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Ryanair: 85 quedas nas escadas integradas do Boeing 737 em três anos, revela estudo da ANSV

Foto de arquivo de terça-feira, 21 de julho de 2009: aviões da Ryanair no aeroporto de Stansted, em Inglaterra. (AP Photo/Matt Dunham)
Foto de arquivo de terça-feira, 21 de julho de 2009: aviões da Ryanair no aeroporto de Stansted, em Inglaterra. (AP Photo/Matt Dunham) Direitos de autor  Copyright 2016 The Associated Press. All rights reserved.
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De Arnold Koka
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Um estudo analisa 104 quedas em Itália entre 2023 e 2025: 85 envolveram viajantes que usavam a escada integrada dos Boeing 737. Mas, segundo as análises, o fator determinante é a distração dos passageiros

No Boeing 737 da Ryanair esconde‑se um risco logo à saída da porta. É a escada retrátil integrada de bordo.

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Os passageiros que a utilizaram enfrentaram um risco de queda claramente superior em comparação com quem usa as escadas fornecidas pelos aeroportos. É essa a conclusão de um estudo (fonte em italiano) da Agência Nacional para a Segurança de Voo (ANSV), publicado em agosto de 2026.

O estudo analisou as quedas reportadas em Itália nas fases de embarque e desembarque entre 2023 e 2025. De 104 ocorrências, 85 envolveram passageiros que utilizaram a escada integrada dianteira dos Boeing 737. Representam 82 por cento dos casos, indicou o Corriere della Sera. (fonte em italiano)

A dimensão destes números torna‑se ainda mais clara quando comparada com o total de viajantes. A companhia aérea irlandesa transportou, no mesmo período, cerca de 27 por cento do total de passageiros em Itália. Os restantes operadores, que representam 73 por cento, registaram 19 quedas.

Os números não se limitam a Itália. Desde 2021, a Ryanair registou 489 quedas em escadas, das quais 360 (o 73 por cento) na escada integrada do Boeing 737. Segundo a ANSV, trata‑se do triplo das quedas em comparação com as registadas nas plataformas aeroportuárias.

Para registar e analisar os incidentes, a ANSV utilizou o sistema ECCAIRS, a plataforma digital gerida pela Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA). O sistema recolhe e analisa dados sobre a segurança aérea provenientes dos países da UE.

Porque é que a escada do Boeing 737 da Ryanair está ligada a mais quedas

Nas operações de desembarque, as companhias aéreas costumam alugar escadas móveis aos aeroportos. O Boeing 737 da Ryanair dispõe, em alternativa, de um sistema integrado que pode ser acionado na posição de estacionamento, permitindo o desembarque dos passageiros sem recorrer ao serviço das handler aeroportuárias. Isto reduz o tempo de desembarque e os custos dos serviços em terra.

A escada integrada é composta por 12 degraus, com cerca de 61 centímetros de largura e 20 de altura, uma superfície de apoio de 25 centímetros e uma inclinação de 35 graus.

Segundo a investigação da ANSV, as dimensões situam‑se nos “limites de altura dos degraus e inclinação” em comparação com as escadas dos operadores aeroportuários, “que têm degraus mais baixos e, habitualmente, menor inclinação, plataforma e superfície de apoio consideravelmente maiores”.

Além disso, “o primeiro degrau” da escada “é assimétrico para o passageiro na fase de descida, devido à configuração da fuselagem em relação ao degrau.

De acordo com a autoridade irlandesa para a segurança aérea (AAIU), a legislação europeia não impõe requisitos sobre as dimensões das escadas integradas, por não serem consideradas críticas para as operações de voo.

O estudo da ANSV partiu de três incidentes (fonte em italiano) ocorridos em Génova, Veneza e Bolonha, em que três pessoas sofreram “lesões graves”.

Em Génova, em 22 de março de 2025, uma pessoa foi transportada de ambulância para o hospital após uma queda, ocorrida “muito provavelmente devido à desatenção do passageiro”, lê‑se nos relatórios da ANSV.

Dois dias depois, em Veneza, outro passageiro sofreu lesões graves após cair da escada integrada. Segundo a tripulação, transportava duas malas e não se segurava ao corrimão. Também no incidente de Bolonha o passageiro caiu enquanto levava duas bagagens.

Após estes incidentes, a Ryanair atualizou o protocolo de desembarque e, desde 23 de julho, a tripulação repete o aviso para usar o corrimão também na língua do país de origem e de destino.

O problema da escada integrada do Boeing 737 já tinha sido analisado pelas autoridades de segurança aérea da Irlanda e de Espanha (CIAIAC), após quedas ocorridas em 2021 em Dublin e em 2024 em Alicante.

Após esses casos, a autoridade espanhola convidou a Boeing a redesenhar a escada, reduzindo a inclinação e ampliando a superfície dos degraus. A CIAIAC também apelou à Ryanair para abandonar o uso do sistema integrado e recorrer apenas a escadas fornecidas pelos operadores aeroportuários.

Nenhuma das investigações realizadas até agora concluiu que o sistema seja defeituoso. A ANSV fez suas as recomendações espanholas dirigidas à Boeing e à Ryanair, mas atribuiu as quedas ao fator humano, como desatenção e não utilização do corrimão.

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