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Rússia: Supremo Tribunal exclui das eleições parlamentares o único partido antiguerra

Nikolai Rybakov, presidente do partido “Yabloko”
Nikolai Rybakov, presidente do partido “Yabloko” Direitos de autor  AP Photo
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De Mihhail Salenkov
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O Supremo Tribunal da Rússia anulou a inscrição eleitoral do Yabloko para as legislativas de setembro, dando razão à ação do “Rodina”, formação política nacionalista. O Yabloko anunciou que vai recorrer da decisão.

O Supremo Tribunal da Rússia afastou o partido Yabloko, o único que se opõe à guerra na Ucrânia, das eleições parlamentares de setembro no país.

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A ação para retirar os liberais do escrutínio foi apresentada em 7 de agosto pelo Rodina, formação política nacionalista.

O presidente do Rodina, o deputado da Duma de Estado Alexei Zhuravlev, afirmou que “os juristas encontraram várias irregularidades” na campanha eleitoral do Yabloko.

Trata‑se, antes de mais, segundo Zhuravlev, de “financiamento estrangeiro que não passa por conta bancária”, bem como de “um enorme trabalho em redes sociais proibidas, financiado pelo Ocidente”.

Além disso, Zhuravlev acusou o Yabloko de "extremismo” pelo apelo do partido liberal à celebração da paz.

O presidente do Yabloko, Nikolai Rybakov, declarou no Supremo Tribunal da Federação Russa que “não há quaisquer fundamentos para afastar o partido das eleições”.

Rybakov sublinhou que “todos os documentos foram verificados pela Comissão Eleitoral Central e a decisão de admitir o partido foi tomada por unanimidade”, recordando que o Ministério da Justiça já tinha inspeccionado o partido várias vezes à procura de diferentes violações, sem encontrar nada de ilegal.

Classificou ainda as queixas do Rodina como infundadas e sem provas.

Dezenas de pessoas dirigiram‑se ao edifício do Supremo Tribunal da Federação Russa, em Moscovo, para apoiar o Yabloko.

Também os líderes de outros partidos russos apontaram o dedo ao Yabloko. O presidente do Comité Central do KPRF, Gennady Zyuganov, acusa a oposição de não apoiar “a política de reforço da estatalidade russa” e de “nem uma vez terem condenado as ações das autoridades da Ucrânia”.

O líder do LDPR, Leonid Slutsky, pediu que o Yabloko seja reconhecido como organização indesejável devido à sua proposta de iniciar negociações de paz com Kiev.

O líder da “Rússia Justa”, Sergei Mironov, afirmou que o Ministério da Justiça e a Procuradoria‑Geral devem “olhar atentamente para o Yabloko”, porque o partido “se opõe à ‘operação militar especial’”, “promete concluir uma paz vergonhosa para o país” e “apoia agentes estrangeiros”.

A Comissão Eleitoral Central da Federação Russa registou a lista federal do Yabloko para as eleições ao parlamento russo em 29 de julho. O partido decidiu concorrer com o lema “Pela paz e pela liberdade”.

Rússia: partido anti‑guerra nas legislativas

Com apenas 43 palavras, o programa eleitoral do Yabloko apela para um “acordo de cessar‑fogo, diplomacia e conquista da paz!”.

O inesperado registo de um partido que defende o fim da guerra suscitou muitas especulações sobre como tal pôde acontecer.

“Um interlocutor próximo da Comissão Eleitoral Central considera que a lógica desta admissão é, muito provavelmente, a seguinte: as autoridades precisam de um canal para onde os cidadãos ‘descarreguem’ o seu descontentamento. É melhor o Yabloko do que estragar boletins ou votar no KPRF”, escreve o IStories(Vazhnye Istorii em russo), órgão de comunicação social russo independente**,** focado em jornalismo de investigação

“O Yabloko foi registado segundo o plano da Administração Presidencial. Após as eleições, o baixo resultado oficial do partido poderá ser apresentado como a parte dos russos que se opõem à guerra”, disse à Rádio Svoboda o politólogo Ivan Preobrazhensky.

Circula também a tese de que a presença do Yabloko no boletim de voto é necessária para o poder russo retirar parte dos votos ao partido “Novas Pessoas”, em ascensão. “Deixaram o Yabloko ir às eleições para atacar o ‘Novas Pessoas’”, escreve nas redes sociais o especialista em processos políticos regionais na Rússia, o politólogo Alexander Kynev.

As eleições para a Duma de Estado, bem como outras eleições combinadas de vários níveis, decorrerão na Rússia durante três dias, de 18 a 20 de setembro.

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