O pai, libanês, também perdeu a vida. O filho mais velho do casal sofreu ferimentos, mas foi hospitalizado e está a recuperar bem, disse um tio em entrevista à TV Globo. Diplomacia do Brasil condena ataques durante trégua e pede "retirada completa" de Israel do Líbano.
Uma mulher e um dos filhos, de 11 anos, ambos de nacionalidade brasileira, foram mortos na sequência de um ataque lançado pelas forças de Israel no distrito de Bint Jeil, sul do Líbano, no último domingo.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil confirmou a informação na segunda-feira, dando conta ainda da morte do pai da criança, um homem libanês, na mesma ofensiva.
O outro filho do casal, mais velho, também foi apanhado no bombardeamento, mas recebeu tratamento no hospital, sobreviveu e está a recuperar de forma favorável, avançou um tio em entrevista à TV Globo.
O ataque foi de tal modo potente que "a casa de três andares virou pedaços", afirmou este familiar à estação brasileira.
"Os meus sobrinhos voaram, o menor não resistiu", contou, acrescentando que a criança, de 11 anos, já foi enterrada e que os corpos dos pais ainda não foram encontrados.
Na mesma entrevista, o cunhado da mulher brasileira explicou que a família já não morava na casa bombardeada, e que se deslocou a essa habitação durante o cessar-fogo para retirar alguns pertences.
Expressando "sinceras condolências aos familiares das vítimas", a diplomacia brasileira manifesta, em comunicado, "a mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelitas quanto do Hezbollah".
O Itamaraty condena igualmente "as demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano", levadas a cabo por Israel nas últimas semanas, e a "persistência do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses". Pede ainda o fim imediato do conflito, com "retirada completa" das forças de Israel de solo libanês.
Trégua não está a ser cumprida
Israel e o Líbano chegaram a acordo para prolongar por três semanas o cessar-fogo, que teve início a 17 de abril. O anúncio foi feito na última quinta-feira pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, mas, no terreno, as hostilidades não param.
Pelo menos 14 pessoas morreram e 37 ficaram feridas em ataques israelitas no sul do Líbano, no domingo, informaram as autoridades de Beirute, naquele que foi o dia mais mortífero desde a entrada em vigor da trégua.
Israel e o Hezbollah têm trocado acusações sobre violações do cessar-fogo e argumentam ter legitimidade para avançar com retaliações.
A milícia xiita, apoiada pelo Irão, recusa as negociações em curso entre Beirute e o Estado judaico por entender que "criminalizam a resistência".
Num comunicado, citado pela Al Jazeera, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, deixa claro que os libaneses têm duas opções: "Libertação e orgulho ou ocupação e humilhação".
O ministro israelita da Defesa já respondeu, avisando que os ataques do grupo armado, com sede no Líbano, teriam consequências desastrosas.