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Coligação nórdica insta UE a manter veto a novas perfurações no Ártico

A fragata Normandie da Marinha francesa patrulha um fiorde norueguês, a norte do círculo polar Árctico, na quarta-feira, 6 de março de 2024.
Patrulha a fragata francesa Normandie num fiorde norueguês, a norte do Círculo Polar Ártico, na quarta-feira, 6 de março de 2024. Direitos de autor  AP Photo / Thibault Camus
Direitos de autor AP Photo / Thibault Camus
De Marta Pacheco
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Apelo à Comissão Europeia alerta para riscos ambientais e de segurança se a UE levantar a proibição de perfuração de petróleo e gás no Ártico e pede mais eletrificação e energia limpa.

Uma coligação nórdica de instituições financeiras, sindicatos e cientistas do clima dirigiu na quarta-feira um aviso contundente à Comissão Europeia, apelando aos líderes da União Europeia para que mantenham a atual proibição de novas perfurações de petróleo e gás no Ártico, numa altura em que o bloco revê a sua política para a região.

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Numa carta aberta dirigida a cinco comissários europeus, o grupo insta Bruxelas a não abrandar a sua posição, receando que o bloco esteja a reavaliar a oposição à perfuração no Árctico, e referindo “com preocupação” anteriores notícias nesse sentido.

Desde 2021, a UE defende uma proibição global de novas perfurações de petróleo e gás no âmbito da sua política para o Ártico, por razões ambientais. Mas a União está atualmente a rever a sua estratégia regional para o Ártico, o que levou os críticos de novos projetos de combustíveis fósseis a pronunciarem-se.

A carta assenta tanto em preocupações ambientais como em potenciais ameaças à segurança da Europa, dada a proximidade ao território russo, onde Moscovo exibe frequentemente exercícios nucleares.

O texto sustenta que a evolução da situação geopolítica agravou os riscos de segurança no mar de Barents, com as infraestruturas de petróleo e gás a tornarem-se potenciais alvos de guerra híbrida devido à proximidade do território russo e da Rota do Mar do Norte.

“Se o petróleo e o gás provenientes da parte norueguesa do Ártico se tornarem cruciais para a segurança energética da Europa, tal tornará essas infraestruturas ainda mais atraentes como alvo de sabotagem e deixará a UE vulnerável a esse tipo de ataques”, lê-se na carta, subscrita por 127 signatários, maioritariamente do Hemisfério Norte.

Os signatários, entre os quais o antigo vice-chanceler alemão e ministro federal da Economia e Proteção do Clima, Robert Habeck, e a ex-ministra dinamarquesa do Clima e Energia, Connie Hedegaard, alertam que uma expansão das perfurações de petróleo e gás na região ártica aumentaria a pressão sobre “ecossistemas de importância global, ao aumentar o risco de derrames e fugas de petróleo, que poderiam causar danos ambientais irreversíveis”.

Defendem ainda que a região do Ártico está a aquecer quatro vezes mais depressa do que a média global e avisam que empurrar o desenvolvimento de combustíveis fósseis ainda mais para norte, para o vulnerável sul do mar de Barents, representa uma “ameaça impossível de gerir” para ecossistemas marinhos de importância global.

Falácia económica?

Os defensores da perfuração no Ártico apresentam-na frequentemente como um escudo necessário contra a volatilidade energética da Europa, mas a carta da coligação nórdica desmonta esse argumento em termos de calendário.

Os signatários afirmam que os projetos na plataforma continental norueguesa demoram cerca de 13 anos a ser desenvolvidos, o que significa que quaisquer novos campos árticos aprovados hoje só atingiriam a produção máxima por volta de 2040.

A carta acrescenta que avaliações independentes de mercado da Rystad Energy enfraquecem ainda mais a viabilidade económica, estimando que os recursos economicamente exploráveis no mar de Barents são afinal 78% inferiores às previsões oficiais do governo norueguês.

O texto sustenta igualmente que qualquer nova produção comercial de gás natural liquefeito (GNL) exigiria que a UE assinasse contratos de compra de gás com prazos entre 20 e 25 anos, uma vez que a capacidade existente está totalmente utilizada durante décadas. Tal prenderia a Europa a uma dependência de combustíveis fósseis muito para lá do prazo de 2050 para a neutralidade climática, alertam os signatários.

Em vez disso, a coligação incentiva a Comissão a apostar mais na eletrificação interna, na eficiência das redes e numa rápida expansão das energias renováveis.

“Consideramos que a forma mais eficaz de continuar a reforçar a segurança energética de longo prazo da UE é acelerar a eletrificação e as medidas internas de energias renováveis e de eficiência, e não aprofundar a dependência de combustíveis fósseis importados”, lê-se na carta.

A empresa de energia norueguesa Equinor apoia a atualização da estratégia da UE para o Ártico e posiciona-se contra a paragem total de toda a exploração de petróleo e gás no Norte.

“Acreditamos que a UE deve desenvolver uma política que reflita a importância das zonas setentrionais para a segurança, a preparação e a estabilidade energéticas. A atividade norueguesa na região decorre em moldes rigorosos, assentes no conhecimento e ancorados democraticamente”, afirmou um porta-voz da Equinor à Euronews, sublinhando a posição da empresa “contra um moratória geral” na região.

Um porta-voz da Comissão indicou que o executivo comunitário está a atualizar a estratégia para o Ártico apresentada em 2021, para responder à evolução da situação na região, numa altura de subida dos preços da energia e de inflação desencadeada pela guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Irão, bem como pelas repetidas manifestações de intenção dos EUA em “adquirir” a Gronelândia, território autónomo do Reino da Dinamarca.

“Enfrentar as alterações climáticas e a degradação ambiental e apoiar um desenvolvimento económico sustentável continuam a ser objetivos válidos”, disse o porta-voz da Comissão à Euronews.

No entanto, o processo ainda se encontra “numa fase inicial” e, para já, não foram tiradas conclusões, acrescentou o mesmo responsável.

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