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Alemanha: Die Linke vence em Berlim e AfD sobe na Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental

Elif Eralp, 20/09/2026 em Berlim
Elif Eralp, 20/09/2026, em Berlim Direitos de autor  Sebastian Gollnow/dpa via AP
Direitos de autor Sebastian Gollnow/dpa via AP
De Johanna Urbancik
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As últimas eleições regionais do ano na Alemanha provocaram um forte abalo político: o Die Linke (A Esquerda) venceu Berlim e a AfD liderou em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, enquanto a CDU sofreu pesadas perdas em ambos os escrutínios.

As últimas eleições regionais do ano na Alemanha redesenharam o mapa político, com o Die Linke (A Esquerda) a afirmar-se como a força mais votada em Berlim e a AfD a ficar em primeiro lugar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. A CDU sofreu fortes perdas nos dois estados, enquanto o SPD registou ganhos significativos sob a liderança da primeira-ministra regional Manuela Schwesig.

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Em Berlim, a projeção mais recente da Infratest dimap coloca o Die Linke com 25,7% dos votos. A CDU surge em segundo lugar, com 18,8%, seguida da AfD, com 16,3%, e dos Verdes, com 14,3%. O SPD cai ainda mais, para 12,1%, enquanto a BSW ultrapassa por pouco a barreira de entrada no parlamento.

O resultado significa que a anterior coligação CDU-SPD na capital deixa de ter maioria. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD lidera com 38,2%, seguida de perto pelo SPD, com 35,5%. A CDU regista o pior resultado da história do estado, com apenas 4,9%, enquanto o Die Linke, os Verdes e a BSW ficam à volta ou ligeiramente acima do limiar para entrar no parlamento.

Leif Erik Holm, candidato da AfD a ministro-presidente em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, lidera com mais de 37% dos votos
Leif Erik Holm, candidato da AfD a ministro-presidente em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, lidera com mais de 37% dos votos (c) Copyright 2026, dpa (www.dpa.de). Alle Rechte vorbehalten

Alemanha: Merz diz que resultado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental é um "desastre"

O chanceler federal, Friedrich Merz, disse que não havia forma de “dourar a pílula” quanto ao resultado da CDU em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. “É um desastre”, disse o líder democrata-cristão numa declaração na sede do partido, em Berlim. Acrescentou que o seu partido foi “esmagado” numa disputa que se reduziu a um duelo entre o SPD e a AfD.

Se a CDU se mantiver abaixo dos 5% na contagem final, isso significa que, pela primeira vez, o partido vai falhar a eleição de deputados num parlamento regional na Alemanha.

Em Berlim, pelo contrário, Merz considerou que o cabeça de lista da CDU, Stefan Evers, conseguiu um “resultado respeitável”, apesar de uma posição de partida difícil.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, fala à comunicação social na sede da União Democrata-Cristã (CDU), Berlim, Alemanha, 20 de setembro de 2026
O chanceler alemão, Friedrich Merz, fala à comunicação social na sede da União Democrata-Cristã (CDU), Berlim, Alemanha, 20 de setembro de 2026 AP Photo/Markus Schreiber

Merz passou depois à situação mais ampla na Alemanha. Disse que o país se tornara demasiado complexo e que a economia enfrentava um período de mudança profunda. O debate público estava a tornar-se cada vez mais aceso, enquanto a confiança nas instituições diminuía, afirmou. Pediu novas reformas, defendendo que as perturbações que trariam – e o facto de não serem universalmente populares – teriam de ser aceites.

Concluiu com um alerta para o “veneno autoritário” que, segundo disse, se infiltra cada vez mais na sociedade através da “fascinação pelo autoritarismo”. Enquanto líder da CDU e chanceler, afirmou querer assumir responsabilidades. A Alemanha, defendeu, tem de voltar a ser um “país de novos começos”.

Alemanha: AfD lidera em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Schwesig pode manter-se no cargo

Na sequência do resultado eleitoral em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o cabeça de lista da AfD, Leif-Erik Holm, reclamou o direito de formar o próximo governo regional. Disse que o partido iria “naturalmente falar também com todos os outros partidos” numa tentativa “de pôr as coisas em movimento”. “Trata-se das pessoas do nosso estado. Queremos melhorar a política”, afirmou Holm à cadeia pública alemã ARD.

Questionado sobre uma possível cooperação com outros partidos, Holm salientou que a AfD em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental não está a ser vigiada pelo Serviço Federal de Proteção da Constituição. Disse que o partido tem um “programa conservador” nas áreas da educação, da economia e da segurança.

Leif-Erik Holm, candidato da AfD a ministro-presidente em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Schwerin, Alemanha, 20 de setembro de 2026
Leif-Erik Holm, candidato da AfD a ministro-presidente em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Schwerin, Alemanha, 20 de setembro de 2026 Jens Büttner/dpa via AP

Manuela Schwesig, primeira-ministra regional do SPD em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, pode assim manter-se em funções apesar da vantagem da AfD. Durante a campanha, colocou-se no centro da mensagem do SPD com o lema “Mulher contra o Azul”, um jogo de palavras com a cor da AfD.

Falando à ZDF, Schwesig descreveu estas eleições como as “mais difíceis” que o seu partido alguma vez enfrentou a nível regional. Numa entrevista, disse que o SPD enfrentou a AfD “com substância, com pessoas, com clareza e com um esforço conjunto”. O percurso político de Schwesig inclui também o apoio que no passado deu ao Nord Stream 2.

Em 2021, o seu governo regional criou a Fundação para a Proteção do Clima e do Ambiente MV, que apoiou a construção do gasoduto. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, Schwesig reconheceu que a posição que assumira na altura tinha sido um erro. Numa visita a Kiev em 2024, afirmou que “a Ucrânia tem de vencer esta guerra” e defendeu mais envios de armas.

Berlim e o "efeito Mamdani"

O partido Die Linke (A Esquerda) em Berlim fez das questões sociais e da habitação acessível os temas centrais da campanha, com a cabeça de lista Elif Eralp também a olhar para Nova Iorque. Depois de o democrata de esquerda Zohran Mamdani vencer as eleições para a presidência da Câmara de Nova Iorque, Eralp disse à Agência de Informação Alemã (dpa): “Se um candidato de esquerda pode ganhar em Nova Iorque, então não há razão para não acontecer o mesmo em Berlim”.

O Die Linke tornou-se agora, pela primeira vez, o partido mais forte em Berlim. Se Eralp se tornar presidente da Câmara de Berlim, vai ser a primeira autarca da cidade com origem migrante. Os pais fugiram da Turquia para a Alemanha em 1980 e Eralp nasceu em Munique.

A crise da habitação esteve no centro da campanha de Eralp. Defendeu uma regulamentação mais apertada das rendas, mais habitação social e novos passos no sentido de trazer grandes patrimónios imobiliários para a esfera pública.

Elif Eralp centrou a campanha na falta de habitação
Elif Eralp centrou a campanha na falta de habitação (c) Copyright 2026, dpa (www.dpa.de). Alle Rechte vorbehalten

O Die Linke é herdeiro do antigo partido no poder na Alemanha de Leste, o SED (Partido Socialista Unificado da Alemanha). Após a queda do Muro de Berlim, o SED passou a chamar-se PDS (Partido do Socialismo Democrático), mantendo parte do património e dos quadros. Mais tarde, adotou o nome A Esquerda.

A vitória eleitoral coloca agora o partido perante uma tarefa difícil na formação de governo. O SPD e os Verdes não excluem trabalhar com A Esquerda, mas ambos deixaram claro que qualquer cooperação depende da forma como o partido lida com o antissemitismo. O cabeça de lista do SPD, Steffen Krach, disse antes das eleições, num evento organizado pela comunidade judaica de Berlim: “Se houver incidentes antissemitas, acabou. É simples”.

A questão ganhou destaque após a atuação do rapper Dahabflex num comício do Die Linke no bairro berlinense de Neukölln. No evento ouviram-se palavras de ordem como “Morte às IDF” e “Yalla Yalla Intifada”.

Eralp demarcou-se dessas declarações e pediu uma investigação e consequências. Os Verdes também estabeleceram uma condição clara. O cabeça de lista, Werner Graf, disse que o partido não assinaria qualquer acordo de coligação que não assumisse uma posição inequívoca contra o antissemitismo.

Eralp, por seu lado, sublinhou que a esmagadora maioria do Die Linke defende a proteção da vida judaica. Afirmou que o antissemitismo é um problema transversal à sociedade e existe também dentro de A Esquerda. Disse ainda querer proteger as comunidades judaica, palestiniana e muçulmana.

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