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Carney saúda aliança UE-Canadá, mas define limites à adesão e à soberania

Primeiro-ministro canadiano Mark Carney acena à chegada ao Hemiciclo do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França
O primeiro-ministro canadiano Mark Carney acena à chegada ao Hemiciclo do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França Direitos de autor  AP Photo/Justin Tang
Direitos de autor AP Photo/Justin Tang
De Luca Bertuzzi
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O primeiro-ministro canadiano Carney saudou o convite para se tornar o primeiro “membro associado” da União Europeia, mas sublinhou que o objetivo não é tornar-se membro de pleno direito nem ceder soberania.

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, saudou o convite da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para o Canadá se tornar o primeiro “membro associado” da UE, embora com algumas reservas.

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No seu discurso sobre o Estado da União, proferido na quarta-feira, von der Leyen lançou a ideia deste enquadramento inédito, que ainda não está totalmente definido.

No seu próprio discurso perante o Parlamento Europeu, Carney saudou a iniciativa, apontando para sondagens de opinião que mostram que uma esmagadora maioria dos canadianos defende laços muito mais estreitos com Bruxelas. Ao mesmo tempo, definiu alguns limites quanto ao grau de compromisso a que Otava está disposta a chegar.

“O Canadá não está em posição, nem procura tornar-se membro de pleno direito da União Europeia”, afirmou. “Trata-se, portanto, de um enquadramento diferente, adequado a um país que partilha laços profundos com a Europa.”

Questionado após o discurso sobre se se sentia confortável com essa formulação, observou que “a nomenclatura exata é uma questão para a Europa”, defendendo que o que importa é o conteúdo.

Ao mesmo tempo, Carney pareceu também traçar uma linha para qualquer eventual cedência de soberania por parte do Canadá, insistindo que “procuramos parcerias complementares, que reforcem a nossa soberania”.

O Canadá está envolvido numa guerra comercial com os Estados Unidos depois do colapso das negociações de um acordo bilateral. Em resposta, Carney tem procurado estreitar relações com Bruxelas, que vê como um modelo a seguir por outras democracias.

Durante o discurso perante os eurodeputados em Estrasburgo, assinalou o que considera serem áreas com potencial para aprofundar a cooperação com a UE, como minerais críticos, capacidade industrial de defesa, inteligência artificial e capacidade de computação, segurança energética, espaço e pagamentos.

“Uma aliança não se define pelo que combatemos, mas pelo que defendemos: liberdade, solidariedade, prosperidade, sustentabilidade. Uma aliança que cria resiliência pelo que nos permite fazer pelos nossos cidadãos, e pelos nossos cidadãos fazerem por si próprios”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, sublinhou que não pretende formar um terceiro bloco “com melhores maneiras” para entrar na rivalidade entre grandes potências.

“Não procuramos poder para dominar outros. Pelo contrário, perseguimos resiliência para que ninguém possa controlar os nossos mercados abertos, comprometer a nossa soberania, ameaçar a nossa integridade territorial ou minar as nossas liberdades, as nossas democracias, o nosso Estado de direito.”

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