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Antes da guerra com o Irão e agora: que parte do salário enche um depósito de 50 litros

Posto de combustível mostra preços recorde ao lado de camiões numa autoestrada em Herten, Alemanha, um dia antes do desconto no imposto sobre combustíveis, 30 set. 2026
Posto de combustível exibe preços recorde junto a camiões numa autoestrada em Herten, Alemanha, um dia antes do desconto no imposto sobre combustíveis, 30 de setembro de 2026 -  Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Servet Yanatma
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Um depósito de 50 litros de gasóleo representa 15,4% do salário mínimo mensal bruto na Bulgária, contra 3,8% no Luxemburgo, com a subida dos combustíveis desde o início da guerra no Irão

Encher um depósito de gasóleo de 50 litros já consome 15,4% do salário mínimo bruto mensal da Bulgária, face a 9,9% antes do início da guerra com o Irão, o que evidencia a pressão crescente sobre os trabalhadores nos países europeus com salários mais baixos.

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Os preços dos combustíveis aumentaram significativamente desde que o ataque conjunto israelo-americano ao Irão acabou por bloquear de facto o estreito de Ormuz, rota essencial para a passagem de um quinto do petróleo mundial.

Na UE, o preço médio de venda ao público do gasóleo subiu 40% entre 23 de fevereiro, antes da escalada de tensões no Médio Oriente, e 21 de setembro, segundo o Boletim Petrolífero Semanal da UE.

Os aumentos dos combustíveis têm impacto direto e indireto em muitas pessoas, sobretudo nos trabalhadores com salários baixos e em quem aufere o salário mínimo.

Questionado sobre porque é que os agregados de baixos rendimentos são particularmente afetados, Torsten Müller, investigador sénior no Instituto Sindical Europeu, afirmou ao Euronews Business: “Porque despendem uma parte maior do rendimento em bens essenciais, como habitação, alimentação e transportes, do que os agregados de rendimentos elevados.”

Mas afinal, que percentagem do salário mínimo mensal é necessária para encher um depósito de 50 litros na Europa? E quanto aumentou essa fatia desde o início da guerra?

Em 23 de fevereiro de 2026, o preço médio por litro na UE era de 1,637 euros para gasolina Euro 95 e 1,594 euros para gasóleo. Em 21 de setembro, tinham subido para 2,092 e 2,226 euros, respetivamente. Isto traduz-se em aumentos de 27,8% na gasolina e 39,6% no gasóleo.

A tabela acima apresenta todos os detalhes, incluindo salários mínimos e preços dos combustíveis em 22 países da UE e na Turquia, país candidato à adesão, para estes dois momentos.

A comparação baseia-se nos salários mínimos mensais brutos, antes de impostos e contribuições para a segurança social.

Os salários mínimos mantiveram-se inalterados na maioria dos países neste período, enquanto a Estónia registou o maior aumento na zona euro, de 6,8%, entre o primeiro e o segundo semestre de 2026.

Em alguns países, o aumento do preço da gasolina superou os 30%, enquanto o gasóleo encareceu 50%. Malta foi o único país no comparativo onde os preços dos combustíveis se mantiveram estáveis.

Em 21 de setembro, a percentagem do salário mínimo mensal necessária para encher um depósito de 50 litros de gasolina variava entre 3,3% no Luxemburgo e 13,4% na Bulgária.

Ultrapassava igualmente os 10% na Letónia (12,8%), Turquia (11,5%), Roménia (11,5%), Grécia (10,2%), Chéquia (10,2%), Estónia (10,1%) e Eslováquia (10,1%). Ficava abaixo dos 5% na Irlanda (4,1%) e na Bélgica (4,4%).

Entre as principais economias, a Alemanha registava o valor mais baixo, já que quem recebe o salário mínimo precisava de gastar 5% do rendimento mensal para encher um depósito de 50 litros de gasolina.

Torsten Müller salientou que as grandes diferenças entre países nestas percentagens se explicam, em grande medida, pelas fortes disparidades ao nível dos salários mínimos.

“Um litro de gasóleo é apenas marginalmente mais barato na Bulgária, enquanto o salário mínimo é inferior a um quarto do luxemburguês”, afirmou.

Sublinhou que estas diferenças continuam a ver-se no valor dos salários mínimos em paridades de poder de compra (PPC), que têm em conta as divergências nos níveis de preços. No Luxemburgo, o salário mínimo em PPC é ainda o dobro do da Bulgária.

Os trabalhadores em países com salários mínimos mais baixos enfrentam um encargo maior, já que agora têm de afetar uma fatia mais elevada do ordenado aos combustíveis do que antes do conflito. Na Bulgária, por exemplo, a percentagem aumentou 3,6 pontos percentuais na gasolina, seguida da Turquia (3,1) e da Letónia (3).

Encher o depósito consome mais de 10% do salário mínimo mensal

Um depósito de gasóleo de 50 litros representa uma fatia maior do salário mínimo mensal nos países onde o gasóleo é mais caro por litro do que a gasolina. A percentagem necessária para encher um depósito de 50 litros de gasóleo variava entre 3,8% no Luxemburgo e 15,4% na Bulgária.

“Quando o custo médio da renda já ultrapassa um terço do salário mínimo, gastar mais 15% de todo o salário em combustível simplesmente não é viável”, afirmou Esther Lynch, secretária-geral da Confederação Europeia de Sindicatos, ao Euronews Business.

Alertou que muitas pessoas serão forçadas a deixar o emprego, sobretudo em zonas sem ligações fiáveis de transportes públicos. Acrescentou que tal será negativo tanto para os trabalhadores como para as empresas, que já enfrentam escassez de mão de obra.

A hierarquia entre países é, em linhas gerais, semelhante no gasóleo. Quem recebe o salário mínimo tem de reservar mais de 10% do ordenado mensal para encher um depósito de 50 litros em vários países. A percentagem é de 13,9% na Letónia, 13,8% na Turquia, 12,7% na Roménia, 11,2% na Chéquia e na Estónia, 10,8% na Hungria, 10,4% na Grécia e 10,3% em Portugal.

Na Irlanda (4,3%), Alemanha (5,2%), Bélgica (5,3%) e Países Baixos (5,5%), os trabalhadores precisavam de afetar das menores fatias do salário mínimo para encher um depósito.

Onde é que o salário mínimo permite comprar mais combustível?

Os dois gráficos acima, para gasolina e gasóleo, mostram também quanta gasolina ou gasóleo pode ser comprado com um salário mínimo mensal em cada país. Quanto menor a percentagem necessária para encher um depósito de 50 litros, mais combustível compra o salário mínimo; quanto maior, menos compra.

Por exemplo, em 21 de setembro, um trabalhador com salário mínimo podia comprar 324 litros de gasóleo na Bulgária, contra 1 311 litros no Luxemburgo.

Custos dos combustíveis atingem sobretudo países da Europa Central e de Leste

Face a fevereiro, as percentagens necessárias para encher um depósito de gasóleo aumentaram de forma acentuada na Bulgária (mais 5,5 pontos percentuais) e na Turquia (mais 5,3 pontos percentuais). Trabalhadores na Letónia, Chéquia e Estónia também foram fortemente afetados pela inflação dos combustíveis, já que a fatia do salário mínimo necessária para um depósito cresceu mais de 3 pontos percentuais.

Apontando para o fosso salarial entre os países da Europa Ocidental e os da Europa Central e de Leste, Müller afirmou que é sobretudo nestes últimos que quem ganha o salário mínimo tem de gastar a maior parte do rendimento em gasolina.

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