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"Uma vergonha para Portugal": embaixador de Israel pede cancelamento de concerto de Kanye West no Algarve

Ye, o rapper anteriormente conhecido como Kanye West
Ye, o rapper anteriormente conhecido como Kanye West Direitos de autor  Foto AP/Mouneb Taim
Direitos de autor Foto AP/Mouneb Taim
De Catarina Martins
Publicado a Últimas notícias
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Embaixada de Israel em Portugal acusa Kanye West de promover discurso de ódio e pede o cancelamento do concerto em Portugal, marcado para esta sexta-feira, como forma de rejeitar o antissemitismo e a glorificação do nazismo.

A Embaixada de Israel em Portugal criticou o concerto de Kanye West, marcado para esta sexta-feira, 7 de agosto, no Algarve, e defendeu o cancelamento do espetáculo, devido às declarações públicas do artista consideradas antissemitas e de apoio a Adolf Hitler e ao nazismo.

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"Alguém que glorificou Hitler, promoveu o antissemitismo e afirmou que a escravatura foi uma escolha, uma frase que ofendeu profundamente milhões de descendentes das vítimas da escravatura. Isto não é provocação, é discurso de ódio", condena o embaixador Oren Rozenblat, num vídeo publicado nas redes sociais.

Num comunicado, o embaixador recordou declarações do músico, nas quais afirmou "gostar de Hitler" e ser "um nazi", acusando-o de glorificar o regime nazi, promover o antissemitismo e ofender comunidades afetadas pelo racismo e pela escravatura. A embaixada argumenta que estas declarações ultrapassam os limites da provocação e constituem discurso de ódio.

Rozenblat ressalta que outros países já tomaram medidas contra atuações ou entradas do artista nos seus territórios, defendendo que "uma sociedade democrática não deve dar palco a alguém que glorifica Hitler, promove o nazismo e defende o antissemitismo".

A Embaixada de Israel em Portugal afirma ainda que pediu ao presidente da Câmara de Faro o cancelamento do concerto e apela aos cidadãos para não assistirem ao espetáculo, considerando que a realização do espetáculo seria "vergonha para Portugal e para os portugueses".

Comprariam um bilhete para um artista que promovesse o ódio contra pessoas negras, contra muçulmanos, contra cristãos ou contra pessoas LGBT? Se a resposta é não, porque razão deveria ser diferente quando o alvo são os judeus?
Embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat

O embaixador de Israel em Portugal sublinha que a questão não está relacionada com posições sobre Israel, mas com o que considera serem declarações de ódio contra judeus.

Questiona ainda se os portugueses comprariam bilhetes para um artista que promovesse ataques contra outras comunidades, como pessoas negras, muçulmanas, cristãs ou LGBT, defendendo que o mesmo princípio deve aplicar-se ao antissemitismo.

“Um não tema”

Torcato Jorge, CEO e cofundador da Raya Culture, organizadora do evento, afirmou, anteriormente em entrevista à Euronews, que o cancelamento do concerto de Kanye West é “um não tema”, motivado por “desinformação”.

“É um evento de música que vai acontecer. Tornar-se-ia um tema se os serviços identificassem uma ameaça nacional à ordem pública, o que não é o caso”, reitera.

O organizador mostrou-se confiante de que existem todas as condições para o concerto se realizar e afirma que a organização cumpriu a lei desde o primeiro dia. “O SIS não identificou o artista, ou neste caso o cidadão norte-americano, como uma ameaça nacional ou um terrorista”, relembra. “Tem de haver um relatório de segurança interna do Estado que diga que este cidadão não pode entrar no país”, acrescenta.

À Euronews, o CEO admite que a questão se está a transformar “num tema político”. “Cada país é livre de decidir se permite ou não a entrada de um cidadão mas, na União Europeia, não houve nenhum país que tenha vetado a sua entrada em território nacional”.

Declarações polémicas e concertos cancelados

Nos últimos anos, Kanye West tem estado no centro de várias controvérsias internacionais, sobretudo devido a declarações consideradas antissemitas e a comportamentos polémicos, incluindo episódios associados a atitudes sexistas, como o caso envolvendo a mulher, Bianca Censori, nos Grammys.

Apesar de ter pedido desculpa por algumas declarações, a digressão europeia do rapper, que também assume o nome artístico Ye, tem enfrentado dificuldades, com concertos cancelados em vários países.

No Reino Unido, três atuações no festival Wireless, previstas para julho, foram canceladas depois de o país revogar a autorização de entrada do rapper. Em França, o próprio artista adiou o concerto previsto para Marselha após críticas das autoridades locais.

Também a Polónia cancelou um espetáculo marcado para junho, alegando motivos legais e formais, depois de críticas da ministra da Cultura às declarações antissemitas do rapper. Na Suíça, o FC Basel decidiu não avançar com um concerto previsto no seu estádio, afirmando que não pretendia dar uma plataforma ao artista.

Em Itália, Kanye West viu também um concerto cancelado. O espetáculo, previsto para julho em Reggio Emilia, foi interditado pelas autoridades locais devido a preocupações relacionadas com a segurança e a ordem pública, nomeadamente pelo potencial para protestos e distúrbios. Também o rapper Travis Scott teve um concerto cancelado na mesma cidade italiana.

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