Os passageiros relatam ter corrido para a cabina de pilotagem e lutado pelo controlo após o avião cair abruptamente, perdendo cerca de 5.000 metros de altitude em menos de um minuto, segundo o site Flightradar24.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu na quinta-feira que o Irão será “atingido de forma muito dura” se for encontrado algum vínculo entre o país e o ataque de um piloto a um voo da flydubai com destino a Israel.
Os passageiros ajudaram a impedir que o avião se despenhasse, forçando uma aterragem de emergência na Arábia Saudita, antes de a maioria dos passageiros israelitas ser levada para casa, onde recebeu uma receção de heróis.
O aviso de Trump surgiu numa altura em que os Emirados Árabes Unidos abriram uma investigação para determinar se o incidente está ligado ao terrorismo, enquanto o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o suspeito tinha sido alvo de “indoutrinação islamista radical”.
“Diria que a resposta, com base no que estou a ouvir, é sim, mas estamos a trabalhar nisso neste momento”, declarou Trump aos jornalistas, quando questionado na Casa Branca sobre se o Irão esteve envolvido no que aconteceu no voo entre o Dubai e Telavive.
À pergunta sobre se os Estados Unidos retaliariam contra o Irão caso fosse considerado responsável, Trump respondeu: “Oh, vão ser atingidos de forma muito dura, não se preocupem”.
A ameaça de Trump coincidiu com um reforço mais amplo da presença militar dos EUA na região.
O site Axios noticiou que Washington tinha recentemente destacado baterias adicionais de mísseis Patriot para a Arábia Saudita e o Qatar, para ajudar a proteger instalações energéticas-chave de uma eventual retaliação iraniana.
O meio de comunicação norte-americano adiantou ainda que o porta-aviões USS Theodore Roosevelt e o respetivo grupo de ataque se dirigiam para o Médio Oriente, onde poderão juntar-se a outros dois grupos de porta-aviões dos EUA já estacionados na região.
À medida que aumentava a especulação sobre um possível motivo, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita começaram a reconstruir o que aconteceu na cabina de pilotagem.
A Arábia Saudita informou que o co-piloto foi transferido esta quinta-feira para os Emirados Árabes Unidos, acompanhado por uma “equipa de segurança” local, acrescentando que a investigação inicial indicava que ele atacara o comandante da aeronave.
A alegada agressão desencadeou uma luta pelo controlo do avião antes da aterragem de emergência na Arábia Saudita. Os passageiros foram posteriormente transportados para Israel num voo de substituição.
“Indoutrinação radical”
“Sabemos que foi sujeito a uma indoutrinação islamista radical”, afirmou Netanyahu ao programa televisivo “Fox & Friends”, sem avançar mais pormenores.
“O agressor grita para a tripulação: ‘Matem-me, matem-me’”, disse Netanyahu, acrescentando que estava “claro que era suicida”.
As declarações surgiram depois de o procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos ter afirmado que os investigadores iriam analisar se houve “atividade ou intenção terrorista”.
Netanyahu disse que os Emirados Árabes Unidos liderariam a investigação, com a participação de Israel.
Identificou o co-piloto como cidadão de Omã e garantiu que Israel vai apurar como foi autorizado a trabalhar em voos com destino ao país.
“Temos restrições que determinam que não podem haver pilotos de países que não têm relações diplomáticas com Israel. Obviamente, ele conseguiu contornar isso”, declarou Netanyahu à Fox News.
Netanyahu já antes tinha atribuído ao comandante Smit Machchhar, cidadão indiano, e aos passageiros o mérito de terem evitado uma catástrofe, depois de o co-piloto alegadamente o ter esfaqueado e tentado despenhar o avião.
Passageiros relataram ter corrido para a cabina de pilotagem e uma luta pelo controlo, depois de o avião ter entrado subitamente em queda, perdendo cerca de 17 000 pés de altitude em apenas um minuto, segundo o site Flightradar24.
Responsáveis israelitas qualificaram o incidente como “uma tentativa de ataque terrorista”, embora Netanyahu, numa entrevista anterior à CBS News, não tenha excluído a possibilidade de estar ligado a problemas de saúde mental.
“Durante o voo, à medida que se aproximavam do país, um dos pilotos esfaqueou o outro e, aparentemente, tentou despenhar o avião com todos a bordo”, tinha declarado Netanyahu numa mensagem em vídeo.
Intervenção dos passageiros
Mais tarde, Netanyahu elogiou Machchhar “pela sua coragem extraordinária”.
O embaixador da Índia nos Emirados Árabes Unidos visitou o comandante ferido, tendo a embaixada afirmado que se encontrava “em boa condição de saúde e a recuperar bem”.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, descreveu-o como um “herói”, sublinhando que as suas ações ajudaram a salvar vidas.
A passageira Miryam Shira Ohayon afirmou que o avião estava “praticamente fora de controlo” quando o incidente se desenrolou sobre a Jordânia.
“O co-piloto tentou matar o piloto e, basicamente, executar um ataque suicida contra o avião”, declarou aos jornalistas.
“O aparelho estava realmente a caminho de se despenhar e foi simplesmente a iniciativa de várias pessoas, que dominaram o co-piloto e o neutralizaram, que o impediu”, acrescentou.
A flydubai informou que outra “tripulação da flydubai em serviço e a viajar no voo… efetuou uma aterragem segura” e anunciou a suspensão dos voos para Israel enquanto decorre a investigação.
O presidente israelita, Isaac Herzog, indicou que irá distinguir cinco israelitas que ajudaram a dominar o co-piloto e impediram que o avião se despenhasse.