moraes justificou a decisão de não autorizar a visita de Javier Milei devido a uma punição de 30 dias imposta ao ex-presidente por ter publicado uma carta dirigida ao seu filho.
No sábado, o juiz desvalorizou o pedido do Presidente da Argentina, afirmando que ele se tornava irrelevante em razão da proibição e acrescentou que médicos, fisioterapeutas e advogados de Bolsonaro estão isentos dessa proibição.
Recorde-se de que Flávio Bolsonaro prepara a sua candidatura à presidência do Brasil para as eleições de outubro. Motivo pelo qual Javier Milei vai ao Brasil na próxima semana.
Espera-se que o Presidente da Argentina participe na convenção do Partido Liberal, em São Paulo, que deverá formalizar o apoio ao senador Flávio Bolsonaro como candidato presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva.
O juiz da suprema corte brasileira acrescentou ainda que Bolsonaro não pode divulgar qualquer mensagem política até depois das eleições de outubro.
Flávio Bolsonaro está proibido de visitar o pai até depois do primeiro turno das eleições. O candidato presidencial não se cansa de criticar Alexandre de Moraes pelas suas decisões, classificando-as como politicamente motivadas.
O pedido da visita do presidente argentino incluía também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Pablo Quirno, a irmã de Milei, Karina, que integra o seu governo, e um tradutor.
Desde 2023 que Milei e Bolsonaro se têm apresentado como aliados ideológicos da nova direita política da América Latina. Aliança que tem causado mal-estar no Palácio do Planalto. Na semana passada, o secretário da Presidência brasileira, Guilherme Boulos, criticou a visita de Milei e o seu apoio ao filho de Bolsonaro.
As relações entre Lula e Milei também não têm sido amigáveis. Num encontro em Buenos Aires, realizado no âmbito do Mercosul, no início de julho, o presidente brasileiro defendeu o mercado universal entre a América Latina e a Europa, dizendo que “protege os seus integrantes”, enquanto Javier Milei criticou o bloco, comparando-o a uma “cortina de ferro” contra acordos que venham de fora.