Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Congresso do Brasil aprova projeto de lei para reduzir a pena de 27 anos de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro

O ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, centro, temporariamente autorizado a sair da prisão domiciliar para exames médicos, sai de um hospital em Brasília, Brasil, sábado, 16 de agosto de 2025
O ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, centro, temporariamente autorizado a sair da prisão domiciliar para exames médicos, sai de um hospital em Brasília, Brasil, sábado, 16 de agosto de 2025 Direitos de autor  AP Photo/Eraldo Peres
Direitos de autor AP Photo/Eraldo Peres
De Malek Fouda
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Os deputados desafiaram o veto do presidente Lula da Silva e aprovaram um projeto de lei que poderá reduzir drasticamente a pena de 27 anos de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por ter planeado um golpe de Estado após a sua derrota nas eleições presidenciais de outubro de 2022.

O Congresso do Brasil votou na quinta-feira para anular um veto presidencial e adotar um projeto de lei que reduz penas de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 e que pode beneficiar 280 pessoas, incluindo Jair Bolsonaro. O ex-presidente brasileiro foi condenado a 27 anos de prisão por ter planeado um golpe de Estado. A medida representa um golpe dramático para o seu rival político e atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A legislação, que será contestada em tribunal, indica um enfraquecimento da posição de Lula no Congresso antes da sua candidatura à reeleição nas eleições presidenciais de outubro.

Não se sabe ao certo quanto tempo Bolsonaro vai cumprir pela sua condenação por liderar uma tentativa de golpe de Estado, mas analistas dizem que a medida pode reduzir a sua pena em cerca de 20 anos. O antigo presidente de direita, que começou a cumprir a pena em novembro, encontra-se atualmente em prisão domiciliária.

A oposição conservadora conseguiu atrair senadores centristas e deputados federais para anular confortavelmente o veto do presidente esquerdista ao projeto de lei de condenação do ano passado. Os apoiantes de Bolsonaro manifestaram confiança no resultado mesmo antes do início da votação.

ARQUIVO - O pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Alexandre Ramagem, faz campanha enquanto o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro está ao lado no Rio de Janeiro, 18 de julho de 2024
ARQUIVO - O pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Alexandre Ramagem, faz campanha enquanto o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro está ao lado no Rio de Janeiro, 18 de julho de 2024 Bruna Prado/Copyright 2024 The AP. All rights reserved

"Este é um primeiro passo muito aguardado pelos aflitos. A próxima etapa é a amnistia total", disse o senador Espiridião Amin, aliado de Bolsonaro.

O projeto de lei aprovado no ano passado reduz a pena de prisão para diversos crimes, entre eles o de atentado ao estado democrático de direito e o de golpe de Estado, quando a pessoa for condenada em ambos.

A nova legislação estabelece que a pena deve ser baseada apenas na condenação mais alta.

Antes da votação, o presidente do Senado do Brasil, Davi Alcolumbre, disse que apenas casos semelhantes aos que levaram à condenação de Bolsonaro, seus aliados e apoiadores no julgamento da tentativa de golpe seriam elegíveis para as penas mais brandas, embora especialistas jurídicos digam que essa afirmação será questionada em tribunal.

Pedro Uczai, o líder do Partido dos Trabalhadores na câmara baixa do Brasil, disse que vai recorrer ao Supremo Tribunal para anular a legislação, argumentando que é inconstitucional. O tribunal ainda não recebeu o recurso.

ARQUIVO - O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, faz seu discurso durante a cúpula da Mobilização Progressista Global em Barcelona, Espanha, 18 de abril de 2026
ARQUIVO - O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante a cimeira da Mobilização Progressista Global em Barcelona, Espanha, 18 de abril de 2026 Joan Monfort/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.

Aliados de Bolsonaro no Congresso brasileiro disseram que a medida beneficia não apenas Bolsonaro, mas também seus apoiadores que foram condenados por destruir prédios do governo na capital Brasília em 8 de janeiro de 2023, em um motim que espelhou o ataque ao Capitólio dos EUA dois anos antes.

A votação dá a Lula mais uma derrota significativa no Congresso, poucos meses antes de o presidente em exercício lançar a sua candidatura a um quarto mandato não consecutivo.

Na quarta-feira à noite, o Senado rejeitou o seu candidato a um lugar no Supremo Tribunal, uma medida sem precedentes em 132 anos.

"Eles querem libertar Bolsonaro, os generais presos e parar as investigações da polícia federal que os implicam", disse Lindberg Farias, um legislador e aliado de Lula. "Este é um dia de infâmia".

O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, fala durante uma conferência de imprensa sobre o julgamento do seu pai em Brasília, Brasil, terça-feira, 9 de setembro de 2025
O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, fala durante uma conferência de imprensa sobre o julgamento de seu pai em Brasília, Brasil, terça-feira, 9 de setembro de 2025 Eraldo Peres/Copyright 2025 The AP. All rights reserved

Vários deputados que votaram na quinta-feira falaram na tribuna sobre as próximas eleições de outubro, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, que concorre para rivalizar com Lula para a presidência, e um dos filhos do ex-presidente preso.

"Se for da vontade de Deus, eu vou governar esse país", disse Flávio Bolsonaro durante a votação. "Vou abraçar-vos e cuidar de vocês, independentemente da vossa visão política".

Lula venceu Bolsonaro com margens muito apertadas na eleição de outubro de 2022, conquistando 50,9% dos votos, contra 49,1% de Bolsonaro. Os analistas dizem que muita coisa pode mudar nos próximos meses e que a corrida continua muito aberta.

Outras fontes • AP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Mãe e filho brasileiros mortos após ataque israelita no sul do Líbano

Espanha-Brasil: Lula diz a Sánchez que entende o 'não à guerra'

Ex-chefe das secretas brasileiras, aliado de Bolsonaro, detido nos Estados Unidos