A cidade histórica do sul de Espanha e toda a província viveu um abalo na noite de sexta para sábado. Apenas se registaram danos materiais.
Um terramoto de magnitude 5 acordou a província de Granada (Andaluzia, Espanha) às 1h04 deste sábado. O epicentro situou-se em Alhendín, a dois quilómetros de profundidade. O Instituto Geográfico Nacional (IGN), organismo dependente do Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana, tinha inicialmente estimado a magnitude em 4,8 graus, valor que posteriormente elevou para 5.
O abalo foi sentido muito além da área metropolitana de Granada. O IGN recolheu relatos de moradores que referiram a queda de objetos, móveis deslocados ou portas e janelas a tremer em praticamente todos os municípios de Granada e arredores. Também foi sentido no norte da província, em Huéscar, na costa, em Almuñécar, Salobreña e Motril, e no oeste e na Alpujarra.
O tremor ultrapassou ainda as fronteiras provinciais. Em Jaén, foi sentido em Alcalá la Real, Linares ou Jódar; em Almería, na capital, em Roquetas, El Ejido ou Adra; e em Málaga, desde Fuengirola ou Torremolinos até Vélez, sem esquecer a capital, Córdoba. No total, de acordo com os dados disponíveis, o sismo foi sentido em dez províncias.
Este terramoto dá continuidade à série de sismos mais pequenos que os habitantes de Granada vêm sofrendo há um dia.
Assim foi vivido em Granada: reações em direto e danos
O streamer Sasel, residente em Granada, estava a transmitir em direto durante o terramoto e demonstrou uma calma soberana durante o mesmo.
Danos materiais e resposta institucional
O terramoto provocou desmoronamentos e a queda de elementos de fachadas e telhados em vários pontos da área metropolitana de Granada, sendo Armilla um dos municípios com danos materiais confirmados.
O serviço de emergências 112 da Andaluzia recebeu mais de 200 chamadas, com alertas provenientes de todas as províncias andaluzas, com exceção de Huelva e Cádis.
O conselheiro da Presidência, Saúde e Emergências, Antonio Sanz, anunciou a ativação da fase de emergência, situação operacional 1, do Plano de Resposta ao Risco Sísmico, decisão motivada pela magnitude do sismo. O presidente da Junta da Andaluzia, Juanma Moreno, apelou à calma através das redes sociais e insistiu na necessidade de se ter cuidado com fachadas danificadas que ainda possam desprender-se.
No terreno, a Proteção Civil e as forças de segurança procederam à evacuação preventiva de um edifício em Las Gabias que poderia ter sofrido danos, conforme confirmado pelo deputado responsável pelas Emergências de Granada, Eduardo Martos.
As operações concentraram-se em Armilla e Churriana, onde se verificaram desprendimentos nas fachadas, e em Huétor Vega, que ficou sem fornecimento de eletricidade. A Polícia Local de Granada indicou, por seu lado, que não se registaram feridos, embora se tenham verificado desprendimentos de cornijas e fissuras visíveis no bairro de Albaicín e no centro da capital provincial.
As réplicas e o precedente da série de sismos de 2021
Seis minutos após o sismo principal, registou-se outro de magnitude 2,6, com epicentro em Gójar, a um quilómetro de profundidade. Não foi o único. O IGN registou 15 sismos na Vega de Granada entre a 1h08 e as 3h19 deste sábado, todos eles réplicas do sismo de magnitude 5. A isto somam-se outros três sismos de menor intensidade registados na sexta-feira na mesma zona, que já tinham alertado a população.
A sucessão de movimentos, concentrados numa área que partilha a mesma falha, faz lembrar a vaga sísmica que afetou a Vega de Granada em janeiro de 2021. Nessa ocasião, a Junta ativou a fase de pré-emergência do referido plano, uma operação que se manteve ativa durante três meses e na qual foram geridos mais de 1600 alertas relacionados com essa série de sismos.