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Lula e Flávio Bolsonaro mobilizam apoiantes no primeiro dia de campanha sob a sombra da pressão de Trump

Primeira volta das eleições brasileiras está marcada para 4 de outubro
Primeira volta das eleições brasileiras está marcada para 4 de outubro Direitos de autor  AP Photo
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De Joana Mourão Carvalho
Publicado a Últimas notícias
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Lula da Silva e Flávio Bolsonaro deram início à campanha para as eleições presidenciais brasileiras, mobilizando milhares de apoiantes em São Paulo e no Rio de Janeiro, respetivamente, num confronto que promete ser marcado pela forte polarização política e pela influência da administração Trump.

Os dois principais candidatos na corrida presidencial do Brasil iniciaram as suas campanhas no domingo, reunindo apoiantes nos seus bastiões políticos, perante uma eleição que se espera ser renhida em outubro, entre o atual presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.

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Os candidatos já podem apelar ao voto, divulgar as propostas, fazer campanha na internet e realizar eventos, como comícios, desfiles e arruadas, sendo que a propaganda em rádio e televisão só terá início a 28 deste mês.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu-se a mais de 10.000 apoiantes no Estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo,nos arredores de São Paulo, onde alcançou fama política há 47 anos como líder do Sindicato dos Metalúrgicos no final da década de 1970, tendo até sido preso pelo regime militar do país.

O atual chefe de Estado de 80 anos, com um chapéu na cabeça após o diagnóstico de cancro de pele, insistiu que o Brasil precisa de mais das suas políticas. Numa ação com o mote "Brasil pronto para mais", com um discurso que durou pouco mais de meia hora, Lula falou do tempo de operário e recordou obras que cumpriu anteriormente como presidente do país.

O candidato do Partido dos Trabalhadores ecoou comentários anteriores denunciando a interferência estrangeira na política brasileira, acusando o governo dos EUA de tentar impulsionar a proposta de Flávio Bolsonaro com medidas como o aumento das tarifas sobre as exportações brasileiras e a revogação do visto do embaixador brasileiro em Washington.

Lula lançou sua campanha de reeleição no estádio de futebol Vila Euclides, onde na década de 70 fez história como líder sindical
Lula lançou sua campanha de reeleição no estádio de futebol Vila Euclides, onde na década de 70 fez história como líder sindical AP Photo

Falando sobre as vastas reservas de minerais raros do Brasil, Lula disse que "ninguém vai explorar os nossos minerais, somos nós que vamos explorá-los para o benefício do povo brasileiro."

"Queremos extrair aqui, transformar aqui, industrializá-los aqui, produzir aqui, criar empregos aqui e gerar riqueza aqui, porque eu não quero fazer isso com os Estados Unidos, nem com a Rússia, nem com a China, nem com França, nem com a Inglaterra", afirmou.

Já Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, reuniu-se com milhares de eleitores na praia de Copacabana no Rio de Janeiro e abriu o seu discurso comparando-se com o pai e dizendo que Deus tem uma proposta para o Brasil.

"Estou aqui com toda a humildade, aceitando essa missão que o presidente Bolsonaro me passou, porque eu tenho a convicção que há um propósito de Deus para o nosso país", disse.

O pai, sob prisão domiciliária após uma condenação por tentativa de golpe de Estado, não participou no comício.

Usando um colete à prova de bala e camisa verde e amarela, as cores da bandeira brasileira, Flávio Bolsonaro discursou para apoiantes em cima de um camião de som na orla da praia de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, local tradicional das mobilizações dos bolsonaristas.

Foi neste estado que a maior parte dos integrantes da família se iniciou na vida pública: Jair foi deputado federal (1991-2019), Carlos foi vereador (2001-2025) e Flávio foi deputado estadual (2003-2019) e senador (2019-atualmente).

Flávio Bolsonaro deu pontapé de saída da campanha com comício em Copacabana e referências ao pai Jair Bolsonaro
Flávio Bolsonaro deu pontapé de saída da campanha com comício em Copacabana e referências ao pai Jair Bolsonaro AP Photo

Como é habitual nos seus discursos, Flávio Bolsonaro explorou o tema da segurança pública para atacar Lula da Silva e a esquerda, afirmando que a atual gestão "não enfrenta bandidos e assassinos".

O candidato considerou que a população perdeu soberania sobre os próprios bens e patrimónios, alvos de assalto e roubos, e referiu que irá resgatar a soberania do Brasil ao classificar o PCC, o Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas.

Flávio Bolsonaro criticou ainda o aumento da inflação e o endividamento das famílias brasileiras, referindo que "Lula é o caloteiro da esperança" e que está a endividar o país, além de associar escândalos de corrupção ao PT.

No campo da política externa, o senador disse ainda que é o único que tem "credibilidade e capacidade para resgatar a credibilidade do Brasil perante o mundo" e que os eleitores podem escolher "dois caminhos: ou o caminho da prosperidade, ou o caminho das trevas".

No seu discurso, Bolsonaro argumentou que ele é "o único que pode sentar-se com os Estados Unidos, com a China, com Israel, com o Médio Oriente, com a Índia e com a Argentina para fazer os melhores e maiores acordos comerciais" para o Brasil.

Ao comício assistiu o presidente da Argentina, Javier Milei. O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e vários membros da administração Trump expressaram o seu apoio ao canditato do Partido Liberal.

Flávio Bolsonaro, o candidato preferencial do governo dos Estados Unidos?

Nos últimos meses, Trump intensificou a pressão sobre o Brasil, primeiro com as tarifas e depois ao designar os seus dois maiores grupos de crime organizado, o Comando Vermelho e o PCC, como organizações terroristas. Isso acendeu os receios de uma intervenção militar dos EUA em solo brasileiro ou interferência na eleição presidencial do Brasil. No Rio, Flávio Bolsonaro elogiou a decisão de Trump de atacar os grupos criminosos brasileiros.

Por seu lado, Lula acusa os Estados Unidos de usarem a sua política externa e económica para tentar favorecer Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. No final de julho, o governo brasileiro negou vistos de entrada a dois diplomatas americanos do Departamento de Estado, figuras ligadas ao movimento MAGA (Make America Great Again) que planeavam reuniões com líderes religiosos e políticos. As secretas brasileiras suspeitaram que o real objetivo da viagem seria alimentar desconfianças sobre a segurança das urnas eletrónicas e do sistema eleitoral brasileiro antes do escrutínio de outubro.

Enquanto isso, a Casa Branca nega categoricamente as acusações de interferência eleitoral e declarou que respeita o povo brasileiro e trabalhará com quem quer que vença eleições livres e justas.

A bandeira dos EUA marcou presença na abertura da campanha do candidato presidencial da oposição Flavio Bolsonaro na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro
A bandeira dos EUA marcou presença na abertura da campanha do candidato presidencial da oposição Flavio Bolsonaro na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro AP Photo

A primeira volta das eleições no Brasil está maracada para 4 de outubro, com 13 candidatos na corrida pelo lugar no Palácio do Planalto. Caso haja uma segunda volta, dois candidatos voltam a enfrentar-se numa votação final agendada para 25 de outubro.

Atualmente, as principais sondagens de intenção de voto para as eleições gerais no Brasil mostram Flávio Bolsonaro em segundo lugar, ligeiramente atrás de Lula da Silva, que concorre para um quarto mandato.

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