Pedro Sánchez e Luiz Inácio Lula da Silva realizam em Barcelona a primeira cimeira bilateral entre Espanha e Brasil, com novos acordos e um apelo ao multilateralismo.
Pedro Sánchez, presidente do Governo espanhol, e Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, realizaram esta sexta-feira, em Barcelona, a primeira cimeira bilateral entre Espanha e Brasil , um encontro no Palácio de Pedralbes que reuniu delegações de ambos os executivos.
A reunião contou com a participação de cerca de uma dezena de ministros de cada lado e incluiu o encontro entre os líderes e a assinatura de mais de uma dezena de acordos.
Entre os acordos assinados por ministros de ambos os governos figuram um Memorando de Entendimento sobre economia social e solidária, bem como documentos em matéria de cooperação consular, ciência, tecnologia e inovação, igualdade de género e erradicação da violência contra as mulheres, minerais críticos e cooperação cultural.
Durante a conferência de imprensa, Sánchez afirmou: "Perante a confrontação e as guerras, estamos a transmitir uma mensagem de cooperação, de abertura, de confiança mútua e de prosperidade partilhada". O presidente do Governo acrescentou que ambos os países partilham uma mesma visão do mundo "na defesa da democracia, no respeito pelo direito internacional e pelos direitos humanos e na paz".
A paz e os valores estão a ser "atacados pela vaga reacionária" e pelos autoritarismos. "Num mundo que duvida, se fragmenta e parece recuar, afirmámos que as nossas sociedades devem avançar em conjunto", declarou Sánchez.
Brasil: Lula a Sánchez: "Percebo-te quando dizes 'Não à guerra'"
Ambos os dirigentes destacaram a aposta comum no multilateralismo.
Sánchez defendeu o papel de Espanha e Brasil como parceiros que apostam no diálogo num contexto global marcado por conflitos e tensões. O chefe do executivo espanhol insistiu na necessidade de reforçar as alianças entre regiões como Europa e América Latina para enfrentar desafios comuns.
Lula da Silva reiterou durante o encontro a mensagem do "não à guerra" defendida por Sánchez.
Lula concordou com a necessidade de reforçar a paz e o diálogo internacional num contexto global marcado por conflitos e por uma crescente tensão geopolítica: "Meu querido amigo Pedro Sánchez, percebo-te quando dizes 'Não à guerra'", disse o chefe de Estado brasileiro.
Lula recordou "o horror sofrido por Espanha" durante a Guerra Civil e assinalou que "várias regiões do mundo estão novamente em conflito" e que "assistimos, atónitos, a uma nova corrida ao armamento, morrem mulheres e crianças, a IA substitui a ética; por isso compreendo perfeitamente quando dizes não à guerra".
A origem desta cimeira remonta a uma conversa telefónica entre Sánchez e Lula da Silva, mantida há mais de um mês, na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, na qual ambos os dirigentes acordaram reforçar o diálogo e a coordenação entre os seus governos.
Lula segue para a Alemanha e Portugal
Depois da cimeira em Barcelona, onde ainda tem agenda no sábado, Lula da Silva estará em Hannover domingo e segunda-feira, tendo encontro marcado com o chanceler alemão Friedrich Merz.
O chefe de Estado brasileiro vai participar na 42.ª edição do Encontro Económico Brasil–Alemanha, evento com empresários dos dois países para debater assuntos que vão da inovação e geopolítica, à indústria de defesa e inteligência artificial. Está prevista a assinatura de vários acordos entre os dois países nestes domínios.
Na Alemanha, Lula marcará ainda presença na Feira Industrial de Hannover, a maior do setor no mundo, que este ano tem o Brasil como parceiro oficial.
Na terça-feira, Lula chega a Portugal para reuniões com o primeiro-ministro Luís Montenegro, em São Bento, e com o presidente da República António José Seguro, em Belém. Será o primeiro encontro entre Seguro e Lula da Silva, que não pôde presenciar a tomada de posse do novo chefe de Estado português por ter já agendada, nessa altura, uma reunião com o presidente da África do Sul.
Em cima da mesa, segundo informou a diplomacia brasileira, estarão dossiês que incluem a cooperação aeronáutica, ciência e tecnologia, o combate à xenofobia e outras formas de intolerância, bem como a imigração, em especial a controversa lei da nacionalidade portuguesa, que teve algumas normas chumbadas pelo Tribunal Constitucional.
À Lusa, o secretário de Europa e América do Norte do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o embaixador Roberto Abdalla, fez saber que Lula considera a lei da nacionalidade, aprovada no parlamento português, um "assunto delicado" e "de interesse".