Legisladores dos EUA aprovaram sanções contra a economia russa e o círculo de Putin, e Trump deverá assinar lei que impõe tarifas altas a compradores de petróleo russo, como a China e a Índia.
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, na quarta-feira, um novo pacote significativo de sanções contra a Rússia, abrindo caminho para que o presidente Donald Trump o assine e transforme na mais importante iniciativa legislativa norte-americana contra Moscovo desde o seu regresso à Casa Branca.
Os deputados aprovaram a medida por 262 votos contra 159, depois de o Senado lhe ter dado, no mês passado, uma aprovação esmagadora, por 86 votos contra 11. Trump já indicou que a vai assinar.
As sanções visam os sectores energético e da defesa russos, o presidente Vladimir Putin e altos responsáveis que o rodeiam, bem como a chamada “frota fantasma” de petroleiros que Moscovo utiliza para contornar as atuais restrições ocidentais.
Num ponto crucial para os mercados energéticos globais, o projeto de lei confere ainda a Trump poderes para impor tarifas até 100% aos países que continuem a comprar grandes volumes de petróleo e gás russos, uma medida dirigida em particular à China e à Índia, dois dos maiores clientes que Moscovo ainda mantém.
Essa disposição sobre tarifas revelou-se polémica, mesmo entre os apoiantes da Ucrânia em Washington. Alguns democratas, embora defendam uma linha mais dura contra a Rússia, opõem-se a conceder ao presidente uma autoridade tão ampla sobre a política comercial.
Gregory Meeks, o democrata de topo na Comissão de Negócios Estrangeiros da Câmara, criticou a redação do projeto, argumentando que o mesmo dá prioridade aos poderes tarifários do presidente em detrimento de compromissos vinculativos em matéria de sanções. Disse que teria apoiado a legislação se as medidas tarifárias tivessem sido retiradas, mas os republicanos bloquearam as tentativas de as alterar.
Apesar destas reservas, a maioria dos democratas acabou por votar a favor, enquanto um pequeno número de republicanos se opôs em nome do livre mercado. Os defensores da medida afirmam que é preciso aumentar a pressão numa altura em que a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia entra no quinto ano sem que se vislumbre um cessar-fogo.
Índia mantém-se firme enquanto Kiev saúda projeto de lei
A votação coincidiu com ataques com drones russos contra transportes civis no sul da Ucrânia, na quarta-feira, que, segundo responsáveis em Kiev, causaram cinco mortos, um ataque que acrescentou urgência aos apelos de ativistas pró-Ucrânia para a aprovação do projeto.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pressionou diretamente o Congresso para aprovar as sanções, defendendo que só uma pressão económica prolongada poderá empurrar Moscovo para negociações. Falando em Washington, em julho, afirmou que a Rússia está a perder cerca de 30 mil soldados por mês, mas não dá sinais de querer pôr fim à guerra, acrescentando que a iniciativa no campo de batalha já escapou ao controlo de Putin.
A Índia respondeu na quinta-feira, sinalizando que não irá mudar de rumo e afirmando que continuará a comprar petróleo russo “através de fontes diversificadas e com base na evolução da dinâmica de mercado”.
A Rússia continua a ser um dos parceiros estratégicos e militares mais importantes da Índia, o que complica os esforços de Washington para isolar economicamente Moscovo.
A legislação visa também empresas e entidades estrangeiras que apoiem o esforço militar russo e alarga sanções já existentes relacionadas com o Irão. Surge após mais de um ano de atrasos, refletindo a preferência geral de Trump por manter controlo pessoal sobre sanções e tarifas, em vez de o delegar no Congresso.
Grupos de defesa da Ucrânia saudaram a aprovação do projeto, mas apelaram a uma aplicação rápida. “Assim que o projeto for rapidamente assinado e se tornar lei, esperamos uma forte aplicação por parte dos Estados Unidos para pôr fim, de uma vez, aos fluxos de dinheiro para o tesouro de guerra do Kremlin”, declarou Svitlana Romanko, do grupo de pressão no setor energético Razom We Stand.
“Cada dia de atraso é um dia em que, na Ucrânia, temos de enterrar mais pessoas.”