O presidente em exercício e o candidato da direita, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, começaram a campanha eleitoral com comícios simultâneos no estado do Rio de Janeiro. A primeira volta das presidenciais está marcada para 4 de outubro.
O presidente brasileiro Lula da Silva, candidato à reeleição, e o principal rival nas eleições marcadas para outubro, Flávio Bolsonaro, deram início à campanha num dos mais importantes terrenos de batalha: o estado do Rio de Janeiro.
Enquanto Lula escolheu o Estádio Moça Bonita, em Bangu, na zona oeste do Rio, o candidato da direita e filho do antigo presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe, escolheu o emblemático Maracanãzinho.
Lula: "Prefiro investir na educação do que em prisões"
Apesar do fosso de diferenças que separam os dois candidatos, o tema da segurança esteve omnipresente no discurso dos dois candidatos, num estado em que uma grande parte da população vive sob controlo de grupos criminosos armados. Lula prometeu "libertar" as pessoas dos bandidos, defendendo o seu plano de segurança e apostando na educação: "Ou investimos na educação hoje ou investimos em prisões amanhã; eu prefiro investir na educação", disse o presidente, que procura, aos 80 anos, um inédito quarto mandato no Palácio do Planalto.
Lula pretende criar um Ministério da Segurança Pública e uma força policial federal especial com a missão de recuperar os territórios atualmente controlados por fações armadas violentas e milícias que combatem essas fações à margem do Estado: "Não vamos matar 100 ou 200. Vamos detê-los e dizer: a rua é do povo e não dos bandidos", afirmou Lula.
Bolsonaro: Guerra aos grupos armados
À mesma hora, no sábado, Flávio Bolsonaro declarou guerra aos grupos armados, como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, e prometeu classificá-los como organizações terroristas, à semelhança do que fez o presidente norte-americano Donald Trump. Acrescentou que não recua, apesar de já ter recebido "mais de duas mil ameaças de morte". Em relação ao opositor, disse que "o país não aguenta mais quatro anos de governo do Partido dos Trabalhadores (PT)".
Flávio é o filho mais velho de Jair Bolsonaro, que presidiu o Brasil entre 2019 e 2023, com um mandato marcado pela pandemia de Covid-19 que matou mais de 700 mil pessoas no país, sendo o presidente contra a vacinação.
O ex-presidente está atualmente preso, acusado da autoria moral das invasões dos edifícios governamentais a 8 de janeiro de 2023, numa tentativa de reverter a eleição de Lula.
O presidente em exercício lidera as sondagens, nomeadamente a mais recente da Datafolha que dá a Lula uma vantagem de seis pontos, com 39% contra 33% de Bolsonaro. Numa eventual segunda volta, Lula ganharia com 47% contra 43%.
As eleições estão marcadas para o dia 4 de outubro. Uma eventual segunda volta terá lugar no dia 25 do mesmo mês.