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Segurança no Mar Vermelho: Kallas escreve aos 27 para reforçar missão UE contra ameaça dos Houthi

Navios de guerra da missão Aspides da UE em operação no mar Vermelho em 2024
Navios de guerra da missão Aspides da UE operam no mar Vermelho em 2024 Direitos de autor  European Union's Operation Aspides via AP
Direitos de autor European Union's Operation Aspides via AP
De Gabriele Barbati
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A UE pondera reforçar a missão Aspides no mar Vermelho após o pedido de Itália: a Alta Representante Kaja Kallas solicitou navios e aviões para proteger Bab el-Mandeb dos ataques a partir do Iémen.

A hipótese de reforçar a missão Aspides no mar Vermelho chegou esta segunda-feira à mesa dos governos dos 27, através de uma carta de Kaja Kallas, datada de 19 de setembro, que seguia outra enviada pelo ministro italiano da Defesa, Guido Crosetto, à Alta Representante para a Política Externa da UE.

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“Precisamos de mais meios navais e aéreos, devidamente equipados”, incluindo maiores capacidades para garantir a “proteção de proximidade”, escreveu Kallas após o agravamento da segurança da navegação no estreito de Bab el-Mandeb, que liga o golfo de Aden ao mar Vermelho, ao longo das costas do Iémen e de Djibuti, controlando de facto as rotas comerciais entre o oceano Índico e o canal de Suez (e, por conseguinte, o Mediterrâneo).

“A missão Aspides da EUNAVFOR continua a apoiar a liberdade de navegação através de Bab el-Mandeb com base nos meios disponibilizados pelos Estados-membros”, acrescenta a Alta Representante na missiva. “No atual contexto de maior insegurança temos de ser capazes de aumentar de forma substancial a nossa presença, para garantir que a operação possa cumprir plenamente o próprio mandato.”

“A influência que os houthis adquiriram sobre o estreito com a conquista do porto de Mocha, da ilha de Perim e das ilhas Hanish constitui uma séria ameaça para a segurança marítima ao longo de uma rota de trânsito internacional fundamental”, conclui Kallas, que considera que isso "já está a atingir os interesses europeus".

Itália pede à UE reforço da segurança no mar Vermelho

Crosetto tinha pedido um reforço da Aspides, após a intervenção da fragata Carlo Bergamini para escoltar um navio mercante italiano ao largo das costas do Iémen.

O ministro lamentou a presença de apenas dois navios de guerra europeus na zona e anunciou a decisão de não esperar pela Europa caso fosse necessária nova escolta para cargueiros comerciais nacionais.

A intervenção pública de sexta-feira foi antecedida pela pressão dos armadores italianos e pela tomada de posição do Ministério dos Negócios Estrangeiros. “Há meses que pedimos à União Europeia que reforce a missão Aspides: Itália e Grécia estão a fazer muito, mas, se temos de garantir a segurança de toda a Europa, então, se não houver contribuição militar, tem de haver contribuição financeira”, afirmou o ministro Antonio Tajani.

Consoante as reações que o pedido de Crosetto, apoiado por Kallas, suscitar entre os Estados da UE, podem abrir-se dois cenários.

O primeiro é que outros países decidam, à semelhança de Itália, assumir responsabilidades naquele troço de mar no âmbito da mesma missão Aspides. Na área já operam unidades francesas e dos Países Baixos, em proteção dos navios mercantes nacionais.

O segundo é ser o governo de Roma a reforçar a presença militar com outros navios estacionados em Djibuti, mas, nesse caso, pedindo aos aliados que compartilhem os custos militares necessários, embora consciente de que seria necessária uma unanimidade difícil de alcançar para os aprovar.

A aceleração neste sentido poderá ser ditada pela necessidade de proteger a dezena de travessias semanais no estreito consideradas cruciais por Roma.

Mas também pelos danos que Itália está a sofrer, como no caso da perda de um Eurofighter no bombardeamento dos Houthi, a milícia que atualmente controla o Iémen, contra uma base da Arábia Saudita na semana passada.

Itália dispõe de meios avançados em várias bases sauditas, além de pequenos contingentes destacados em Barém, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, já colocados em risco pela guerra com o Irão.

Kaja Kallas quer um reforço da missão da UE no Mar Vermelho
Kaja Kallas quer um reforço da missão da UE no Mar Vermelho Mindaugas Kulbis/AP

UE pode rever regras de empenhamento no mar Vermelho

Na carta enviada aos governos europeus, Kallas pediu para “sugerirem possíveis ações”, incluindo no que toca à operacionalidade das missões da UE já existentes.

O calendário oferece duas ocasiões para clarificar o próximo compromisso europeu no mar Vermelho: a reunião dos ministros da Defesa da UE em 28 de setembro e a do Conselho dos Negócios Estrangeiros em 12 de outubro.

A urgência gerada pelo risco de um encerramento, mesmo parcial, de Bab el-Mandeb, após o de Ormuz, com evidentes repercussões nos custos e preços das cargas energéticas e comerciais, pode assim levar a uma revisão das duas missões navais (EU NAVFOR) em curso: Aspides e Atalanta.

Aspides foi lançada em fevereiro de 2024 e, embora tenha uma natureza defensiva, está autorizada a usar a força para proteger os navios mercantes dos ataques dos houthis, como já aconteceu com os navios italianos Caio Duilio e Fasan.

O comando estratégico foi entregue à Grécia e a gestão operacional foi repartida, em períodos sucessivos, entre Itália e Grécia, que lidera a missão neste momento com o almirante Vasileyos Griparis.

Itália e Grécia têm assegurado até agora também as três embarcações da missão, apoiadas temporariamente por navios da Alemanha, França, Espanha, Países Baixos e Bélgica.

Segundo a imprensa italiana, Kallas terá consultado Griparis nas últimas horas para perceber quantos navios adicionais seriam necessários para garantir a eficácia da missão em Bab el-Mandeb.

Vários analistas sublinham, porém, que o simples destacamento naval pode ser insuficiente, apelando a uma cobertura aérea face ao avanço dos houthis em extensos troços da costa iemenita.

A missão Atalanta, por seu lado, está ativa desde 2008 para prevenir ações de pirataria no mar Arábico, no golfo de Aden e no mar Vermelho e tem o comando sediado na base espanhola de Rota, perto de Cádis.

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