Os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra o Irão na madrugada de quarta-feira e Teerão retaliou contra países da região, numa escalada que ameaça comprometer os esforços para pôr fim à guerra.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que o Irão demorou demasiado a negociar um acordo sobre o conflito no Médio Oriente e que agora "terá de pagar o preço".
A mensagem publicada nas redes sociais, na qual Trump garantia que as forças armadas iranianas estavam "totalmente derrotadas", surgiu depois de os Estados Unidos e o Irão trocarem fogo, pressionando o cessar-fogo em vigor desde abril.
"O valentão do Médio Oriente está MORTO!!! Demoraram demasiado tempo a negociar um acordo que teria sido ótimo para eles, agora vão ter de pagar o preço!!!", escreveu Trump na sua plataforma Truth Social.
Numa entrevista telefónica ao jornalista Trey Yingst, da Fox News, Trump afirmou ainda que, perante a falta de progressos nas conversações de paz, está cada vez mais perto de atacar centrais elétricas e pontes iranianas.
"Posso continuar", disse Trump, citado pela Fox. "Tiveram a oportunidade de assinar um acordo e sobreviver".
O tom contrastou com as declarações que fizera na terça-feira aos jornalistas, segundo as quais as negociações para um acordo duradouro que pusesse fim à guerra estavam na "reta final" e podiam ficar concluídas "dentro de dois ou três dias".
Numa outra publicação nas redes sociais, na quarta-feira, Trump elogiou o bloqueio dos EUA à navegação iraniana, classificando-o como "o mais bem-sucedido" da história e descrevendo-o como um "muro de aço".
Trump alegou que o bloqueio paralisou os negócios do Irão e impediu o pagamento de salários aos militares, continuando a permitir que outros países exportem "muito petróleo".
"Louvado seja Alá!", escreveu Trump.
Novos ataques em toda a região
Os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra o Irão na madrugada de quarta-feira e Teerão respondeu atingindo países da região, numa escalada que ameaça comprometer os esforços para acabar com a guerra.
O Irão lançou um ataque com mísseis contra a Jordânia, o Bahrein e o Kuwait, na mais recente vaga de ataques de retaliação contra os Estados Unidos após o abate de um helicóptero norte-americano no Estreito de Ormuz.
Em comunicado, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) afirmou que as forças iranianas dispararam "mísseis de longo alcance", garantindo que "atingiram e destruíram quatro alvos principais" na Jordânia, incluindo abrigos de caças F-35 numa base aérea e o centro de comando norte-americano em Al-Azraq, noticiou a agência estatal IRNA.
A Jordânia afirmou na quarta-feira ter abatido mísseis que, segundo o governo, tinham como alvo a importante cidade histórica de Azraq, a cerca de 100 quilómetros da capital, Amã.
Nas proximidades situa-se a grande base aérea jordaniana de Muwaffaq Salti, que acolhe os 1.º, 2.º e 6.º esquadrões de caça da Força Aérea do país.
"Intercetámos e abatemos cinco mísseis lançados do Irão em direção a Azraq. A interceção provocou a queda de destroços, mas não houve vítimas nem danos materiais", indicaram as Forças Armadas jordanas em comunicado.
Os Estados Unidos e outros aliados da NATO já utilizaram no passado esta base aérea, nomeadamente para lançar ataques contra o autoproclamado grupo Estado Islâmico durante a guerra na Síria.
A agência noticiosa oficial da Jordânia, Petra, divulgou o comunicado militar, acrescentando que não houve feridos no ataque e que peritos em explosivos examinaram os destroços resultantes das interceções.
As forças armadas do Kuwait informaram que as defesas aéreas estavam a enfrentar "alvos aéreos hostis", sem identificar de imediato o agressor, embora o Irão tenha realizado recentemente ataques mortais contra o país.
O Comando-Geral da Força de Defesa do Bahrein afirmou ter intercetado com sucesso um número não especificado de mísseis, acrescentando que Teerão prossegue aquilo que descreve como uma "postura hostil sistemática", através de "ataques ilegais com mísseis e drones contra civis no Reino".