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Israel diz ter avisado Reino Unido de alegado plano iraniano de ataque contra base da RAF

Um bombardeiro B1 prepara-se para descolar, enquanto agentes da polícia vigiam um controlo perto da base aérea RAF Fairford, em Fairford, 29 setembro 2026
Bombardeiro B1 prepara descolagem enquanto agentes policiais vigiam posto de controlo junto à base aérea RAF Fairford, em Fairford, 29 setembro 2026 -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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Após três dias de investigações, que incluíram o recurso a uma equipa de desativação de bombas, a polícia afirmou na terça-feira que não tinha encontrado explosivos nos veículos, mas que tinha recuperado uma “quantidade de gasolina”.

Israel tinha alertado o Reino Unido de que o Irão planeava um ataque a uma base aérea, afirmou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ao mesmo tempo que criticou o governo britânico por continuar a pressionar a sua administração sobre o tratamento dado aos palestinianos.

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Em entrevista à Fox News, na noite de quarta-feira, Netanyahu disse que Israel avisou Londres sobre o plano pouco antes de o governo de Burnham anunciar sanções a produtos provenientes de colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada, em 8 de setembro.

“Quer ouvir até que ponto as coisas se tornaram absurdas lá e até onde chegou a propaganda anti-Israel?”, disse Netanyahu ao apresentador conservador da cadeia norte-americana, Sean Hannity.

“Fornecemos aos britânicos informações de que ia haver um ataque, um ataque apoiado pelo Irão. E praticamente no dia seguinte impuseram-nos sanções”, afirmou.

Netanyahu passou décadas a alertar para ameaças vindas do regime iraniano controlado por clérigos, por vezes enfrentando cepticismo noutros países.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou na quarta-feira que havia “fortes indícios” de que o Irão estava envolvido em atividade suspeita perto da base aérea RAF Fairford, utilizada por forças norte-americanas na sua guerra contra o Irão.

Primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, discursa durante a 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, 24 de setembro de 2026
Primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, discursa durante a 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, 24 de setembro de 2026 AP Photo

A embaixada do Irão em Londres afirmara anteriormente que “rejeita categoricamente e condena veementemente” as especulações sobre o seu envolvimento no incidente, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, escreveu no X que Burnham estava “a procurar no sítio errado”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também apontou para um possível papel iraniano no incidente, em que um residente relatou ter visto homens mascarados perto de carrinhas que se dirigiam para a base de Fairford.

Desde que assumiu funções no final de julho, Burnham adotou uma posição mais dura em relação a Israel, afirmando que o seu antecessor não fez o suficiente.

Impôs as sanções após uma onda de violência de colonos israelitas na Cisjordânia contra palestinianos, com ataques físicos e atos de vandalismo quase diários.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Ed Miliband, descreveu a violência, que surge numa altura em que Netanyahu promove novos colonatos, como limpeza étnica.

Confusão aumenta

O caso tornou-se ainda mais confuso quando a polícia britânica libertou, sob fiança, cinco cidadãos britânicos detidos no domingo por suspeita de crimes relacionados com explosivos e terrorismo.

Após três dias de investigação, que incluiu a intervenção de uma equipa de desativação de explosivos, a polícia declarou, na terça-feira, não ter encontrado quaisquer explosivos nos veículos, tendo apenas apreendido uma "quantidade de gasolina".

Na quarta-feira, o jornal The Times noticiou que o incidente foi travado após um dos cinco suspeitos ter alertado a polícia por iniciativa própria, antes do grupo ser detido.

O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, e o seu secretário de Estado, Marco Rubio, já tinham indicado que os serviços de informações estavam a par dos suspeitos e que um Estado estrangeiro poderia estar envolvido, mas as autoridades britânicas ainda não se tinham pronunciado.

As especulações sobre um possível envolvimento do Irão ou de outro Estado hostil multiplicaram-se, após Teerão ter alertado anteriormente Londres para não permitir a utilização das suas bases militares por Washington.

Agentes da polícia junto a um posto de controlo perto da base aérea RAF Fairford, em Fairford, 29 de setembro de 2026
Agentes da polícia junto a um posto de controlo perto da base aérea RAF Fairford, em Fairford, 29 de setembro de 2026 AP Photo

O Reino Unido não se juntou aos Estados Unidos e a Israel na guerra contra o Irão, iniciada a 28 de fevereiro, e inicialmente recusou o pedido de Trump para utilizar bases britânicas em ataques ao país.

Mas o então primeiro-ministro, Keir Starmer, acabou por aceitar, em março, que os Estados Unidos utilizassem bases no Reino Unido para aquilo que descreveu como operações “defensivas” contra mísseis iranianos e respectivos locais de lançamento, após ataques iranianos contra interesses britânicos e aliados de Londres no Golfo.

Bombardeiros norte-americanos B-1 e B-52 descolaram de Fairford, a 160 quilómetros a oeste de Londres, para operações no âmbito do conflito com o Irão, sendo esta a única base no território continental britânico usada para esse fim.

Teerão afirma que considera qualquer base utilizada para atacar o seu território um alvo legítimo.

Outras fontes • AFP

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