Organização Mundial da Saúde informou esta sexta-feira que um dos seus principais armazéns na Ucrânia foi atingido por um ataque aéreo durante a noite, o terceiro incidente deste tipo em três meses.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira que vai pedir aos europeus que reembolsem a ajuda norte-americana concedida à Ucrânia durante a administração do seu antecessor, Joe Biden.
Trump exige há muito tempo que os europeus assumam uma fatia maior dos custos do apoio ocidental à Ucrânia na guerra contra a Rússia, iniciada há mais de quatro anos.
“Centenas de milhares de milhões de dólares foram dados à Ucrânia e à NATO, gratuitamente, quantias que a Europa teria pago – se lhe tivessem pedido –, mas vamos pedir esse dinheiro, ainda que com algum atraso!”, escreveu Trump na sua plataforma Truth Social.
O presidente norte-americano não especificou que países considera deverem pagar.
No texto, Trump rejeitou igualmente as informações de que as forças armadas norte-americanas estariam a ficar sem munições na guerra contra o Irão.
“Dispomos, praticamente, de quantidades ilimitadas de munições de média e alta qualidade”, escreveu, acrescentando que as munições estão a ser produzidas a “níveis nunca antes vistos”.
Trump afirmou que Washington está a reforçar reservas e a preparar-se para eventuais cenários, tendo suspendido temporariamente as vendas de armas para o estrangeiro.
“Estamos a reservar as munições para nós, para os EUA, em vez de as vendermos a outros, mas as vendas aos aliados irão recomeçar em breve”, acrescentou.
No final de março deste ano, o Congresso tinha autorizado 195 mil milhões de dólares (167 mil milhões de euros) em despesas relacionadas com a guerra na Ucrânia, segundo o gabinete do inspetor-geral do Departamento de Estado dos EUA.
O Departamento de Estado norte-americano indicou em março (fonte em inglês) do ano passado que Washington tinha “fornecido 66,9 mil milhões de dólares em ajuda militar desde que a Rússia lançou a invasão em grande escala da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, e aproximadamente 69,7 mil milhões de dólares em ajuda militar desde a primeira invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2014”.
“Desde agosto de 2021, recorremos 55 vezes à autoridade presidencial de emergência para transferir material, fornecendo à Ucrânia ajuda militar no valor de cerca de 31,7 mil milhões de dólares a partir das reservas do Departamento de Defesa”, acrescentou o departamento.
A Europa aumentou significativamente as verbas de apoio à Ucrânia no início deste ano, mas continua a depender fortemente de armamento norte-americano para a sua ajuda militar, indicou o Instituto Kiel para a Economia Mundial no seu rastreador de apoio à Ucrânia (fonte em inglês).
Ucrânia: armazém da OMS é atingido
Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou esta sexta-feira que um dos seus principais armazéns na Ucrânia foi atingido por um ataque aéreo durante a noite, o terceiro incidente deste tipo em três meses.
A OMS advertiu que se insere num padrão mais amplo de ataques contra instalações humanitárias na Ucrânia.
Durante a noite, “um ataque aéreo na região de Kiev afetou um dos principais armazéns da OMS, onde se armazenavam bens e material médico humanitário”, disse aos jornalistas em Genebra o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.
O acesso ao local continua restringido devido ao intenso fumo e a questões de segurança, enquanto prosseguem as avaliações de eventuais danos e perdas de stock.
Nenhum membro do pessoal da OMS foi atingido, acrescentou.
“Os ataques fazem parte de um padrão mais vasto que afeta as operações humanitárias em todo o país”, afirmou Lindmeier.
“Em 2026, pelo menos 20 ataques atingiram armazéns que guardam bens de ajuda humanitária, incluindo 15 ataques a armazéns com material humanitário ligado à saúde.”
O porta-voz indicou que, nos últimos três meses, três armazéns utilizados pela OMS em diferentes regiões da Ucrânia foram danificados por bombardeamentos aéreos, destruindo fornecimentos médicos essenciais destinados às linhas da frente e a zonas de difícil acesso.
Há duas semanas, um ataque destruiu um armazém humanitário em Dnipro, provocando a perda de metade dos fornecimentos e material médico destinados a apoiar cerca de 225 000 pessoas.
Outro armazém utilizado pela OMS na região de Kiev foi danificado em julho, durante uma vaga de ataques em grande escala contra a capital e a região envolvente, acrescentou o porta-voz.
Lindmeier acrescentou que, “tanto quanto sei, todos os armazéns, todas as localizações da ONU e todas as localizações da OMS são comunicadas a todas as partes num conflito armado".
A OMS verifica e regista os ataques contra o setor da saúde, mas não atribui responsabilidades, uma vez que não é uma agência de investigação.
A agência da ONU verificou mais de 3.000 ataques na Ucrânia desde o início da invasão em grande escala da Rússia, em fevereiro de 2022.
As unidades de saúde e o sistema de saúde no seu conjunto estão protegidos pelo direito internacional humanitário e pelos instrumentos de direitos humanos.