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Europa reage à proibição da Euronews na Bielorrússia

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De Gavin Blackburn & Ricardo Figueira & María Muñoz Morillo
Publicado a Últimas notícias
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Esta semana, o Ministério da Informação da Bielorrússia incluiu o site da Euronews na sua “Lista Republicana de Materiais Extremistas”, segundo media locais.

A decisão tomada esta semana pela Bielorrússia de colocar a Euronews na sua lista de meios de comunicação “extremistas” e de proibir o acesso ao canal desencadeou uma onda de apoio à organização de media em todo o continente.

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“A decisão do regime de Lukashenko de rotular a Euronews como um meio de comunicação ‘extremista’ não é um ato de força. É a admissão de medo”, afirma George Papandreou, antigo primeiro-ministro da Grécia e atual relator-geral para a Democracia da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.

“Os regimes autoritários não temem os media – temem os media que não conseguem controlar. Temem o jornalismo independente porque dá poder a cidadãos livres, com factos em vez de propaganda.”

O Ministério da Informação bielorrusso colocou esta semana o site da Euronews na sua “Lista Republicana de Materiais Extremistas”, segundo órgãos de comunicação com sede na Bielorrússia. A decisão entra imediatamente em vigor, ao abrigo das regras de processo civil bielorrussas.

Na prática, o acesso ao site da Euronews passa agora a ser restringido na Bielorrússia, enquanto os leitores poderão enfrentar sanções administrativas por guardarem ou difundirem o seu conteúdo.

Bandeiras da União Europeia ao vento diante da sede da UE em Bruxelas, 12 de maio de 2026
Bandeiras da União Europeia ao vento diante da sede da UE em Bruxelas, 12 de maio de 2026 AP Photo

“Onde falta liberdade, a informação livre e independente é rapidamente suspeita de extremismo. Nesse sentido, a decisão do regime de Lukashenka não é propriamente uma surpresa”, afirma Wolfgang Kubicki, líder dos liberais alemães e antigo vice-presidente do Bundestag.

“Para a sociedade civil bielorrussa, porém, esta decisão é um duro golpe, pois significa perder uma fonte independente de informação.”

A Euronews advertiu que esta classificação arrisca criminalizar a sua audiência, além de limitar o acesso ao seu jornalismo factual:

“A decisão da Bielorrússia de classificar a Euronews como ‘meio de comunicação extremista’ e de proibir o acesso ao canal no país é mais um golpe contra a liberdade de imprensa e o livre fluxo de informação”, afirmou o jornalista e eurodeputado cipriota Loucas Fourlas. “Enquanto membro do Parlamento Europeu, membro da Comissão das Liberdades Cívicas e da Comissão da Cultura e Educação, e enquanto jornalista, expresso a minha solidariedade para com a Euronews e os seus funcionários.”

As autoridades bielorrussas ainda não tornaram pública a decisão nem os argumentos que levaram a que a Euronews e vários outros meios digitais fossem rotulados como “media extremistas” na Bielorrússia.

A transmissão do canal de televisão da Euronews foi proibida pelas autoridades bielorrussas em 2021, com base em argumentos processuais, antes de o Kremlin decidir cortar as emissões televisivas e digitais da Euronews em toda a Federação Russa, logo após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

“O bloqueio de meios de comunicação livres como a Euronews – primeiro na Rússia e agora na Bielorrússia – é um sinal claro de oposição à liberdade de expressão e à diversidade”, declarou Roderich Kiesewetter, deputado do parlamento alemão e membro do Conselho Alemão de Relações Externas. “A Euronews deve continuar a ser um símbolo da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão e não se deve deixar intimidar.”

"Pior situação desde o fim da URSS"

Já o jornalista e analista político português Germano Almeida diz que "a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa são inimigos da estratégia do Kremlin e de Lukashenko", por isso a decisão tomada pelas autoridades bielorrussas "apenas confirma o alcance da Euronews e da força da democracia europeia", considerando ainda que "os políticos e as instâncias da UE não podem ficar calados perante o que está a acontecer".

Em Espanha, a Euronews pediu a opinião de Ángel Badillo, investigador principal no Real Instituto Elcano. O perito alerta que o perigo que correm os cidadãos bielorrussos que continuam a aceder à Euronews "é enorme, mas não é teórico; está amplamente documentado por organizações internacionais". Segundo explica, as autoridades equiparam a subscrição de meios de comunicação declarados "extremistas" ao apoio a grupos desse tipo, o que pode resultar em responsabilidade penal com pena de prisão até sete anos. "O controlo é tão brutal que, como sabemos através da Human Rights Watch, as autoridades fronteiriças revistam os telemóveis dos cidadãos que regressam do estrangeiro à procura de aplicações ou conteúdos de meios de comunicação proibidos, mas o mesmo acontece também nas universidades ou em certas empresas estatais", salienta.

A situação da liberdade de expressão na Bielorrússia é crítica, e não há dúvida de que é a pior desde o desaparecimento da URSS, segundo Badillo.

A situação da liberdade de expressão na Bielorrússia é crítica, e não há dúvida de que é a pior desde o desaparecimento da URSS.
Ángel Badillo
Investigador no Real Instituto Elcano

A repressão não se limita ao espaço público. e atinge também a esfera privada de cada cidadão, ainda segundo o investigador. O Centro de Direitos Humanos Viasna contabiliza mais de 1100 presos políticos no país, enquanto a lista de pessoas envolvidas em "atividades extremistas" — como a consulta de meios de comunicação proibidos — já ultrapassa as 6000, de acordo com dados da Amnistia Internacional. "A situação da liberdade de expressão na Bielorrússia é crítica, e não há dúvida de que é a pior desde o desaparecimento da URSS", conclui.

Apresentador fala ao microfone da Euronews
Apresentador fala ao microfone da Euronews Euronews

“Decisões deste tipo, que procuram silenciar e intimidar organizações de media, são inaceitáveis e não podem ficar sem resposta”, diz o eurodeputado grego Yannis Maniatis.

“A União Europeia deve continuar a apoiar firmemente os jornalistas, os media independentes e a oposição democrática que luta por uma Bielorrússia livre e democrática.”

A Federação Internacional e Europeia de Jornalistas (IFJ, EFJ) diz em comunicado que “condena a decisão de proibir a Euronews de emitir na Bielorrússia como uma nova tentativa do governo bielorrusso de limitar a liberdade de imprensa e restringir o direito dos seus cidadãos à liberdade de informação”.

A Radio Free Europe/Radio Liberty recorda que o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, “deu entrevistas à Euronews quatro vezes entre 2009 e 2014” e que “durante um discurso na OSCE afirmou que ‘todos os cidadãos aqui veem a Euronews’”.

Numa publicação na rede X, a jornalista bielorrussa no exílio Hanna Liubakova escreve: “Quando uma ditadura chama ‘extremismo’ ao jornalismo, está a admitir que a verdade é a sua maior ameaça.”

Bielorrússia: oposição denuncia proibição “vergonhosa”

Esta sexta-feira, a líder da oposição bielorrussa, Sviatlana Tsikhanouskaya, condenou a decisão de Minsk, descrevendo-a como uma tentativa “vergonhosa” do governo de Alexander Lukashenko de cortar aos bielorrussos o acesso a informação factual e independente.

“O regime de Lukashenko rotulou a Euronews, uma importante plataforma noticiosa europeia, de ‘extremista’ por levar a verdade a milhões de bielorrussos”, escreveu numa publicação na rede X.

“Isto ataca a liberdade dos media e transforma os espectadores em alvos de repressão”, acrescentou, apelando à estação para que “se mantenha firme” e sublinhando: “o vosso trabalho é importante.”

Presidente bielorrusso Alexander Lukashenko
Presidente bielorrusso Alexander Lukashenko AP Photo

Claus Strunz, diretor editorial da Euronews, afirma que o canal não foi notificado da decisão e que aguarda os argumentos das autoridades: “Um Estado que classifica a Euronews como ‘extremista’ e bloqueia o acesso a um jornalismo independente e imparcial revela o seu próprio medo da informação livre”, diz, acrescentando que o canal continuará a oferecer “jornalismo factual e independente” ao seu público na Bielorrússia.

A Associação Bielorrussa Independente de Jornalistas condena igualmente estas "tentativas de restringir o acesso a fontes de informação".

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