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Dados dos contribuintes franceses pirateados: Ministério tranquiliza

DGFiP está instalada no complexo ministerial de Bercy, em Paris.
Sede da DGFiP situa-se no complexo ministerial de Bercy, em Paris. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Alexander Kazakevich
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A diretora-geral das Finanças Públicas pediu desculpa e garante que as vítimas serão contactadas a partir desta segunda-feira.

Esta segunda-feira, os franceses vão saber se fazem parte dos cerca de 678.000 utilizadores do site “impots.gouv.fr” – particulares e empresas – afetados pelo roubo massivo de dados fiscais.

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Na sexta-feira, a diretora-geral das Finanças Públicas, Amélie Verdier, lamentou um “ataque mais sofisticado” do que os observados “no passado”. Os comentários sob a mensagem da DGFiP na plataforma X foram desativados.

Num comunicado, a administração fiscal deu conta de uma intrusão no seu sistema de informação, que permitiu aos piratas consultar e extrair alguns dados sensíveis, nomeadamente o rendimento fiscal de referência e a taxa de retenção na fonte.

O fisco procura, no entanto, tranquilizar os cidadãos: os dados roubados _“_não permitem aceder à conta segura em impots.gouv.fr”.

No caso das empresas, as informações comprometidas são “menos sensíveis” do que as dos particulares. Incluem, nomeadamente, a denominação social e o número Siren (equivalente ao número de contribuinte português).

Intrusões ocorridas em junho e julho de 2026 tornaram-se possíveis através de “usurpação de credenciais de um agente da DGFiP e de um terceiro autorizado”, precisou a administração.

Noutro ataque reivindicado pelo mesmo cibercriminoso, que atua sob o pseudónimo ZeoBytes, foram igualmente roubados dados relativos a imóveis. Segundo o site especializado FrenchBreaches, que regista as ciberataques em França, o pirata informático afirma que essa intrusão remonta a junho de 2026. O site atribui-lhe também outras ofensivas, que visaram nomeadamente o Intermarché, a Eva GG, uma plataforma francesa especializada em realidade virtual, e a Federação Francesa de Andebol (FFHandball).

A DGFiP tentou ainda explicar porque é que o alerta só foi dado em meados de agosto. Reconhece que as verificações realizadas anteriormente “não permitiram detetar que essas intrusões tinham conduzido a roubos de dados, devido à sofisticação do ataque”.

“Ilícitos cometidos contra os franceses e contra o Estado”

Os serviços do primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmaram no sábado, em comunicado, que “as administrações do Estado são, tal como o conjunto das grandes organizações públicas e privadas na Europa, alvo de ataques informáticos cujo número e sofisticação estão a aumentar”.

Matignon, que considera estes ataques como _“_ilícitos cometidos contra os franceses e contra o Estado”, detalhou igualmente o reforço das medidas destinadas a combater estas ciberataques.

Um “plano de securização dos sistemas de informação do Estado” foi lançado em 30 de abril de 2026. Prevê, entre outros pontos, a criação, em breve, de uma nova autoridade digital do Estado, denominada ARIANE, que ficará diretamente ligada ao primeiro-ministro.

Esta campanha de ciberproteção já mobilizou 200 milhões de euros, parte dos quais deve servir para desenvolver capacidades em inteligência artificial, indica o gabinete do primeiro-ministro. No âmbito do orçamento de 2027, as coimas aplicadas pela CNIL, a autoridade francesa responsável por zelar pela proteção de dados pessoais, devem contribuir para o seu financiamento.

Ministério Público de Paris abre inquérito

O Ministério Público de Paris abriu um inquérito por “extração fraudulenta de dados” e “associação de malfeitores”, após o roubo de informação relativa a cerca de 700 mil utilizadores, indicou no sábado, 15 de agosto, a mesma entidade, contactada pela AFP.

As investigações foram confiadas ao Gabinete Anticibercriminalidade (Ofac), integrado na Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN).

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