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Família portuguesa morre no sismo da Venezuela e faz crescer o balanço de vítimas

Residentes de La Guaira durante a busca por desaparecidos
Residentes de La Guaira durante a busca por desaparecidos Direitos de autor  AP Photo/Matias Delacroix
Direitos de autor AP Photo/Matias Delacroix
De Ricardo Figueira
Publicado a Últimas notícias
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O emigrante português Manuel Sardinha confirmou a um canal português de televisão que as duas noras, uma neta e outros três familiares foram encontrados sem vida nos escombros.

Há pelo menos mais seis vítimas mortais a juntar à lista de 28 portugueses e lusodescendentes mortos como consequência dos dois sismos que abalaram a Venezuela, anunciados na sexta-feira pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.

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As seis novas mortes a lamentar, ainda não contabilizadas oficialmente, são seis familiares próximos de Manuel Sardinha, um emigrante português que falou na tarde de sexta ao canal Sic Notícias e deu o relato emocionado de como as duas noras, a neta e outros três parentes se encontravam sob os escombros da casa onde viviam e onde a família estava reunida para celebrar o São João.

Sardinha contactou mais tarde o canal para confirmar a morte dos seis familiares. Um dos filhos foi resgatado com vida dos escombros. Já o outro filho e o próprio Manuel salvaram-se por estarem a trabalhar no momento dos abalos.

Quanto ao balanço oficial, mantém-se nos 929 mortos, embora se tema que o número real de vítimas seja várias vezes superior. Um site criado por pessoas da oposição ao regime agora personificado por Dercy Rodríguez dá conta de mais de 54 mil pessoas que continuam incontactáveis. Mais de 12 mil das quase 67 mil dadas como desaparecidas foram entretanto localizadas. Os dois sismos, de 7,2 e 7,5 graus na escala de Richter, atingiram a zona da capital venezuelana, Caracas, em particular o estado vizinho de La Guaira e a cidade com o mesmo nome.

Interior de uma casa destruída pelo terramoto em Catia La Mar
Interior de uma casa destruída pelo terramoto em Catia La Mar Fernando Vergara/AP

Portugal envia operacionais e ajuda humanitária

Portugal está a enviar vários socorros para a Venezuela. Esta sexta-feira, descolaram de Beja dois primeiros aviões da Força Aérea com 64 pessoas, incluindo elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS) da Guarda Nacional Republicana, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), e ainda 23 toneladas de ajuda humanitária, incluindo "equipamentos de proteção individual, material de busca e salvamento, equipamento médico, medicamentos, tendas, geradores e bens alimentares.

As regiões autónomas dos Açores e da Madeira vão também enviar uma força conjunta, incluindo socorristas, bombeiros e médicos. A Madeira é de onde é originária a maior parte dos cidadãos portugueses residentes da Venezuela.

A presidente interina Delcy Rodríguez falou na sexta-feira à noite e disse que a prioridade está erm resgatar os vivos: "o processo de resgate das pessoas que ainda estão vivas é a nossa prioridade, tanto para as equipas de resgate venezuelanas como para a Proteção Civil e outros corpos". Os Estados Unidos suspenderam temporariamente as sanções à Venezuela para permitir o envio de ajuda.

Militares franceses embarcam para a Venezuela para participarem nas operações de socorro
Militares franceses embarcam para a Venezuela para participarem nas operações de socorro Miguel Medina/Pool via AP

O presidente português António José Seguro reuniu-se com a comunidade portuguesa do estado norte-americano da Flórida, incluindo vários luso-venezuelanos, a quem exprimiu preocupação com o desenrolar das operações e condolências pelos mortos: "Que encontrem todos vós, e sobretudo aqueles que vivem ainda momentos de angústia, e em particular aqueles que vivem momentos de perda, força e coragem para enfrentar esta tragédia", disse o chefe de Estado, que está nos EUA para acompanhar o Mundial de futebol, com Portugal a defrontar a Colômbia esta madrugada. Seguro pediu ainda um minuto de silêncio pelas vítimas.

Itália acompanha também com atenção o desenrolar dos acontecimentos, com 42 ítalo-venezuelanos desaparecidos. O país enviou uma equipa de 100 socorristas e cerca de 5 mil euros em ajuda. Ao todo, 17 países enviaram ajuda.

Novo sismo

A Venezuela foi, entretanto, abalada por um novo sismo na noite de sexta-feira. Desta vez, teve uma magnitude de 4,9 graus na escala de Richter e atingiu o estado de Aragua. Desconhece-se se se trata de uma réplica dos sismos de quarta-feira ou de um evento independente. O novo sismo, cujas consequências estão por apurar, foi sentido na capital venezuelana, a cerca de 86 quilómetros de Aragua, e aconteceu a uma profundidade de 10 quilómetros.

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