O candidato da extrema-direita à presidência do Brasil disse, numa entrevista à Rede Globo, que tentará obter uma amnistia ao seu pai e a todos os condenados pela tentativa de golpe de Estado se for eleito Presidente da República e, caso não obtenha consenso para a amnistia, avançará com um indulto.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro prometeu perdoar seu pai caso vença as eleições presidenciais de outubro. Flávio, de 45 anos, é o principal candidato da oposição ao atual presidente Lula da Silva.
Em entrevista à Rede Globo, na sexta-feira, o senador candidato pelo Partido Liberal (PL), de extrema-direita, classificou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como “uma grande farsa”.
“Tudo isso foi uma grande farsa orquestrada para afastar Jair Bolsonaro da vida pública”, afirmou o candidato quando lhe perguntaram quais garantias de defesa da democracia o seu partido daria ao eleitorado caso vencesse as eleições.
Em setembro de 2025, Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por ter liderado uma tentativa de golpe de Estado contra Lula da Silva, que o derrotou nas eleições presidenciais de 2022. Atualmente, o ex-presidente cumpre pena em prisão domiciliar após invocar razões de saúde.
Jair Bolsonaro foi “julgado pelos seus inimigos”, disse Flávio. “Toda a gente sabia que ele seria condenado ainda antes do julgamento terminar”, acrescentou, nomeando, um a um, os juízes que lideraram o processo e declarando-os “inimigos do presidente Bolsonaro”.
O atual candidato defendeu que o seu pai foi condenado por crimes como a destruição do património público, quando milhares de bolsonaristas atacaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, enquanto o seu pai se encontrava em Miami, “a milhares de quilómetros de Brasília”, argumentou. “Como é que alguém pode ser condenado, como foi o presidente Bolsonaro e centenas de pessoas por depredação do património público se ele estava a mais de 10.000 km de Brasília?”, questionou o candidato. Contudo, “vários depoimentos de generais” do ex-presidente confirmaram o plano “para matar autoridades”, lembrou um dos jornalistas que conduziu a entrevista.
A estação de televisão brasileira, a Rede Globo, está a entrevistar os seis candidatos mais bem colocados antes das eleições presidenciais de 4 de outubro.
“É evidente que tudo não passou de uma farsa orquestrada por magistrados que são inimigos declarados de Bolsonaro. Os magistrados que o condenaram chegaram ao Supremo Tribunal Federal nomeados por Lula. Não foi um julgamento justo”, afirmou o senador Flávio Bolsonaro.
“Hoje, as perseguições continuam. Até os jornalistas são perseguidos e o sigilo das suas fontes não é respeitado”, acrescentou, citando um acórdão recente do Supremo Tribunal que ordenou a identificação da fonte de uma notícia sobre alegados abusos cometidos por um magistrado.
Por estas e outras razões, Flávio Bolsonaro afirmou que vai reparar tudo o que aconteceu ao promover uma amnistia a favor do seu pai, Jair Bolsonaro, e de todos os condenados pelo golpe.
“Eu, como Presidente da República, vou trabalhar para que a amnistia seja feita ainda na transição e, caso não ocorra, um indulto”, afirmou o candidato populista na entrevista que pode ser lida na íntegra no portal “Poder360”.
Esta não foi a primeira vez que o candidato populista prometeu um perdão ao ex-presidente, seu pai. Num comício do Partido Liberal no Rio de Janeiro, no chamado Maracanãzinho, em 22 de agosto, Flávio Bolsonaro defendeu uma “amnistia ampla, geral e irrestrita” para os condenados pelo golpe de Estado e acrescentou que precisava de apoio parlamentar para “libertar Jair Messias Bolsonaro”. Caso não consiga esse apoio, Bolsonaro prometeu conceder um indulto quando for presidente. A amnistia depende do Congresso Nacional e pode extinguir penas de determinados crimes ou condenações, enquanto o indulto é uma prerrogativa presidencial, concedida por decreto, que pode extinguir ou reduzir penas.
O senador respondeu ainda a questões relacionadas com o financiamento do filme “Dark Horse”, uma película que conta a vida do seu pai, e que Flávio terá obtido do banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso por fraude financeira envolvendo milhões de reais. Entre o que disse e o que não se disse, Flávio Bolsonaro reconheceu, de uma vez por todas, que pediu esse dinheiro: “que não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento privado para um filme do próprio pai e alguém que, obviamente, apesar de ser senador, não teve nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para esse investidor”, afirmou.
“Eu não fui buscar dinheiro na Lei Rouanet. Eu não fui buscar dinheiro em recursos públicos. E esse foi um patrocínio que não teve, não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro. É um patrocínio para um filme privado sobre o meu pai”, concluiu o candidato, que acabou por finalmente reconhecer que respeitará o resultado e o processo eleitorais,
“Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições, eu estou a concorrer à Presidência da República e vou ser Presidente da República com essas regras”, prometeu o candidato populista que tem colocado em causa as instituições democráticas brasileiras nas suas intervenções anteriores, como quando criticou o voto eletrónico e o último processo eleitoral ao dizer que as "urnas eletrónicas foram feitas na Venezuela".
No total, as eleições brasileiras de 2026 terão 13 candidatos presidenciais, sendo Lula da Silva e Flávio Bolsonaro os favoritos, segundo as sondagens.
Na última pesquisa divulgada pela DataFolha, em 21 de agosto, Lula lidera com 39% e Flávio aparece com 33% na primeira volta. No segundo turno, Lula tem 47% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 43%. A próxima grande sondagem será divulgada pela Quaest em 2 de setembro.