Homem russo de 68 anos nadou pelo rio Nemunas desde o enclave de Kaliningrado, na Rússia, até à vizinha Lituânia para pedir asilo, mas foi devolvido à Rússia.
Um cidadão russo de 68 anos, que nadou por rio do exclave russo no mar Báltico de Kaliningrad até à Lituânia, foi intercetado por guardas de fronteira na margem do rio na tarde de quinta-feira e reenviado sem que lhe fosse concedido asilo.
“Após a travessia a nado, foram-lhe fornecidas roupas secas”, disse à Euronews o serviço de imprensa do Serviço Estatal de Guarda de Fronteira da Lituânia. “Mais detalhes sobre a sua deslocação, como a distância exata percorrida, o percurso ou o tempo que passou na água, não podem, para já, ser disponibilizados.”
O homem terá dito às autoridades lituanas que fugia da Rússia devido a perseguição relacionada com a sua atividade nas redes sociais, segundo o portal noticioso Lrytas.
Mas, depois de analisarem as circunstâncias, as informações "incoerentes" fornecidas pelo homem e a “informação relativa à ameaça representada por esta pessoa caso entrasse na UE”, as autoridades lituanas decidiram devolvê-lo, disse ao Lrytas o porta-voz do Serviço Estatal de Guarda de Fronteira da Lituânia, Giedrius Mišutis.
É raro que pessoas tentem entrar na Lituânia a partir da Rússia nadando pelo Nemunas. Ainda assim, os guardas de fronteira lituanos monitorizam de forma contínua esse troço do rio com equipamento técnico de vigilância, o que permite detetar e responder de imediato a tais incidentes, acrescentou o serviço.
O incidente ocorre numa altura em que o Estado báltico funciona sob pressão acrescida de segurança ao longo da fronteira oriental da União Europeia: a Lituânia faz fronteira com a Bielorrússia, aliada próxima da Rússia, e com o exclave russo fortemente militarizado de Kaliningrado.
O país registou várias incursões de drones, a mais recente na segunda-feira, quando um caça da NATO abateu um drone após este ter entrado no espaço aéreo lituano vindo da Bielorrússia.
Desde 2021, Vilnius tem igualmente lidado com aquilo que a UE descreve como uma instrumentalização da migração por parte da Bielorrússia e da Rússia, depois de milhares de migrantes terem sido encaminhados para as fronteiras orientais do bloco. Isso levou a Lituânia a reforçar a vigilância, as infraestruturas de fronteira e o número de efetivos ao longo da sua linha de fronteira.