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Empresa portuguesa investigada e sancionada pelos EUA por venda de helicópteros ao Irão

Selo do FBI visível na sede do organismo em Washington DC, 18 de novembro de 2024.
Selo do FBI visível na sede do organismo em Washington DC, 18 de novembro de 2024. Direitos de autor  AP/José Luis Magana
Direitos de autor AP/José Luis Magana
De João Azevedo
Publicado a Últimas notícias
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A Business United, detida pelo empresário António Mira, de 33 anos, terá intermediado operações de compra e venda de aeronaves e componentes aeronáuticos para empresas que forneciam o Irão. Ex-Secretário de Estado Miguel Frasquilho teve uma participação nesta sociedade.

A sociedade portuguesa Business United, cujo único sócio é o empresário António Mira, foi identificada numa investigação do FBI como intermediária de uma série de operações que facilitaram a aquisição e venda de helicópteros e componentes aeronáuticos destinados às Forças Armadas do Irão, em violação das sanções internacionais impostas a Teerão.

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Segundo a investigação, revelada esta segunda-feira pelo jornal Público, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (EUA) incluiu, em outubro de 2025, a Business United e António Mira numa lista de sanções ligadas a uma suposta rede de transferência de equipamentos para o aparelho militar do Estado iraniano.

Aliás, numa pesquisa rápida pelo OpenSanctions, plataforma de código aberto que agrega, com base em fontes oficiais, registos de indivíduos e empresas de interesse jurídico e criminal, lê-se que "António Filipe Fortio Mira está sujeito a sanções". Washington associa a Business United a uma cadeia de contactos e pagamentos ocorridos em Portugal, Uruguai, Alemanha, Suécia, Turquia e EUA.

Os bens da sociedade e do empresário sob jurisdição dos EUA ficaram congelados, sendo que cidadãos e empresas norte-americanos passaram a estar proibidos de levar a cabo transações envolvendo os mesmos. Associado a esta empresa surge Miguel Frasquilho, antigo Secretário de Estado do governo de Durão Barroso, além de ex-presidente da Transportadora Aérea Portuguesa (TAP) e da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

Na origem do caso está a tentativa de venda de um motor de helicóptero avaliado em 209 mil dólares, perto de 181 mil euros, à Pasargad Helicopter Company (PHC), uma empresa do Irão, dirigida por Mehdi Shirazi Shayesteh, que intermediava a entrega de aeronaves e outro material da indústria aeronáutica a uma sociedade estatal iraniana, envolvida na modernização da frota militar da República Islâmica e sancionada por Washington desde 2018.

Nos documentos a que o Público teve acesso, é referido que a empresa portuguesa transferiu mesmo 209.900 dólares em dois pagamentos para financiar a compra do motor. Um negócio que não se consumou por causa de problemas alfandegários que impediram a saída do equipamento da China, acabando o motor por ser entregue às autoridades norte-americanas. Na investigação, é igualmente apontando o nome de Amirhossein Salimi, cidadão iraniano que possui autorização de residência em Portugal.

Shayesteh terá igualmente negociado com a Business United a aquisição de um helicóptero de origem norte-americana, no valor de quase quatro milhões de euros, o qual foi comprado pela empresa portuguesa para ser entregue à PHC após passar por uma outra entidade. O objetivo, sustenta a investigação, era afastar a sociedade iraniana da aquisição original.

Ouvido pelo FBI em março de 2024, António Mira contou que Salimi lhe pediu ajuda para adquirir o helicóptero através da Business United, acrescentando que recebeu 10 mil euros e que deixou de controlar a empresa assim que foi concretizado o negócio. Os registos comerciais da Business United, avança o Público, remetem para 2022, mas o FBI documenta referências à sociedade portuguesa em transações de peças realizadas mais tarde para a PHC.

Há, por exemplo, menção a operações que envolveram peças para helicópteros Airbus, adquiridas por empresas ocidentais e que passaram por intermediários antes de serem encaminhadas para aquele que seria o último destinatário.

Frasquilho fala em colaboração informal

Miguel Frasquilho nega qualquer papel na compra ou venda de aeronaves ou componentes no âmbito da atividade da Business United, apesar de ter sido apresentado como um dos principais conselheiros estratégicos desta sociedade.

Ao jornal Público, deixa claro que nunca foi sócio da empresa e que apenas teve uma colaboração informal iniciada em 2023, salientando que os negócios na mira do FBI remontam a 2021 e 2022. Frasquilho insiste que se tratou de uma posição não executiva e não remunerada, resultante da amizade com António Mira.

A investigação não o identifica como participante nas transações e também não lhe imputa qualquer responsabilidade pelas ações em causa.

Miguel Frasquilho pôs fim à colaboração com a Business United em setembro ou outubro de 2025, tendo admitido que a investigação aberta pelos Estados Unidos contribuiu para essa decisão.

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