O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou que a Aliança está pronta para reagir a ataques híbridos russos na Europa, após alertas da inteligência dinamarquesa. Já o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, apelou aos aliados europeus que assumam mais responsabilidade pela Defesa.
A NATO está preparada para responder a atos de sabotagem e a incidentes com drones em toda a Europa e tem planos definidos para enfrentar essas ameaças, afirmou na quinta‑feira o secretário-geral Mark Rutte.
“A Rússia está a fazer cada vez mais no domínio cibernético e noutros campos, mas… a NATO está preparada para isso”, disse Rutte num evento em Nova Iorque que assinalou os atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos.
“Temos todas estas opções de resposta definidas… no que diz respeito às ameaças híbridas, para garantir que continuamos fortes”, acrescentou.
Rutte considerou que o aumento do número de incidentes híbridos em países da NATO mostra que o presidente russo, Vladimir Putin, está a perder a guerra na Ucrânia, já no seu quinto ano.
“Putin está numa posição difícil”, afirmou Rutte, acrescentando que a Rússia não está a ganhar a guerra na Ucrânia e que os cidadãos dos 32 países da NATO podem manter a calma.
Apelou ainda aos membros da NATO para darem “mais apoio à Ucrânia” se “quiserem mesmo enviar um sinal aos russos perante cada incidente híbrido, cada ataque híbrido”.
“Todas as opções de resposta estão em cima da mesa e utilizaremos o que for necessário”, concluiu Rutte.
As declarações surgem depois de, também na quinta‑feira, os serviços de informações dinamarqueses terem alertado para um risco crescente de ação militar russa contra países da NATO, incluindo novos ataques híbridos.
Em paralelo, meios de comunicação espanhóis noticiaram que os serviços de informações norte‑americanos alertaram países europeus para uma possível operação russa com drones tendo como alvo Espanha, França ou Itália.
Ssecretário da Defesa dos EUA pede que Europa assuma liderança da sua defesa
Entretanto, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou na quinta‑feira que os aliados europeus têm de assumir a liderança na defesa do continente, defendendo que a NATO se torne numa “verdadeira aliança militar de linha dura”.
Ao intervir numa reunião de ministros da Defesa da NATO, Hegseth propôs uma “NATO 3.0”, centrada no reforço das capacidades militares e na dissuasão de ameaças na Europa.
As declarações surgem semanas depois de Washington ter informado os aliados de que deixará de disponibilizar determinados navios de guerra e aeronaves em caso de ataque a um membro da NATO.
Os aliados europeus e o Canadá avaliam agora como colmatar as lacunas de capacidades daí resultantes.
“A NATO 3.0 é o reconhecimento, no pós‑Guerra Fria, de que a Aliança precisa de voltar a ser uma verdadeira aliança militar de linha dura, com capacidades militares reais, capaz de dissuadir aqui mesmo no continente e de assumir a liderança da defesa convencional da Europa”, afirmou Hegseth.
Ao abrigo do Artigo 5.º do tratado fundador da NATO, um ataque contra um membro é considerado um ataque contra todos. No entanto, a disposição não obriga automaticamente os aliados a prestarem assistência militar.
Os Estados Unidos, que têm as maiores forças armadas da NATO, procuram reduzir o seu papel na defesa convencional da Europa. Não tencionam retirar as armas nucleares estacionadas no continente, que permanecem um elemento central da estratégia de dissuasão da NATO.