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Primeiro-ministro português detalha plano contra aumento do custo de vida, sem mexer no IVA

Luís Montenegro numa imagem de arquivo
Luís Montenegro numa imagem de arquivo Direitos de autor  AP Photo/Harry Nakos
Direitos de autor AP Photo/Harry Nakos
De Lina Ferreira
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Luís Montenegro diz que a situação atual pode prolongar-se. Mas, ao contrário de outros países europeus, não vai descer o imposto de consumo.

“Aqui estou a dar a cara”, disse o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, numa comunicação ao país na noite de quinta-feira. O discurso, à hora dos principais telejornais, serviu para elencar as medidas contra o custo de vida, em particular espoletadas pelo aumento dos combustíveis.

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Algumas decisões do plano já eram conhecidas. É o caso do bónus das pensões e da descida dos escalões do IRS, anunciados a semana passada no Parlamento, quando o Governo sobreviveu a uma moção de censura. Mas foram agora formalizadas em Conselho de Ministros.

Montenegro explicou como vai ser aplicado o bónus das pensões: 200 euros para pensões para até 537 euros; 150 euros para pensões até 1.704 euros e 100 euros para pensões até 1.611 euros. O valor vai ser pago em dezembro.

O Conselho de Ministros também aprovou a descida de seis escalões de IRS, com os restantes também afetados devido à progressividade do imposto. Uma medida que, segundo Montenegro, se dirige sobretudo aos “agregados familiares da classe média”.

À mesma hora, o portal do Governo publicava a tabela dos descontos do IRS, com simulações. Mas esta é ainda uma proposta de lei, que tem de ser aprovada na Assembleia da República

Sobre o aumento dos combustíveis, a principal estratégia vai continuar a ser o desconto no imposto sobre produtos petrolíferos (ISP). Montenegro diz que o desconto vai manter-se até ao fim do ano, numa redução total de cerca de 1.300 milhões de euros.

O primeiro-ministro adiantou também que este desconto “provavelmente subirá para 25 cêntimos já na próxima semana”, dos atuais 23 cêntimos, numa antecipação de novas subidas do combustível.

O Governo vai também voltar a apoiar setores mais expostos ao aumento dos combustíveis, num total de 38 milhões de euros. Este apoio inclui os táxis, transportes de mercadorias, instituições de solidariedade social, associações de bombeiros e agricultores. Mantém-se também o programa da botija de gás solidária.

O Governo inclui neste pacote o alargamento do passe ferroviário verde às zonas urbanas de Lisboa e do Porto. O passe, de 20 euros mensais, permite usar todas a linhas ferroviárias, menos o Alfa Pendular.

Governo não toca no IVA

O discurso serviu também para Luís Montenegro dizer o que não vai fazer: mexer no imposto sobre o consumo, o IVA.

“Não troco a passagem do IVA de alguns alimentos de 6% para zero pelos 800 milhões de euros que estamos a devolver às famílias em sede do IRS e no suplemento das pensões”, disse o primeiro-ministro português.

A medida tem vindo a ser reclamada pelo Partido Socialista (PS, de centro-esquerda) e pelo Chega (de extrema-direita). Esta tem também sido a estratégia de vários países europeus para combater o aumento do custo de vida.

“Tenho todo o respeito pelas escolhas das oposições e pelas escolhas dos meus colegas chefes do Governo da União Europeia”, disse Montenegro. “Não troco a nossa política fiscal e financeira pela de outros países, mesmo aqueles que nos são mais próximos, como a Espanha, a França ou a Itália

O caso espanhol é particularmente relevante para Portugal. O combustível em Espanha é mais barato, levando a que consumidores em Portugal atravessem a fronteira a para abastecer.

Para defender estas opções, Montenegro falou várias vezes no passado durante o seu discurso à naçao, numa referência ao programa de resgate internacional de que o país foi alvo.

“Não contem comigo, nem com o Governo, para ilusões hoje que sejam pesados preços a apagar amanhã”, disse.

Luís Montenegro também deixou claro que “a situação pode prolongar-se”. De manhã, numa conferência, tinha criticado o caminho “estúpido” do conflito no Médio Oriente.

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